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Banco ligado à família Trump avança nos EUA e reacende debate sobre conflito de interesses

Publicado 25/08/2026 • 08:15 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Uma empresa associada à família Trump recebeu aprovação condicional para estabelecer um banco nacional nos Estados Unidos.
  • Movimento ocorre em meio à flexibilização das regras para a abertura de novas instituições financeiras e à aproximação entre o mercado cripto e sistema bancário tradicional.
  • A empresa ainda precisa cumprir exigências regulatórias antes de obter a autorização definitiva.
Donald Trump

Foto: AFP

Trump afirmou que o Irã deveria pagar indenizações pelo que classificou como “os danos que causou” ao longo dos últimos 50 anos.

A World Liberty Financial Trust Company, empresa associada à família do presidente Donald Trump, recebeu neste mês aprovação condicional para estabelecer um banco nacional nos Estados Unidos. A autorização ocorre em meio à flexibilização das regras para a abertura de novas instituições financeiras e à aproximação entre o mercado de criptomoedas e o sistema bancário tradicional.

A empresa ainda precisa cumprir exigências regulatórias antes de obter a autorização definitiva. Entre as condições estão a manutenção de níveis mínimos de capital e a contratação de um auditor independente.

Uma entidade ligada à família Trump detém cerca de 38% da World Liberty. A participação e a atuação do governo na abertura do banco levaram parlamentares democratas e especialistas a questionarem possíveis conflitos de interesse. A empresa e autoridades regulatórias negam irregularidades ou tratamento privilegiado.

Leia também: Empresa de criptomoedas apoiada pela família Trump recebe aprovação condicional para licença bancária

Um banco diferente do modelo tradicional

De acordo com o britânico The Guardian, a instituição não terá, inicialmente, as principais atividades associadas aos bancos convencionais. A proposta não inclui a concessão de empréstimos a consumidores e empresas, financiamento imobiliário ou cartões de crédito. Também não haverá seguro federal para os depósitos.

O principal objetivo será ampliar a utilização da USD1, stablecoin emitida pela World Liberty e vinculada ao dólar americano. O ativo é usado principalmente em operações com outras criptomoedas.

A estrutura bancária poderá permitir que a empresa mantenha diretamente os recursos que dão suporte à stablecoin. O dinheiro recebido dos compradores dos tokens poderá ser aplicado em títulos do Tesouro dos Estados Unidos, gerando receita de juros para a instituição.

Pelas regras atuais para stablecoins, os detentores desses ativos não recebem juros sobre os recursos utilizados como lastro. Isso cria uma fonte potencial de receita para a instituição sem que ela precise operar como um banco tradicional de crédito.

Relação com o governo alimenta questionamentos

Especialistas ouvidos sobre o modelo apontam que a ligação com a família presidencial pode ser um dos fatores de interesse para potenciais usuários da USD1. O ativo ainda tem uso limitado no mercado, o que levanta dúvidas sobre os motivos econômicos para sua adoção em larga escala.

A preocupação entre críticos é que a proximidade entre a empresa e o governo possa criar incentivos para relações comerciais ou regulatórias favoráveis à família Trump. Parlamentares democratas classificaram o caso como um possível exemplo de conflito entre interesses privados e o exercício do poder público.

O Escritório do Controlador da Moeda (OCC), responsável pela análise do pedido, afirmou que funcionários de carreira participaram do processo e que as decisões foram tomadas dentro das exigências legais e éticas. A Casa Branca também rejeitou a existência de conflito de interesses.

Como parte da avaliação, três investidores da World Liberty, incluindo um dos filhos de Trump e um empresário associado à família real de Abu Dhabi, assumiram compromissos destinados a limitar sua influência sobre a administração do banco.

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Licenças bancárias avançam sob Trump

A autorização para a World Liberty ocorre em meio a uma aceleração na concessão de licenças bancárias nos Estados Unidos.

Nos primeiros 19 meses do segundo mandato de Trump, o OCC aprovou 22 pedidos de novas instituições, segundo levantamento de agências internacionais. O número supera o total registrado nos cinco anos anteriores. Desde o início de 2025, cerca de 40 empresas solicitaram licenças, volume próximo ao registrado nos 13 anos anteriores.

A mudança acompanha a agenda de desregulamentação defendida pelo governo. Sob o controlador da moeda, Jonathan Gould, indicado por Trump, o OCC também passou a defender maior participação de empresas de tecnologia financeira e de criptomoedas no sistema bancário.

Entre os grupos que avançaram nessa direção estão a emissora de stablecoins Circle, a fintech Nu Holdings e a plataforma de criptomoedas Coinbase.

Reguladores enfrentam pressão por cautela

A expansão desse modelo também provoca preocupação no setor financeiro. Stablecoins não possuem o mesmo seguro federal associado aos depósitos bancários tradicionais. Especialistas temem que a proximidade entre emissores de criptomoedas e instituições bancárias leve consumidores a interpretar esses ativos como se tivessem garantias do governo.

O debate ocorre em um país que ainda enfrenta as consequências de episódios anteriores de flexibilização e falhas de supervisão. Na crise das instituições de poupança e empréstimo dos anos 1980, mais de 1.600 bancos quebraram, com custos estimados em cerca de US$ 124 bilhões para os contribuintes.

Para os críticos da atual política do OCC, a velocidade na aprovação de novas instituições pode reduzir o tempo disponível para avaliar riscos de empresas que não possuem histórico no setor bancário tradicional. Eles também apontam que mudanças regulatórias feitas para favorecer criptomoedas e fintechs podem ser revistas por futuros governos ou pelo Congresso.

Leia também: Criptomoedas ampliam ganhos após maior alta em três dias desde 2023

Um teste para a supervisão financeira

A World Liberty ainda depende do cumprimento das condições impostas pelo OCC para iniciar plenamente suas operações como banco nacional.

O caso reúne duas transformações que avançam simultaneamente nos Estados Unidos: a entrada de empresas de ativos digitais no sistema financeiro regulado0 e a abertura de espaço para novos participantes bancários.

A aposta dos reguladores é que a chegada de instituições digitais aumente a concorrência e reduza a concentração do setor. A discussão em torno da World Liberty, porém, acrescenta uma questão política ao processo: como preservar a independência da supervisão financeira quando uma empresa sob análise possui vínculos econômicos diretos com a família do presidente que indicou parte dos responsáveis pela regulação.

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