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Bloqueio no Mar Vermelho pode elevar preço do petróleo e ampliar pressão sobre a Europa

Publicado 23/07/2026 • 15:57 | Atualizado há 4 semanas

KEY POINTS

  • Ameaça dos Houthis no Estreito de Bab el-Mandeb compromete uma das principais rotas globais de energia.
  • Desvio de navios pelo sul da África aumenta custos com frete, seguros e transporte marítimo.
  • Europa pode enfrentar alta nos combustíveis e novos impactos sobre aviação e abastecimento.

O bloqueio naval anunciado pelos Houthis, no Iêmen, contra a Arábia Saudita no Estreito de Bab el-Mandeb pode provocar uma forte elevação dos custos logísticos, pressionar ainda mais o preço internacional do petróleo e ampliar a vulnerabilidade energética da Europa, afirmou nesta quinta-feira (23) Marcio Sette Fortes, professor de Relações Internacionais do Ibmec-RJ, em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

“O estreito é hoje uma artéria extremamente importante para o abastecimento energético global. Com cerca de 12% do petróleo transportado por via marítima passando por essa rota, um bloqueio representa um enorme problema para a Arábia Saudita e para qualquer país que dependa desse corredor para transportar petróleo e derivados”, afirmou.

Custos logísticos devem disparar

Segundo o especialista, a alternativa mais viável para as embarcações seria contornar o continente africano, mas a solução elevaria significativamente os custos do transporte marítimo.

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Além do aumento da distância percorrida, Fortes destaca que o risco de ataques dos Houthis tende a encarecer os seguros das embarcações, tornando a travessia pelo estreito ainda menos atrativa.

“O acesso ao Canal de Suez, que é a rota mais curta entre Ásia e Europa, ficará comprometido. Dar a volta pela África é possível, mas extremamente caro, elevando o frete internacional e pressionando ainda mais os preços do petróleo”, explicou.

O professor ressaltou ainda que os Houthis dispõem de capacidade militar relevante, incluindo minas e drones marítimos, o que torna o risco para a navegação bastante elevado.

Pressão do Irã sobre os EUA

Na avaliação de Fortes, a ofensiva dos Houthis não pode ser analisada isoladamente e faz parte da estratégia regional do Irã para ampliar a pressão sobre os Estados Unidos e seus aliados.

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Segundo ele, os Houthis atuam como aliados de Teerã e utilizam o bloqueio como resposta às restrições impostas anteriormente pela Arábia Saudita a portos e aeroportos iemenitas.

“O Irã encontra nos Houthis não apenas um aliado, mas também um instrumento para ampliar a escalada do conflito, trazendo novos atores para a disputa e aumentando a pressão sobre os Estados Unidos”, afirmou.

Fortes avalia que o bloqueio também coloca a Arábia Saudita diante da necessidade de decidir se atuará de forma mais direta para garantir a segurança da navegação na região.

Europa pode ser a mais afetada

Segundo o professor, uma interrupção prolongada nas operações do Estreito de Bab el-Mandeb tende a atingir de forma desproporcional a Europa, que ainda enfrenta dificuldades para substituir parte do fornecimento energético perdido após a redução das importações de gás russo.

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Ele lembra que cerca de 5% do gás natural transportado por via marítima passa pelo estreito antes de seguir para o Canal de Suez, enquanto aproximadamente 12% do petróleo marítimo mundial utiliza a mesma rota.

Na avaliação do especialista, a combinação entre energia mais cara, aumento dos custos logísticos e dificuldades de abastecimento poderá afetar diversos setores da economia europeia, especialmente a indústria, o turismo e a aviação.

“A falta do produto poderá encarecer as passagens aéreas a ponto de não haver demanda suficiente para manter os voos economicamente viáveis. Isso prejudicaria sobremaneira a aviação comercial e deixaria a Europa em uma situação bastante exposta, tanto pelo turismo durante o verão europeu quanto pelo transporte aéreo internacional”, concluiu.

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