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Conflito no Oriente Médio

Fechado pelos Houthis: Entenda a importância do estreito de Bab al-Mandab para o petróleo global

Publicado 22/07/2026 • 11:58 | Atualizado há 52 minutos

KEY POINTS

  • Houthis anunciam embargo marítimo contra navios sauditas no estreito de Bab al-Mandab
  • Rota liga Golfo de Áden ao Mar Vermelho e escoa 12% do petróleo transportado por navios no mundo
  • Especialistas alertam para risco de ataques simbólicos que elevam preço do petróleo e dos seguros marítimos
estreito de Bab al-Mandab

Ansar Allah/Houthi movement

Houthis em 2009, no Iêmem

Ameaças de aliados do Irã contra uma das principais rotas comerciais do mundo reacenderam o temor de nova ruptura no comércio internacional. Depois de fechar o Estreito de Ormuz, o Irã volta as atenções para outro corredor no lado oposto da Península Arábica, o Estreito de Bab al-Mandab, alvo agora de um embargo anunciado pelos houthis contra a Arábia Saudita.

🔍 Houthis é o nome do grupo político e militar apoiado pelo Irã que controla o norte do Iêmen desde 2014. O porta-voz militar do grupo, Yahya Sarea, afirmou nesta segunda-feira (20) que o embargo foi declarado em retaliação ao bloqueio saudita de portos e aeroportos em áreas sob controle houthi.

Em resposta, o Ministério das Relações Exteriores da Arábia Saudita rejeitou a acusação e declarou que vai adotar todas as medidas necessárias para proteger seus navios, conforme a legislação internacional.

Leia também: Houthis posicionam mísseis e drones para atacar navios no sul do Mar Vermelho, alerta grupo de segurança marítima

Estreito de Bab al-Mandab liga Mar Vermelho a rota global

Pela rota que liga o Golfo de Áden ao Mar Vermelho, e que desemboca no Canal de Suez, passam cerca de 12% de todo o petróleo transportado por via marítima no mundo. O estreito fica entre o Iêmen, no lado árabe, e Djibouti e Eritreia, no lado africano, com 115 quilômetros de comprimento e 36 quilômetros de largura.

Desde a abertura do Canal de Suez, em 1869, a passagem se tornou uma conexão indispensável para o comércio mundial, por formar a rota marítima mais curta entre a Europa e a Ásia. O corredor do Mar Vermelho é hoje um dos mais movimentados do planeta, com cerca de 25% do tráfego marítimo global passando por ali.

Bab al-Mandab concentra petróleo e gás que abastecem o mundo

Ainda conforme os dados, cerca de 5 milhões de barris de petróleo, originários do Oriente Médio e da Ásia, cruzam o estreito todos os dias com destino ao Ocidente, segundo a Administração de Informações de Energia dos Estados Unidos. Outros 8% do transporte mundial de gás natural liquefeito também passam pela rota.

Com o Estreito de Ormuz praticamente fechado pela guerra, responsável por 20% do transporte mundial de petróleo, o Mar Vermelho passou a concentrar ainda mais relevância no comércio global. A Arábia Saudita passou a usar Bab al-Mandab como ponto de trânsito para o petróleo saudita a partir do porto de Yanbu, para onde Riad transporta por oleoduto milhões de barris de petróleo bruto extraídos no leste do país.

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Embargo dos houthis mira navios sauditas

Atuando de forma isolada, o grupo já atacou mais de 100 navios comerciais com mísseis e drones durante a guerra em Gaza, afundou duas embarcações e matou quatro marinheiros. Em novembro de 2023, os houthis usaram um helicóptero para sequestrar o navio de carga britânico Galaxy Leader, com operadores japoneses, no Mar Vermelho.

Apesar de o grupo alegar mirar apenas embarcações ligadas a Israel, os ataques foram descritos como indiscriminados e levaram grandes companhias marítimas e petrolíferas a suspender o trânsito pela rota. A correspondente chefe internacional da BBC, Lyse Doucet, avalia que sempre houve expectativa de que os houthis entrassem no conflito caso ele se prolongasse, e que o grupo ainda não havia usado sua principal capacidade de pressão, a de interromper o tráfego pelo estreito.

Em fevereiro, a Administração Marítima do Departamento de Transporte dos Estados Unidos informou que, embora o grupo não atacasse navios comerciais desde o cessar fogo entre Israel e Gaza firmado em outubro de 2025, os houthis continuavam representando ameaça a embarcações e interesses americanos na região.

Histórico de ataques levanta dúvida sobre nova escalada

Entre 2008 e 2012, o estreito e as águas ao redor registraram numerosos ataques de piratas, principalmente de grupos somalis, que sequestravam tripulações inteiras para pedir resgate. Os episódios levaram a comunidade internacional e as companhias de navegação a reforçar a segurança na região.

Um bloqueio da passagem teria efeito parecido ao do encalhe do navio Ever Given, em 2021, que interrompeu o Canal de Suez e gerou gargalos em cadeias globais de abastecimento, com aumento de custos e atrasos na entrega de petróleo e de uma variedade de mercadorias. A interrupção da navegação no Golfo Pérsico já elevou o preço do petróleo tipo Brent de cerca de US$ 70 para mais de US$ 115 o barril.

Farea al-Muslimi, especialista em Oriente Médio do centro de estudos britânico Chatham House, disse ao Serviço Mundial da BBC que os houthis têm minas e desenvolveram capacidade de operar drones marítimos nos últimos anos, o que permite causar transtornos mesmo sem bloqueio total do estreito. Segundo ele, “tudo o que eles precisam é atingir um alvo” para gerar pânico entre seguradoras, companhias de navegação e fornecedores de petróleo.

Para Anwat al-Ansi, especialista em assuntos iemenitas, o Irã pressiona os houthis a arrastar a Arábia Saudita para o conflito, já que os sauditas evitaram até agora confrontar diretamente Teerã e precisarão agir para proteger seus interesses caso os ataques se confirmem. Já Mohammed Albasha, da consultoria de risco Basha Report, pondera que ainda não está claro se os houthis chegarão a atacar embarcações destinadas à Arábia Saudita, mas avalia que o próprio anúncio do embargo tende a prejudicar a navegação e gerar incerteza para os portos sauditas.

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