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CNBCAções futuras caem após os EUA iniciarem mais uma rodada de ataques contra o Irã

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Busca por rotas alternativas demonstra que Ormuz não será mais tão estratégico

Publicado 08/07/2026 • 21:37 | Atualizado há 50 minutos

KEY POINTS

  • Especialista aponta que o cenário de estabilidade prometida por um eventual cessar-fogo talvez nunca se concretize.
  • Para o Brasil, são esperados impactos imediatos da restrição à navegação com reflexos inflacionários diretos da cadeia produtiva do petróleo.
  • A China é apontada como o player mais interessado em uma resolução do confronto ou da liberação da rota.

Em meio a declarações, como a do presidente emérito do Conselho de Relações Exteriores, Richard Haass, em entrevista exclusiva à CNBC International na quarta-feira (7), de que o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã nunca foi real, existem ainda análises de que a força estratégica do estreito de Ormuz pode estar em cheque.

Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Roberto Uebel, professor de Relações Internacionais da ESPM, analisou os desdobramentos desse cenário sobre o mercado global de petróleo.

Questionado se os ataques americanos representam apenas uma mudança na dinâmica militar do conflito ou uma escalada capaz de comprometer efetivamente o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, o professor afirma que a região vive hoje “um novo modus operandi dos Estados Unidos”. Um cenário no qual a estabilidade prometida por um eventual cessar-fogo talvez nunca se concretize.

“Olhando também sobre um prisma dos europeus, da China, há um sinal muito claro de que Ormuz talvez não será mais tão estratégico, tão importante para essa distribuição no longo prazo”, explica.

Para Roberto Uebel, a precificação de risco já está projetada para além de 2026, estendendo-se por todo o ano de 2027, conforme sinalizado por diversas consultorias do setor. E, simultaneamente, aponta o impacto do encarecimento dos seguros marítimos na região.

Ainda assim, esse cenário já empurra o mercado a buscar alternativas, como a construção de novos oleodutos em território saudita e rotas terrestres mais longas passando pela Turquia. O professor pontuou ainda que o Irã deve continuar utilizando o componente político do conflito como instrumento de pressão regional, buscando desestabilizar não apenas o Golfo Pérsico, mas todo o Oriente Médio, com efeitos calculados sobre os mercados americanos.

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Sobre os impactos imediatos de uma eventual restrição à navegação pelo Estreito de Ormuz, com reflexos diretos sobre o Brasil, o especialista pontua “uma pressão inflacionária sobre toda a cadeia produtiva e de distribuição vinculada a essa commodity.”

Para ele, um aumento do preço do barril se traduz diretamente em custos mais altos de frete, distribuição e combustível no nosso país. Um efeito já sentido no primeiro trimestre do ano e com tendência de persistir no segundo. O professor chamou atenção ainda para o componente eleitoral de outubro.

“Certamente será utilizado pelos candidatos a questão de uma inflação vinda de uma externalidade e que afeta a economia brasileira como um todo”, explica.

Ao analisar como um bloqueio parcial do estreito alteraria o equilíbrio de poder no Oriente Médio, o professor destacou que Arábia Saudita, Irã, Turquia e Israel já estão diretamente envolvidos na disputa, mas apontou o papel da China nesse cenário.

“Evidentemente, a parte mais interessada. Uma potência mundial, interessada no desbloqueio ou em uma livre circulação do estreito de Ormuz, porque isso impacta diretamente o crescimento econômico chinês”, diz.

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