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Casa Branca amplia mídia própria para divulgar ações do governo

Publicado 26/09/2026 • 23:59 | Atualizado há 39 minutos

KEY POINTS

  • A Trump TV foi lançada no YouTube após a Casa Branca barrar CNN, MS NOW e Politico e outras grandes redes suspenderem a cobertura compartilhada de eventos presidenciais.
  • O governo Trump também vem investindo em podcasts, programas de entretenimento, influenciadores e produções próprias para ampliar os canais de comunicação com o público.
  • A disputa com a imprensa tradicional chegou à Justiça, e um juiz federal determinou nesta quinta-feira a restauração do acesso de CNN, MS NOW e Politico à Casa Branca.
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Foto: Unsplash

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O governo de Donald Trump está ampliando sua presença direta no mercado de mídia. A Casa Branca lançou a Trump TV, um canal no YouTube que reúne transmissões ao vivo, discursos, eventos e vídeos produzidos pela própria administração, em um momento de forte conflito com veículos tradicionais de imprensa.

A iniciativa ganhou força depois que Trump anunciou, em 18 de setembro, a suspensão do acesso de CNN, MS NOW e Politico à Casa Branca. Em reação, grandes redes que participavam do sistema compartilhado de cobertura presidencial, como ABC, CBS, Fox News e NBC, suspenderam a participação na transmissão conjunta de eventos do presidente.

Foi nesse contexto que a Casa Branca passou a divulgar a Trump TV como uma alternativa para acompanhar diretamente as atividades do governo. O canal foi apresentado com vídeos promocionais e uma programação voltada principalmente a discursos, anúncios e acontecimentos da administração.

Leia também: Audiência judicial sobre proibição de Trump à imprensa começa; MS NOW, CNN e Politico pedem reintegração à Casa Branca

Influenciadores e programas próprios entram na estratégia

A Trump TV, porém, é apenas uma parte de uma estratégia de comunicação que vai além das transmissões oficiais.

O governo tem ampliado a presença de influenciadores e personalidades da internet em eventos oficiais. O Pentágono, por exemplo, recebeu os irmãos Jake e Logan Paul, que participaram de uma atividade com militares. Outros integrantes do governo também passaram a receber criadores de conteúdo e comentaristas.

Agências federais também começaram a produzir programas com formatos tradicionalmente associados ao entretenimento. A Administração de Pequenas Empresas realizou o Million Dollar Pitch, competição inspirada em programas como Shark Tank, apresentada pelo ator Dean Cain.

O evento contou com nomes como a rapper Nicki Minaj, o empresário Grant Cardone, o cofundador do Airbnb Joe Gebbia e a administradora da agência, Kelly Loeffler.

O Departamento de Transportes também criou no YouTube a série The Great American Road Trip, apresentada pelo secretário Sean Duffy e sua família, com foco em viagens pelos Estados Unidos e nas iniciativas do governo relacionadas ao programa America 250.

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Outro exemplo é Robert F. Kennedy Jr., secretário de Saúde e Serviços Humanos, que passou a apresentar um programa de culinária e também mantém um podcast.

Leia também: Casa Branca anuncia ‘Trump TV’ após restrições de acesso a CNN, Politico e MS NOW

Estratégia acontece enquanto mídia tradicional enfrenta mudanças

A aposta em canais próprios ocorre em um momento de transformação da indústria de comunicação nos Estados Unidos. A televisão paga perdeu audiência ao longo dos anos, enquanto empresas de mídia enfrentam cortes de custos, fusões e mudanças no modelo de negócios.

No setor impresso, veículos também lidam com a redução da receita e os efeitos da inteligência artificial sobre a produção e distribuição de conteúdo.

Ao mesmo tempo, podcasts, YouTube e redes sociais ganharam espaço como canais de informação e entretenimento. Trump já havia utilizado essas plataformas durante sua trajetória política e manteve uma relação próxima com meios alternativos de comunicação.

A disputa com os veículos tradicionais, entretanto, continua também no campo judicial. CNN, MS NOW e Politico processaram o governo após terem seu acesso à Casa Branca suspenso. Em 24 de setembro, um juiz federal determinou que os três veículos tivessem suas credenciais restauradas.

Mesmo com a decisão judicial, a Casa Branca não restabeleceu imediatamente o acesso, segundo relatos publicados nesta quinta-feira, levando os veículos a pedir uma nova intervenção judicial.

Nesse ambiente, a Trump TV representa mais do que um novo canal no YouTube: é uma tentativa de ampliar os meios pelos quais a administração Trump transmite suas próprias mensagens, combinando comunicação institucional, transmissões ao vivo, entretenimento e criadores digitais.

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