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China deixa de ser apenas fornecedora e vira referência para negócios brasileiros, diz CEO do Grupo Bittencourt

Publicado 03/09/2026 • 12:49 | Atualizado há 15 minutos

KEY POINTS

  • A China deve ser vista pelo empresariado brasileiro não apenas como uma fonte de produtos, mas como um laboratório de modelos de negócios.
  • A avaliação é de Lyana Bittencourt, CEO do Grupo BITTENCOURT, em entrevista ao Real Time, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
  • Para a especialista, a dimensão do mercado chinês e a integração entre comércio, tecnologia e relacionamento com o consumidor criam oportunidades para empresas brasileiras que buscam ampliar eficiência e competitividade.

A China deve ser vista pelo empresariado brasileiro não apenas como uma fonte de produtos e equipamentos, mas como um laboratório de modelos de negócios, tecnologia e eficiência operacional. A avaliação é de Lyana Bittencourt, CEO do Grupo Bittencourt, uma consultoria especializada em redes de negócios, varejo e franquias, em entrevista ao Real Time, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

Para a especialista, a dimensão do mercado chinês e a integração entre comércio, tecnologia e relacionamento com o consumidor criam oportunidades para empresas brasileiras que buscam ampliar eficiência e competitividade.

“Hoje a China não é mais a fábrica do mundo. A China é um laboratório de modelos de negócios”, afirmou.

Bittencourt destacou que a China já é um dos principais parceiros comerciais do Brasil e que a proximidade entre os dois mercados pode favorecer uma estratégia de colaboração empresarial. Na avaliação dela, o objetivo não deve ser copiar modelos chineses, mas entender como eles foram estruturados e identificar o que pode ser adaptado ao mercado brasileiro.

Um dos exemplos citados é o comércio eletrônico por meio de transmissões ao vivo, conhecido como live commerce. Segundo a especialista, esse formato já representa cerca de um terço do comércio eletrônico chinês.

No Brasil, a modalidade ainda estaria em uma fase de aprendizado. Para Bittencourt, a diferença está na frequência e no propósito das transmissões: enquanto no mercado brasileiro o formato foi usado muitas vezes de maneira pontual, com foco em vendas e descontos, na China ele é integrado a estratégias de relacionamento, curadoria e construção de comunidade.

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Tecnologia e eficiência

Outro ponto destacado é a integração da infraestrutura tecnológica chinesa. Segundo Bittencourt, recursos como inteligência artificial, aplicativos, automação, entregas por drones e veículos autônomos estão mais conectados à operação das empresas e das cidades.

Essa integração facilita modelos de comércio rápido, nos quais o consumidor pode fazer compras, pagamentos, escolher restaurantes e solicitar transporte dentro de um mesmo ambiente digital.

“Você faz as compras, faz o pagamento, você tem guia da cidade, escolhe o restaurante, chama o táxi. Então, as tecnologias são mais integradas. E isso é o desafio do mercado brasileiro”, disse.

Na avaliação da especialista, a fragmentação tecnológica no Brasil aumenta a necessidade de integração entre diferentes plataformas e sistemas. No mercado chinês, por outro lado, essa infraestrutura já estaria mais consolidada, permitindo que empresas desenvolvam operações de comércio rápido com maior eficiência.

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Bittencourt citou como exemplo o modelo de supermercados Hema, ligado ao Alibaba, que combina operação física, pedidos por aplicativo e entregas rápidas. Segundo ela, a estrutura das lojas é desenhada para que funcionários processem pedidos digitais ao mesmo tempo em que atendem os consumidores presentes no estabelecimento.

Para empresas brasileiras, a principal lição seria adaptar a operação para usar melhor dados e tecnologia, em vez de simplesmente reproduzir a aparência de modelos chineses.

Comunidade como estratégia de negócios

Além da tecnologia, a especialista apontou o relacionamento com consumidores como um dos principais aprendizados para o varejo brasileiro.

Segundo Bittencourt, empresas chinesas trabalham primeiro a relação com a comunidade e, depois, a venda. A estratégia busca aumentar a relevância da marca na vida do consumidor antes de transformar esse relacionamento em uma transação.

“O mercado brasileiro, na essência, terá que buscar mais relacionamento com a sua comunidade, mais ganho de eficiência operacional”, afirmou.

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Para ela, a combinação entre relacionamento e tecnologia pode ajudar empresas brasileiras a encontrar novas oportunidades de crescimento e melhorar sua eficiência.

A CEO também ressaltou que a relação comercial entre Brasil e China pode ser usada para ampliar a troca de conhecimento empresarial. Na avaliação dela, a proximidade cultural entre os dois países, especialmente no caráter relacional dos consumidores, pode facilitar essa colaboração.

“Não é sobre copiar, não é sobre alcançar a mesma velocidade. É como é que a gente colabora em prol do mercado, dos nossos negócios, das marcas brasileiras que têm a oportunidade de ganhar eficiência”, disse.

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