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China vive boom de IPOs e movimenta US$ 54 bilhões em 2026
Publicado 02/09/2026 • 06:30 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 02/09/2026 • 06:30 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Foto: unsplash
O Ministério do Comércio da China confirmou que seus principais negociadores realizaram as primeiras conversas com os EUA sobre IA.
A China vive uma forte expansão no mercado de ofertas públicas iniciais (IPOs), impulsionada principalmente pelo interesse dos investidores em inteligência artificial (I.A), robótica e outras tecnologias avançadas. Em 2026, as operações realizadas nas bolsas de Hong Kong e Xangai já movimentaram mais de US$ 54 bilhões (cerca de R$ 278 bilhões).
Segundo a LSEG, o valor supera os mais de US$ 46 bilhões (R$ 236 bilhões) levantados nos dois mercados durante todo o ano passado. Juntos, Hong Kong e Xangai representam cerca de 21% dos recursos captados globalmente por meio de IPOs e listagens secundárias neste ano.
A Nasdaq permanece na liderança, com aproximadamente 55% do mercado mundial. Segundo a Fortune, o resultado inclui o IPO de US$ 75 bilhões (R$ 386 bilhões) da SpaceX, realizado em junho, que ajudou a bolsa americana a manter a posição de maior mercado de IPOs do mundo em 2026.
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O crescimento das bolsas chinesas ocorre também porque mais companhias estão optando por abrir capital perto de seus principais mercados. A China limita a compra de ações por investidores estrangeiros nas bolsas do continente. Por isso, Hong Kong se tornou uma alternativa para empresas que desejam captar recursos internacionais.
Além disso, aumentou a fiscalização regulatória nos Estados Unidos e na China sobre grandes companhias chinesas listadas no exterior. A medida atingiu principalmente empresas de setores estratégicos e contribuiu para aproximar novas ofertas dos mercados domésticos.
Em Hong Kong, a fornecedora da Apple, Luxshare Precision Industry, e a Zhongji Innolight, fabricante de transceptores ópticos utilizados em centros de dados, estão entre as maiores operações realizadas neste ano.
Empresas de robótica, como AGIBOT e Deep Robotics, também avaliam realizar IPOs em Hong Kong ou Xangai. Além disso, antes de escolher Hong Kong, a Shein chegou a considerar uma listagem nos Estados Unidos e em Londres.
O interesse pela inteligência artificial aparece com força nas recentes estreias. Em julho, a CXMT, maior fabricante de chips de memória da China, levantou mais de US$ 8,6 bilhões (R$ 44,3 bilhões) em Xangai. A operação foi a segunda maior da China continental e também a segunda maior do mercado STAR, segmento da bolsa chinesa voltado a empresas de tecnologia.
As ações da CXMT subiram 466% no primeiro dia de negociação. A companhia, fundada na China em 2016, também registrou forte avanço na receita. Além disso, nos três primeiros meses de 2026, o faturamento chegou a 50,8 bilhões de yuans, cerca de US$ 7,5 bilhões (R$ 38,6 bilhões), alta superior a 700% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A demanda por chips utilizados em sistemas de inteligência artificial ajudou a impulsionar esse crescimento. Para especialistas, o desempenho da CXMT também reforça a estratégia chinesa de ampliar a autossuficiência na produção de tecnologias consideradas importantes para a I.A.
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Siga o Times | CNBCOutro destaque foi a Unitree, uma das principais fabricantes chinesas de robôs humanoides. A empresa estreou na bolsa de Xangai em agosto e viu suas ações avançarem 460% no primeiro dia de negociação.
A onda de ofertas também chegou à Shein. A gigante chinesa de comércio eletrônico e moda rápida deve estrear suas ações em Hong Kong nesta terça-feira (1º), em uma operação que pretende levantar US$ 1,7 bilhão (R$ 8,76 bilhões).
A oferta está entre as maiores realizadas na cidade neste ano e deve avaliar a empresa em aproximadamente US$ 27 bilhões (R$ 139 bilhões). O valor representa uma fração da avaliação máxima alcançada pela Shein alguns anos atrás.
Parte dessa redução está relacionada às medidas dos Estados Unidos e da União Europeia para restringir isenções fiscais aplicadas a pequenas importações, que afetam o modelo de negócios da companhia.
Além disso, o avanço da inteligência artificial passou a disputar o interesse dos investidores com empresas de outros setores. Para Jacob Cooke, CEO da WPIC Marketing + Technologies, o ciclo de investimentos em I.A absorve parte do apetite por risco que poderia chegar a companhias como a Shein.
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Apesar do forte desempenho das novas ações, o movimento também gera preocupação sobre uma possível bolha de inteligência artificial na China. A Unitree é um exemplo dessa volatilidade. Depois da alta de 460% na estreia, seus papéis caíram mais de 40% em relação ao pico registrado no primeiro dia de negociação.
Para Ruiying Zhao, analista da S&P Global Market Intelligence, o crescimento do mercado de IPOs na China dependerá da capacidade das empresas de transformar o entusiasmo dos investidores em resultados concretos. Assim, receitas sustentáveis, margens de lucro visíveis e avaliações mais realistas devem ganhar importância para determinar se o atual boom chinês de IPOs terá força para continuar.
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