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Análise: Nova coalizão de céticos em relação à IA surge justamente no ponto cego político de Trump
Publicado 25/07/2026 • 13:25 | Atualizado há 47 minutos
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Publicado 25/07/2026 • 13:25 | Atualizado há 47 minutos
KEY POINTS
Uma nova coalizão formada por líderes religiosos, sindicatos e ativistas locais, preocupada com os impactos da inteligência artificial e das transformações econômicas que ela pode provocar, representa um desafio político para qualquer líder que ignore essas preocupações. E, neste momento, o presidente Donald Trump parece ser quem mais corre esse risco.
A inteligência artificial ocupa justamente o ponto cego político de Trump. O avanço acelerado da tecnologia ameaça superar a conhecida capacidade do presidente de perceber mudanças no humor do eleitorado e pode comprometer tanto o desempenho do Partido Republicano nas eleições de meio de mandato quanto o legado político que ele busca consolidar.
Embora pareça reconhecer esse risco, Trump continua avançando na direção oposta.
Na quinta-feira, o presidente destacou compromissos assumidos por empresas de data centers e concessionárias de energia para não elevar as tarifas de eletricidade, reconhecendo a preocupação crescente de que a expansão desses centros de processamento possa aumentar as contas de luz dos americanos.
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O compromisso representa uma solução conveniente para empresas como OpenAI e Oracle, oferecendo proteção política enquanto os efeitos econômicos da modernização da envelhecida rede elétrica americana serão sentidos ao longo de anos ou até décadas.
Mesmo em um evento realizado na Agência de Proteção Ambiental (EPA) para mostrar preocupação com os consumidores, Trump acabou alinhando seu discurso aos interesses das empresas de tecnologia.
“Vocês não podem lutar contra isso. Precisam seguir esse caminho”, disse o presidente a governadores e autoridades locais, incentivando-os a apoiar a instalação de data centers em seus Estados.
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Trump também afirmou que alguém ficará rico com esse novo ciclo de investimentos e sugeriu que fossem justamente os governos locais a aproveitar essa oportunidade.
“Se vocês não ficarem com todo esse dinheiro, outra pessoa ficará. Então é melhor que sejam vocês”, afirmou.
Existe um aspecto importante quando o assunto é enriquecimento: se os americanos enxergam uma possibilidade de ganhar dinheiro, dificilmente precisam ser convencidos duas vezes.
É por isso que mercados como o de criptomoedas ou de mercados de previsão continuam atraindo investidores, independentemente da pequena probabilidade de que a maioria realmente fique rica.
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No caso da inteligência artificial, porém, a situação é diferente.
Os americanos não parecem acreditar que as grandes empresas de tecnologia estejam lhes oferecendo um “bilhete premiado”. Trump pode celebrar o desempenho do mercado financeiro – o índice Nasdaq Composite já registrou 20 recordes de fechamento neste ano –, mas poucos cidadãos possuem investimentos suficientes para que a valorização das ações das gigantes da tecnologia compense preocupações com instabilidade no mercado de trabalho e aumento da concentração de riqueza.
Um exemplo citado é a SpaceX, de Elon Musk. Para investidores que participaram das primeiras rodadas de financiamento, o retorno foi expressivo. Já para pequenos investidores que conseguiram comprar ações na oferta pública realizada no mês passado, os papéis acumulam queda de cerca de 30%.
Além das preocupações econômicas, a inteligência artificial agora enfrenta uma coalizão política formada justamente por grupos que exercem influência sobre parte importante do eleitorado que Trump busca conquistar.
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O presidente pode até ignorar o papa Leão XIV, que publicou em maio uma influente encíclica defendendo mecanismos de proteção para limitar os riscos da inteligência artificial.
No entanto, a situação se torna mais delicada quando esse mesmo discurso passa a ser adotado por líderes do movimento evangélico americano.
O presidente da National Association of Evangelicals, Walter Kim, elogiou os alertas feitos pelo pontífice durante entrevista ao programa “Squawk Box”, da CNBC.
“Existem benefícios importantes, mas também danos extraordinários”, afirmou.
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Siga o Times | CNBCKim manifestou preocupação com o uso crescente da IA em áreas como saúde, educação e guerra, alertando para o risco de retirar seres humanos das decisões mais importantes.
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“É, como descreveu o papa em sua recente encíclica, a construção de uma Torre de Babel: confiar em uma tecnologia que reflete a arrogância humana e que não apenas nos afasta de Deus, mas também uns dos outros”, declarou.
Embora a associação evangélica não apoie candidatos nem tenha anunciado qualquer campanha política contra Trump, o posicionamento de Kim sinaliza uma mudança de percepção dentro de um grupo que apoia o republicano desde sua primeira campanha presidencial.
Outros grupos considerados estratégicos para os republicanos também passaram a demonstrar maior preocupação com a inteligência artificial.
Durante o governo Trump, o Partido Republicano buscou ampliar sua aproximação com os sindicatos, obtendo resultados apenas parciais. Agora, conquistar esse eleitorado pode exigir uma postura mais cautelosa em relação à IA.
Na convenção da AFL-CIO, maior central sindical dos Estados Unidos, realizada no mês passado, sua presidente, Liz Shuler, deixou um recado aos futuros candidatos à Casa Branca.
“Para todos aqueles que já começaram a disputar a eleição presidencial de 2028, escutem estas palavras: os trabalhadores devem vir antes dos algoritmos”, afirmou.
Shuler diz não ser contrária à inteligência artificial, mas defende que seus benefícios sejam distribuídos além das grandes empresas de tecnologia e de seus investidores.
O mesmo argumento foi apresentado por Sean O’Brien, presidente do sindicato International Brotherhood of Teamsters, que discursou na Convenção Nacional Republicana em 2024.
“Nós nunca tivemos um lugar à mesa”, afirmou durante um evento promovido pelo grupo conservador American Compass, ao lado do CEO da Palantir, Alex Karp.
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Karp, que cresceu em uma família ligada ao movimento sindical, reconheceu que o maior obstáculo para o avanço da inteligência artificial nos Estados Unidos pode ser político.
“Acho que o maior desafio para a IA neste país é a instabilidade política”, afirmou.
Essa insatisfação já começa a aparecer na oposição crescente à construção de novos data centers em diversas regiões dos Estados Unidos.
Embora o Estado de Nova York, sob o comando da governadora Kathy Hochul, tenha sido um dos primeiros a discutir uma moratória para esse tipo de empreendimento, o tema ainda não segue uma divisão tradicional entre democratas e republicanos.
Segundo uma pesquisa realizada em junho pelo Yale Program on Climate Communication, 53% dos republicanos conservadores são contrários à construção de data centers em suas próprias comunidades.
O levantamento mostra ainda que 58% do eleitorado registrado compartilha dessa posição, enquanto a oposição chega a 74% entre democratas liberais.
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Líderes religiosos, sindicatos e uma ampla rede de ativistas locais começam, portanto, a convergir em torno de uma mesma mensagem: é preciso desacelerar o avanço da inteligência artificial e estabelecer limites mais claros para sua expansão.
Os políticos que atenderem a esse movimento poderão encontrar um forte apoio popular. Para aqueles que ignorarem esses sinais, o calendário eleitoral se aproxima rapidamente: faltam apenas 101 dias para as eleições de novembro.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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