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Comércio do Irã recua enquanto líder supremo Khamenei pede menor dependência do dólar

Publicado 29/08/2026 • 14:00 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • O presidente Masoud Pezeshkian afirmou que as importações e exportações do Irã caíram entre 25% e 35%, com uma queda maior nas importações.
  • O líder supremo Mojtaba Khamenei defendeu a redução gradual do papel do dólar e maior dependência da produção doméstica.
  • Os embarques de petróleo bruto iraniano para exportação em agosto caíram mais de 80% em relação a agosto de 2025, segundo a Kpler.
Irã

AFP

O comércio iraniano sofreu uma forte queda sob o impacto das sanções dos Estados Unidos e de um bloqueio naval, afirmou o presidente Masoud Pezeshkian, enquanto o líder supremo Mojtaba Khamenei defendeu uma redução da dependência do dólar.

“Tivemos uma queda entre 25% e 35%. Nossas exportações diminuíram, mas as importações caíram mais”, afirmou Pezeshkian em entrevista à televisão estatal na noite de sexta-feira (28), segundo uma tradução do Google da transcrição divulgada pela agência Tasnim News.

“A queda nas exportações é um pouco menor do que a das importações, e as importações diminuíram significativamente.”

“O que essas estatísticas significam? Então algumas pessoas dizem que as sanções não têm efeito algum! Realmente não sei o que dizer a essas pessoas”, afirmou Pezeshkian. “Quero apenas dizer que afirmar que as sanções não têm efeito não é algo compatível com esses fatos.”

Enquanto isso, o líder supremo Mojtaba Khamenei defendeu na sexta-feira, em uma mensagem escrita, uma maior autossuficiência econômica.

“É igualmente vital dar atenção especial ao crescimento econômico, impulsionar a produção, reduzir gradualmente o papel central do dólar americano e, em última análise, colocar a Economia de Resistência como foco central”, afirmou Khamenei em uma publicação no X na noite de sexta-feira.

Leia também: Rússia e Irã discutem Estreito de Ormuz e tensões com os Estados Unidos

Campanha de sanções é intensificada

Na segunda-feira (24), o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, lançou a “Operação Economic Outcast”, uma campanha de sanções destinada a cortar os vínculos econômicos do Irã com o restante do mundo.

Em uma das primeiras medidas, o Departamento do Tesouro propôs, na sexta-feira (28), impedir que as operações nos Emirados Árabes Unidos do banco egípcio Banque Misr tenham acesso a serviços de bancos correspondentes de instituições financeiras americanas, devido a supostos vínculos financeiros com o Irã.

O Tesouro propôs revogar o acesso do Banque Misr UAE ao sistema de bancos correspondentes de instituições financeiras dos Estados Unidos, informou o departamento em comunicado.

Segundo o Tesouro, o Banque Misr UAE processou cerca de US$ 1,8 bilhão nos últimos dois anos para 103 empresas que podem fazer parte da rede bancária paralela do Irã.

Em comunicado divulgado no sábado (29), o banco afirmou que está cooperando com as autoridades competentes e acrescentou que a medida regulatória se limita à sua unidade nos Emirados Árabes Unidos, que continua atendendo seus clientes.

As exportações de petróleo bruto do Irã também caíram acentuadamente enquanto os Estados Unidos ampliam a pressão econômica sobre Teerã por meio de sanções e do bloqueio naval.

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Os embarques de petróleo bruto iraniano para exportação despencaram em agosto, segundo dados divulgados na quinta-feira (27) pela empresa de inteligência comercial Kpler. Os Estados Unidos têm intensificado o uso de sanções e do bloqueio naval como instrumentos de pressão para levar Teerã a um acordo que permita a reabertura completa do Estreito de Ormuz.

Até agora neste mês, o Irã carregou cerca de 260 mil barris de petróleo por dia para exportação em seus portos, uma queda de mais de 80% em relação aos 1,7 milhão de barris por dia registrados em agosto de 2025, segundo a Kpler.

O presidente Donald Trump restabeleceu o bloqueio em 14 de julho, em retaliação ao ataque iraniano contra petroleiros que transitavam pelo Estreito de Ormuz. Os embarques de petróleo bruto de Teerã caíram cerca de 70% em agosto em relação aos 893 mil barris por dia registrados no mês anterior.

Leia também: Presidente do Irã reconhece impacto das sanções dos EUA no país, com queda de até 35% nas exportações

Reservas de petróleo do Irã

O Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) afirmou no sábado (29) que, até 28 de agosto, suas forças haviam “redirecionado 82 embarcações comerciais, desativado três e abordado duas para garantir o cumprimento” das medidas.

O governo Trump acredita que o Irã acabará ficando sem dinheiro e será obrigado a ceder, afirmou Bob McNally, presidente da consultoria Rapidan Energy.

O bloqueio tem sido “muito eficaz”, segundo Matt Smith, diretor de pesquisa de commodities da Kpler. A medida “atingiu em cheio os embarques de petróleo bruto do Irã”, disse ele. Smith acrescentou que o petróleo que Teerã consegue carregar nos navios provavelmente não consegue passar pelo bloqueio.

O Ministério do Petróleo do Irã, porém, afirmou que possui reservas suficientes para vender petróleo e atender às necessidades previstas no orçamento de 2026-2027, contornando os bloqueios marítimos, segundo uma publicação no Telegram traduzida pelo Google.

O ministério afirmou ter transferido US$ 7,5 bilhões em receitas de vendas de petróleo para o banco central do país ao longo de quatro meses, valor suficiente para cobrir despesas em moeda estrangeira até o início de janeiro de 2027.

Na sexta-feira (28), completaram-se seis meses desde que Estados Unidos e Israel iniciaram “grandes operações de combate” no Irã, provocando ataques de retaliação contra alvos em todo o Golfo e desencadeando uma nova guerra no Oriente Médio.

O que inicialmente deveria ser um conflito de algumas semanas evoluiu para um impasse que, segundo analistas geopolíticos, não apresenta perspectiva de encerramento.

A guerra já dura seis meses, apesar das expectativas iniciais de que os principais combates durariam apenas algumas semanas. Enquanto isso, as negociações para reabrir o Estreito de Ormuz continuam sem solução.

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