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Alta do petróleo pressiona preços, mas subsídios nem sempre chegam ao consumidor, diz especialista

Publicado 26/03/2026 • 18:10 | Atualizado há 2 meses

KEY POINTS

  • Medidas emergenciais são caras e pouco eficazes, com repasse limitado ao consumidor final.
  • Crise pode consolidar biocombustíveis e, no longo prazo, estimular veículos elétricos.
  • Cadeia de diesel mostra sinais de tensão, com risco de avanço de desabastecimento pontual.

A alta global do petróleo tem levado governos a adotarem medidas emergenciais para conter o impacto dos combustíveis, mas o alívio nem sempre chega ao consumidor final, segundo avaliação de Edmilson Moutinho, professor do Instituto de Energia e Ambiente da USP. Ele foi entrevistado nesta quinta-feira (26) pelo Radar, programa do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

Para o especialista, políticas como desonerações e subsídios indiretos tendem a ser menos eficientes do que transferências diretas. “O subsídio direto ao consumidor seria mais efetivo e provavelmente mais barato”, afirmou, citando exemplos como o auxílio durante a pandemia e o vale-gás.

Transição energética e combustíveis

Moutinho avalia que crises energéticas costumam estimular mudanças estruturais, mas, no caso brasileiro, o impacto tende a ser limitado no curto prazo. Isso porque a transição energética no país está mais avançada no setor elétrico, enquanto os combustíveis já contam com alternativas consolidadas, como etanol e biodiesel.

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Segundo ele, esses biocombustíveis funcionam como uma garantia de segurança energética, reduzindo a dependência externa, sem necessariamente acelerar uma mudança mais ampla no curto prazo.

Veículos elétricos e montadoras

O avanço dos carros elétricos também pode ganhar força, mas de forma gradual. “Não creio que uma crise de curto prazo leve o consumidor a mudar de tecnologia, mas, se o cenário persistir, o efeito pode ser relevante”, disse.

Ele destacou ainda que o mercado brasileiro enfrenta um atraso relativo na eletrificação, com maior presença de montadoras chinesas, enquanto empresas locais apostam em híbridos flex como solução intermediária.

Diesel e risco na cadeia

No curto prazo, o principal risco está na cadeia de abastecimento de diesel, que já apresenta sinais de fragilidade. Embora não veja uma crise sistêmica, o especialista alerta para ocorrências pontuais de desabastecimento.

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A cadeia está tensionada. Sair de um problema pontual para algo mais amplo pode acontecer rapidamente”, afirmou.

Política de preços e impacto futuro

Moutinho também avaliou que a atual política de preços dos combustíveis no Brasil tende a suavizar a volatilidade no curto prazo, mas não impede ajustes ao longo do tempo.

Se os preços internacionais se mantiverem em um novo patamar, o Brasil terá que se alinhar, com impactos inevitáveis para o consumidor”, concluiu.

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