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Por que a crise do petróleo causada pela guerra com o Irã pode durar mais do que o esperado
Publicado 26/03/2026 • 17:11 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 26/03/2026 • 17:11 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Foto: Freepik
A nova guerra no Oriente Médio entre Estados Unidos, Irã e participações de Israel é a principal responsável pela crise energética e econômica mundial nos dias de hoje. Apesar de a guerra inicialmente envolver questões nucleares, a falta do petróleo e de outros materiais atinge diversos países que sequer estão envolvidos diretamente nos conflitos.
A “seca” do petróleo e fertilizante se intensificou com o bloqueio do Estreito de Ormuz, rota dominada pelo Irã e principal via marítima para o envio dos materiais. A ação aconteceu após as forças armadas iranianas determinarem o bloqueio como uma espécie de represália aos ataques americanos.
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Além de ser de extrema importância para o envio de petróleo e outros materiais, o Estreito de Ormuz é conhecido por transportar o maior volume entre as demais opções. Em 2024, o local foi responsável pelo envio de 20% do consumo global, ou 20 milhões de barris enviados diariamente.
É verdade que o local não é o único existente para realizar a rota do material, mas, devido ao consumo excessivo e à importância dos componentes, a via é a única que entrega os volumes necessários. A Agência Internacional de Energia (AIE) realizou a maior liberação de barris de petróleo da história, cerca de 400 milhões de barris.
Entretanto, apesar do volume considerável, a medida é provisória para aliviar os impactos da falta do abastecimento.
De acordo com informações do portal de notícias Al Jazeera, a escalada dos conflitos já levou o petróleo Brent, referência global, a se aproximar de US$ 120 por barril, perto do recorde de US$ 147 atingido em julho de 2008. Entretanto, apesar da crise atual, a alta do petróleo e gás natural também já foi registrada em outras guerras recentes.
Em 2022, após a invasão da Ucrânia pela Rússia, o petróleo Brent chegou a US$ 139 por barril, antes de recuar e se estabilizar no ano seguinte, em níveis próximos aos anteriores ao conflito.
Já o gás natural seguiu a mesma trajetória em 2022 e voltou a atingir um pico nos dias de hoje, impulsionado pelos ataques ao Irã e pelo fechamento do Estreito de Ormuz.
Logo, apesar dos níveis elevados dos materiais essenciais, é provável que eles retornem à normalidade após o fim do conflito ou ao menos em um acordo entre os países. Entretanto, esse retorno não deve ser imediato e deve ser custoso à economia global.
Um dos pontos centrais dessa demora na retomada dos valores é o risco direto à infraestrutura energética. Ataques a instalações de petróleo e gás aumentam a possibilidade de danos duradouros, o que pode comprometer a produção por um período prolongado.
Mesmo que os combates diminuam, a recuperação dessas estruturas não é imediata. Isso significa que a oferta global pode continuar limitada por meses, ou até anos, após o fim da guerra.
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Ainda de acordo com a Al Jazeera, a análise aponta que o mercado global de energia tem pouca capacidade de resposta a curto prazo. A produção de petróleo e gás não pode ser ampliada rapidamente para compensar perdas consideráveis, especialmente após anos de investimentos limitados no setor.
Além disso, alternativas como redirecionamento de rotas ou mudanças nos fornecedores enfrentam limites logísticos. Em muitos casos, não há infraestrutura suficiente para substituir rapidamente o volume perdido nas regiões afetadas pela guerra. Por esse motivo, o Estreito de Ormuz segue mantendo alta importância.
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A guerra de 2026 envolvendo EUA, Israel e Irã expôs uma fragilidade do sistema energético global: a dependência de rotas críticas como o Estreito de Ormuz, cuja interrupção não pode ser compensada como ocorreu em 2022. Com o bloqueio, produtores têm dificuldade para exportar, o que pressiona os preços do petróleo e do gás por mais tempo.
Esse cenário tende a forçar a redução do consumo, afetando principalmente indústrias intensivas em energia e encarecendo o transporte. No curto prazo, a demanda resiste, mas, com o tempo, há impacto no consumo, na mobilidade e na renda das famílias.
Em termos simples, quanto mais duradouro for o conflito e a interrupção do fluxo pelo estreito, maior será o período de pressão sobre os preços do petróleo e do gás. As soluções adotadas em 2022, como diversificação e mudanças logísticas, tendem a ser insuficientes para estabilizar o mercado neste contexto.
A manutenção de custos elevados deve obrigar tanto consumidores quanto empresas a reduzir o uso de energia. Setores intensivos, como petroquímica, fertilizantes, alumínio, siderurgia e cimento, estão entre os mais expostos, devido ao aumento significativo no preço de insumos e combustíveis.
O transporte também sofrerá impactos, ainda que de forma distinta. A elevação do petróleo encarece combustíveis utilizados na aviação, navegação e logística rodoviária, pressionando tarifas de frete e preços de passagens.
Para países do Golfo, a crise também ameaça sua reputação como fornecedores confiáveis, devido às dificuldades de exportação e aos riscos à infraestrutura.
A alta dos preços na energia tende a se espalhar por toda a economia. Custos mais elevados de combustíveis impactam transporte, produção industrial e alimentos, aumentando as pressões inflacionárias em diversos países, como, por exemplo, o Brasil, que depende diretamente dos materiais, já que é uma referência agrícola mundial.
Com isso, a sequência de bombardeios entre os países e ataques diretos a infraestruturas que armazenam ou produzem o petróleo e gás natural impacta diretamente no tempo que levará para que os preços sejam estabilizados.
Nas últimas semanas, o presidente americano Donald Trump tentou realizar uma espécie de comboio para os navios cargueiros que utilizam o Estreito de Ormuz como rota. Apesar do apoio da França, a movimentação não aconteceu até o momento. Por parte do Irã, as ameaças a embarcações que desrespeitarem as regras continuam.
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