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BC vê risco de reação antecipada de juros em economias avançadas com guerra no Oriente Médio
Publicado 26/03/2026 • 11:23 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 26/03/2026 • 11:23 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
O Banco Central avalia que a intensificação do conflito no Oriente Médio dificulta a condução da política monetária em economias avançadas, ao elevar as incertezas sobre inflação e crescimento. No Relatório de Política Monetária do 1º trimestre, a autoridade destaca que a alta das expectativas inflacionárias, dos prêmios de risco e da inclinação da curva de juros pode indicar a necessidade de uma atuação “preemptiva” por parte dos BCs.
O documento ressalta que o conflito adiciona uma incerteza adicional ao cenário prospectivo, especialmente pelo risco de interrupções no fluxo de commodities. O trânsito de matérias-primas pelo Estreito de Ormuz pode ser comprometido, pressionando preços, enquanto a alta recente da energia já elevou as expectativas de inflação, ainda que o repasse ao consumidor varie entre países.
A autoridade monetária pondera que a magnitude e a distribuição desses efeitos dependerão da intensidade e duração do conflito, além da eficácia das respostas de mitigação. Um choque prolongado pode afetar tanto a inflação quanto a atividade econômica, ao limitar a produção de energia e estimular reorganizações defensivas nas cadeias de suprimento.
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O BC destaca ainda que, se a alta dos preços de energia persistir, a forma como esse movimento se transmite para a economia será determinante para a calibragem das políticas fiscal e monetária nos próximos meses. O cenário combina choque de oferta com aumento da incerteza, tornando mais complexa a tomada de decisão.
Desde o início do conflito, houve aumento de “volatilidade, incerteza e aversão a risco nos mercados”, com petróleo, gás e outras commodities em alta e comportamento instável. Caso haja interrupção prolongada no Estreito de Ormuz ou expansão regional da guerra, os impactos podem ser significativos e duradouros.
Os efeitos também tendem a ser desiguais entre regiões. O BC aponta que economias asiáticas, mais dependentes de energia do Golfo Pérsico, podem ser as mais afetadas. Historicamente, a alta de commodities energéticas pressiona os custos de transporte e deteriora expectativas de inflação em diversos setores.
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O relatório lembra que o ciclo de flexibilização monetária já foi concluído ou está próximo do fim em diversas economias avançadas, com algumas delas inclusive diante da possibilidade de elevação de juros ainda neste ano. Nesse contexto, o conflito torna mais difícil a atuação dos BCs, ao exigir atenção aos efeitos secundários de choques persistentes de oferta.
Para as economias emergentes, o Banco Central aponta aumento de riscos, impulsionado tanto pelo conflito quanto por incertezas sobre a política comercial dos Estados Unidos. Esses fatores afetam negativamente atividade, confiança e investimento, além de pressionarem preços e cadeias produtivas.
O BC observa que os indicadores financeiros dessas economias mostraram aperto desde o início do conflito, com destaque para a desvalorização das moedas, ainda que sem atingir níveis de crises anteriores. O movimento reflete, principalmente, fatores globais e a dependência de importações de energia da região.
No mesmo relatório, a autoridade monetária elevou de 23% para 30% a probabilidade de a inflação superar o teto da meta (4,50%) em 2026, enquanto a chance de ficar abaixo do piso caiu de 7% para 2%. Para 2027, a probabilidade de estouro subiu de 16% para 19%, e o BC passou a divulgar estimativas também para 2028.
Com a adoção da meta contínua de inflação a partir de 2025, baseada no IPCA acumulado em 12 meses, o descumprimento do objetivo ocorre caso o índice permaneça fora do intervalo de tolerância por seis meses consecutivos, mantendo o centro da meta em 3%, com margem de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos.
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