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Conflito no Oriente Médio

EUA alertam para escalada rápida após Houthis atacarem Riad pela primeira vez desde retomada do conflito

Publicado 20/09/2026 • 20:30 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • A defesa saudita afirmou ter interceptado o míssil lançado contra Riad.
  • Os Houthis também reivindicaram ataques contra instalações da Saudi Aramco em Yanbu.
  • A escalada aumenta os riscos para exportações de petróleo e para a navegação pelo Mar Vermelho e pelo estreito de Bab al-Mandab.

Foto: AFP

Os Estados Unidos alertaram neste fim de semana que os confrontos entre a Arábia Saudita e os Houthis podem “escalar rapidamente”, após um ataque com míssil contra Riad, o primeiro contra a capital saudita desde a retomada do conflito no Iêmen. A coalizão liderada pela Arábia Saudita afirmou que interceptou o projétil, enquanto os Houthis reivindicaram ataques com mísseis e drones contra alvos na capital e instalações da Saudi Aramco em Yanbu.

O Departamento de Estado americano recomendou que cidadãos dos EUA fora do Oriente Médio reconsiderem seriamente viagens para a região e também restringiu deslocamentos de funcionários do governo americano para Taif e Yanbu, cidade que abriga um importante terminal de exportação de petróleo no Mar Vermelho.

O presidente Donald Trump também interrompeu antecipadamente um fim de semana em Camp David e retornou à Casa Branca. O governo americano não apresentou uma justificativa pública para a mudança de agenda.

Em Riad, explosões foram ouvidas na madrugada de sábado (19), enquanto imagens registraram fumaça nas proximidades do aeroporto. A defesa aérea saudita informou que o míssil balístico foi interceptado. Segundo autoridades sauditas, não houve registro de danos ou vítimas decorrentes do projétil interceptado, embora os Houthis tenham afirmado ter realizado outras operações contra alvos no país.

O porta-voz militar dos Houthis, Yahya Saree, afirmou que o grupo realizou duas operações com “grande número de mísseis balísticos e de cruzeiro e drones”. Segundo ele, uma das ações teve como alvo locais considerados sensíveis em Riad e a outra atingiu instalações da Aramco em Yanbu.

Pressão sobre petróleo e navegação

A escalada ocorre enquanto o conflito já afeta o setor de energia e o transporte marítimo. A Arábia Saudita é um dos principais fornecedores de petróleo do mundo, e ataques contra sua infraestrutura elevam os riscos para exportações e rotas internacionais.

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O estreito de Bab al-Mandab, que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden, ganhou ainda mais importância depois do bloqueio do estreito de Ormuz pelo Irã durante o conflito mais amplo no Oriente Médio. Os Houthis ampliaram nas últimas semanas seu controle sobre áreas do litoral do Iêmen, aumentando a pressão sobre uma das principais rotas do comércio marítimo internacional.

A intensificação dos ataques também afetou os mercados da região. As bolsas do Golfo recuaram neste domingo (20), enquanto investidores acompanharam os riscos para o fornecimento de energia e para a navegação.

A Turquia afirmou estar disposta a atender eventuais necessidades militares da Arábia Saudita dentro de um acordo de defesa firmado com Riad e Paquistão. O chanceler turco, Hakan Fidan, disse que a cooperação pode incluir questões técnicas e militares.

Os Estados Unidos, por sua vez, têm adotado uma postura ambígua diante do conflito. Segundo reportagens citadas pela Reuters, Washington recusou recentemente um pedido saudita para atacar os Houthis, enquanto declarações atribuídas a Trump indicaram que o grupo teria se comprometido a não atacar alvos americanos.

O ataque contra Riad representa uma mudança relevante na dimensão do conflito. Andreas Krieg, da King’s College London, afirmou à AFP que a ameaça à capital ultrapassa um limite psicológico, porque ataques contra aeroportos, estoques de combustível e áreas povoadas tornam mais difícil para a Arábia Saudita manter uma postura de contenção.

Nas últimas semanas, a ofensiva dos Houthis dentro do Iêmen deixou centenas de mortos e deslocou mais de 110 mil pessoas, segundo a ONU. O avanço do grupo e os ataques contra território saudita agora pressionam ainda mais uma região que já enfrenta impactos econômicos e logísticos provocados pelo conflito mais amplo no Oriente Médio.

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