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Bombardeio americano contra ilha iraniana aumenta tensão durante negociações de paz no Oriente Médio
Publicado 03/11/2026 • 08:05 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 03/11/2026 • 08:05 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Os Estados Unidos realizaram nesta terça-feira (03) ataques aéreos contra a ilha iraniana de Qeshm, localizada no Estreito de Ormuz. A operação ocorreu poucas horas depois de o presidente americano, Donald Trump, demonstrar otimismo em relação às negociações para encerrar o conflito com o Irã, iniciado há oito meses.
Segundo o jornal The Wall Street Journal, a ofensiva foi limitada e teve caráter defensivo, conforme relatos de integrantes do governo americano que não tiveram suas identidades reveladas. A imprensa estatal iraniana informou que cinco explosões foram registradas na ilha em um curto intervalo de tempo.
As ações militares não foram anunciadas oficialmente por Washington. De acordo com o jornal, a decisão buscou evitar interpretações de que os Estados Unidos estariam preparando uma retomada das operações de combate em grande escala.
Procurado pela agência AFP, o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), responsável pelas atividades militares americanas no Oriente Médio, não havia se manifestado sobre o episódio.
O conflito começou no fim de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel realizaram uma série de ataques surpresa contra o território iraniano. Apesar da ofensiva inicial, os objetivos militares americanos não foram alcançados, e os confrontos entraram em um período de estagnação.
Desde setembro, houve uma redução das tensões militares. Entretanto, declarações recentes de autoridades americanas e israelenses voltaram a levantar a possibilidade de novas operações contra o Irã.
No sábado, Trump afirmou que ainda precisava lidar com “uma ou duas” instalações nucleares iranianas. O governo de Teerã, que nega desenvolver armamentos atômicos, tem advertido que poderá realizar represálias de grande alcance caso as ofensivas sejam retomadas.
Leia também: Irã alerta que nova guerra com os EUA pode ser mais longa e ameaça ampliar ataques
Apesar da continuidade das ações militares, representantes americanos e iranianos passaram a indicar a possibilidade de uma solução negociada.
Na segunda-feira (02), Trump afirmou, em publicação na rede social Truth Social, que um entendimento com o governo iraniano poderia ser alcançado. Segundo o presidente, Teerã deseja concluir um acordo com rapidez.
O vice-presidente americano, JD Vance, também relatou resultados positivos nas conversas, embora tenha ressaltado que ainda há etapas a serem superadas. “Sem dúvida, conseguimos alguns avanços. Vamos ver se podemos avançar ainda mais”, declarou Vance à imprensa.
Do lado iraniano, o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, confirmou a realização de consultas indiretas relacionadas ao conflito. Ele classificou as discussões como intensas, diante da gravidade da situação.
Nesta terça-feira, o presidente do Parlamento iraniano e principal negociador com Washington, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que seu país está preparado para um eventual agravamento militar, mas optou por apresentar uma resposta diplomática às propostas americanas.
“A bola agora está no campo dos Estados Unidos para evitar a guerra”, declarou Ghalibaf.
Segundo o portal americano Axios, que ouviu fontes dos governos dos Estados Unidos e de Israel, Trump pretende permitir que as negociações continuem. O presidente americano também conversou por telefone com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que defende uma ofensiva militar.
Um dos principais pontos das negociações envolve a circulação marítima pelo Estreito de Ormuz, passagem estratégica para o transporte de petróleo e outros hidrocarbonetos produzidos nos países do Golfo.
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Siga o Times | CNBCO porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, declarou que o país poderia reabrir a rota em até dois dias, desde que os Estados Unidos aceitassem as condições apresentadas por Teerã.
As exigências fazem parte de uma proposta anunciada em setembro, que previa um processo de reabertura ao longo de sete dias. Entre os pontos estabelecidos pelo governo iraniano estão o encerramento da guerra em todas as frentes, a liberação de ativos financeiros iranianos congelados, a retirada das sanções sobre o petróleo do país e o fim do contrabloqueio americano aos portos do Irã.
Trump não aceitou essas condições.
Ainda assim, Baqaei afirmou que a possibilidade de executar o plano em um prazo menor representa, na avaliação do governo iraniano, uma demonstração de disposição para negociar.
Em entrevista à emissora Al Jazeera, no domingo, Araghchi também defendeu que Washington reconheça uma nova rota de navegação pelo estreito, definida em entendimento entre Irã e Omã.
As tentativas de reduzir as tensões também mobilizaram outros países. Na segunda-feira, a China promoveu encontros diplomáticos em Pequim com representantes do Irã e da Arábia Saudita.
Durante as conversas, o ministro chinês das Relações Exteriores, Wang Yi, manifestou apoio ao direito iraniano de proteger sua soberania e segurança.
A posição foi apresentada a Ali Baqeri, subsecretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, conforme comunicado divulgado pelo governo chinês.
A iniciativa ocorre em um momento em que diferentes canais diplomáticos buscam alternativas para interromper os confrontos e estabelecer condições para a retomada da navegação na região.
A continuidade do conflito também tem consequências políticas nos Estados Unidos, que realizam nesta terça-feira eleições de meio de mandato.
As pesquisas mencionadas pela imprensa americana indicam a possibilidade de perdas expressivas para o Partido Republicano. Entre os fatores associados ao descontentamento dos eleitores estão a duração da guerra e a inflação provocada por seus efeitos econômicos.
A perspectiva de um entendimento diplomático também teve reflexos no mercado internacional de energia. Na segunda-feira, os preços do petróleo registraram queda superior a 7%, em meio às notícias sobre uma possível solução para o conflito.
Mesmo com os contatos diplomáticos, as relações entre os dois países continuam marcadas por declarações hostis e advertências militares.
Em Teerã, autoridades iranianas instalaram um grande cartaz com a imagem de Donald Trump e uma ameaça direta ao presidente americano. A mensagem exibida dizia: “Nós vamos matar Trump”.
O episódio ocorre em um contexto de pressão política e militar sobre os governos envolvidos, incluindo a proximidade de eleições consideradas importantes tanto nos Estados Unidos quanto em Israel.
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