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Ilha Kharg responde por 90% do petróleo iraniano exportado e entra no radar da guerra
Publicado 09/03/2026 • 08:14 | Atualizado há 6 horas
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Publicado 09/03/2026 • 08:14 | Atualizado há 6 horas
KEY POINTS
A support vessel maneuvers near the crude oil tanker ‘Devon’ as it sails through the Persian Gulf towards Kharq Island oil terminal to transport crude oil to export markets in Bandar Abbas, Iran, on Mar. 23, 2018.
A ilha Kharg, uma pequena faixa de terra de coral localizada no norte do Golfo Pérsico, a cerca de 25 quilômetros da costa iraniana, permanece intocada pelas forças americanas e israelenses depois de dez dias de guerra. Mas a relativa calma ao redor dela não reflete sua importância: por ali passa cerca de 90% de todo o petróleo exportado pelo Irã.
Com capacidade de carregamento de aproximadamente 7 milhões de barris por dia, a ilha é o coração da indústria petrolífera iraniana. Depois que o tráfego pelo Estreito de Ormuz praticamente parou desde o início do conflito, Kharg tornou-se o ponto de maior atenção dos mercados globais de energia.
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Para Petras Katinas, pesquisador de clima, energia e defesa do RUSI, instituto de defesa com sede em Londres, tomar a ilha “cortaria o cordão umbilical do petróleo iraniano”, fonte de receita indispensável para o regime.
“Com o transporte pelo Estreito de Ormuz paralisado, o Irã não consegue vender petróleo de qualquer forma. Mas, olhando adiante, a tomada da ilha daria aos EUA alavancagem nas negociações, independentemente de qual regime estiver no poder após o fim da operação militar”, disse Katinas à CNBC por e-mail.
O presidente Donald Trump pode ser tentado a ordenar a tomada de Kharg por ao menos três razões, segundo Marc Gustafson, ex-chefe da Sala de Situação da Casa Branca, que serviu sob os presidentes Trump, Joe Biden e Barack Obama. A operação representaria uma vitória de imagem para Trump, ofereceria às tropas americanas uma barreira natural contra o continente iraniano e se encaixaria na lógica de pressão máxima sobre Teerã.
Gustafson, hoje diretor sênior de análise do Eurasia Group, adverte que qualquer operação do tipo seria repleta de riscos. A tomada da ilha exigiria tropas americanas no solo e provavelmente transformaria Kharg em alvo de drones iranianos por várias semanas. Há ainda o risco de o próprio Irã sabotar o oleoduto que abastece a ilha.
O analista Tamas Varga, da corretora PVM, também avalia que uma eventual ocupação americana de Kharg seria comparável à intervenção dos EUA na Venezuela no início do ano, quando Washington assumiu o controle do setor petrolífero venezuelano.
“Embora possa sugerir a retomada das exportações iranianas de petróleo, sob supervisão americana e apenas se o Estreito reabrir, a ilha continuaria vulnerável a ataques de drones a partir do território iraniano. Uma ocupação americana complicaria ainda mais uma situação já complexa”, disse Varga à CNBC.
Os ataques americanos e israelenses do fim de semana atingiram depósitos de combustível e instalações petrolíferas no Irã, incluindo o depósito de Shahran, em Teerã, sinalizando uma nova fase do conflito. Com isso, o Brent chegou a subir quase 16%, a US$ 107,18 por barril na manhã desta segunda-feira. O WTI avançou 12,5%, a US$ 102,10.
Jan van Eck, presidente-executivo da VanEck Funds, havia alertado sobre Kharg ainda no início do mês. “É por onde 90% do petróleo iraniano é exportado. Se Trump seguir o mesmo roteiro que usou na Venezuela, ele vai querer esse ponto de pressão daqui para frente”, disse Van Eck à CNBC.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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