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Irã diz estar disposto a encerrar guerra, mas condiciona acordo a garantias de segurança
Publicado 31/03/2026 • 23:02 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 31/03/2026 • 23:02 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
O presidente do Irã, Masud Pezeshkian
O presidente do Irã, Masud Pezeshkian, afirmou que o país tem a “vontade necessária” para encerrar a guerra com Estados Unidos e Israel, mas condiciona qualquer acordo a garantias de que o conflito não volte a ocorrer.
A declaração ocorre em meio à escalada de tensões e após críticas do presidente Donald Trump a aliados europeus, incluindo o Reino Unido, por não se envolverem mais diretamente no conflito, além de ameaças de ampliar ataques caso não haja avanço nas negociações.
O posicionamento iraniano foi divulgado após um dia de intensos bombardeios sobre o território, além de alertas dos Guardiões da Revolução, que ameaçaram atingir grandes empresas de tecnologia dos Estados Unidos no Oriente Médio, como Google, Meta e Apple, caso novos líderes iranianos sejam mortos.
Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel lançaram uma série de ataques aéreos, diversos altos dirigentes iranianos foram mortos, incluindo integrantes da cúpula do regime.
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Mesmo com esforços diplomáticos, a guerra já ultrapassa um mês sem sinais de distensão, com impactos sobre a economia global e milhares de vítimas.
O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou que os próximos dias serão “decisivos”, destacando que as negociações com o Irã “estão ganhando força”.
Pezeshkian reiterou sua posição durante conversa telefônica com o presidente do Conselho Europeu, Antonio Costa. “Temos a vontade necessária para pôr fim a este conflito, desde que sejam cumpridas condições essenciais, especialmente garantias para evitar nova agressão”, afirmou.
Do lado americano, Trump elevou o tom ao ameaçar atacar instalações energéticas iranianas caso não haja avanço nas negociações “rapidamente”, além de exigir a reabertura imediata do Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de um quinto dos hidrocarbonetos mundiais.
Leia também: Por que EUA e Israel bombardearam mais de 70 instalações policiais no Irã
Na terça-feira, novos ataques atingiram regiões do Irã, incluindo Isfahan e Teerã, onde foram ouvidas explosões e houve acionamento das defesas aéreas. Também foram registrados danos em um centro religioso xiita em Zanján.
Moradores de Teerã relatam o impacto da guerra no cotidiano, marcado por medo e restrições. “Tenho ficado quase sempre em casa e só saio quando é absolutamente necessário”, disse Shahrzad, de 39 anos.
“Às vezes me pego chorando no meio de tudo isso. Sinto falta dos dias normais”, afirmou.
Leia também: Irã ataca instalações dos EUA no Bahrein e nos Emirados e declara bases americanas inseguras no Golfo
Mesmo sob bombardeios, o Irã segue respondendo militarmente, com ataques contra Israel e aliados dos Estados Unidos no Golfo, contando com o apoio do Hezbollah, no Líbano, e dos rebeldes houthis, no Iêmen.
Um jornalista relatou ter ouvido ao menos 10 explosões em Jerusalém, após alerta de mísseis iranianos. Também houve explosões em Dubai, enquanto um drone interceptado deixou dois feridos próximos a Riad, na Arábia Saudita.
A estatal de petróleo do Kuwait informou que um de seus petroleiros foi atingido e chegou a pegar fogo próximo a Dubai após um “ataque iraniano direto”.
Caso as negociações fracassem, Trump avalia pressionar aliados da Europa e do Golfo a forçarem a reabertura do Estreito de Ormuz.
Leia também: EUA dizem que guerra pode escalar sem acordo com o Irã e apontam próximos dias como decisivos
Na direção oposta, o Parlamento iraniano aprovou proposta para cobrar pedágio de embarcações e proibir a passagem de navios dos Estados Unidos e de Israel, segundo a imprensa estatal.
O conflito já se expandiu para outros países da região. No Líbano, o grupo Hezbollah intensificou ataques contra Israel em apoio ao Irã.
O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou que o país pretende ocupar parte do sul do Líbano após o fim da guerra, o que foi classificado pelo governo libanês como uma nova “ocupação”.
Diante da escalada, o Conselho de Segurança da ONU convocou uma reunião de emergência após a morte de três capacetes azuis indonésios no Líbano. Segundo fontes, um dos militares foi atingido por fogo israelense.
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