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Navio no Estreito de Ormuz

Irã acusa Trump de “diplomacia teatral”; tráfego no Estreito de Ormuz está praticamente paralisado

Conflito no Oriente Médio

Irã apresenta lista de exigências e condiciona reabertura de Ormuz a retirada militar dos EUA na região; movimento despenca neste sábado

Publicado 08/08/2026 • 15:43 | Atualizado há 56 minutos

KEY POINTS

  • Irã exige fim do bloqueio naval, sanções e retirada militar dos EUA para reabrir o estreito de Ormuz
  • Tráfego em Ormuz cai para pouco mais de uma dúzia de navios por dia, ante média de 130 antes da guerra
  • Zolghadr diz que Conselho de Segurança do Irã nunca recuará em negociações sobre o estreito
ormuz

Um funcionário de alto escalão da área de segurança nacional do Irã apresentou, neste sábado (8), uma lista de exigências que, segundo ele, os Estados Unidos precisam cumprir antes que o estreito de Ormuz volte a ser aberto ao tráfego marítimo, o que lança dúvida sobre o futuro dessa rota usada pelo comércio internacional de petróleo.

Segundo a imprensa iraniana e o New York Times, Mohammad Bagher Zolghadr, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, divulgou comunicado veiculado pela mídia estatal com as condições para a reabertura.

Ele exigiu que os EUA suspendam o bloqueio naval e as sanções contra o Irã, retirem forças militares das proximidades do país, paguem reparações de guerra e liberem ativos iranianos congelados, além de encerrarem ataques a aliados do Irã na região e ameaças contra o país.

Leia também: Acordo sobre o Estreito de Ormuz entre Irã e Omã está próximo, diz agência iraniana

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Exigências do Irã
Condições para reabertura do estreito de Ormuz

01
Fim do bloqueio naval
Retirada das forças militares dos EUA das águas e do espaço aéreo ao redor do Irã.

02
Suspensão das sanções
Fim total das sanções contra o Irã, incluindo as impostas sobre o petróleo iraniano.

03
Reparações de guerra
Pagamento pelos EUA das perdas causadas por duas guerras impostas ao Irã.

04
Liberação de ativos congelados
Devolução incondicional dos ativos iranianos congelados ou apreendidos pelos EUA.

05
Fim das ações contra aliados regionais
Interrupção permanente de operações contra aliados do Irã no Líbano, na Palestina, no Iêmen e no Iraque.

06
Fim das ameaças contra o Irã
Encerramento do uso do território e dos corredores do país como passagem para ameaças ao Irã.

Fontes: IranPress e The New York Times, em reportagem publicada pela Folha de S.Paulo

Irã lista condições para reabrir estreito de Ormuz

De acordo com a agência iraniana IranPress, Zolghadr detalhou ainda que as guerras e ações contra o Irã e seus aliados no Líbano, na Palestina, no Iêmen e no Iraque precisam terminar de forma permanente. Ele afirmou que o Irã não permitirá que seu território ou corredores estratégicos sejam usados como passagem segura para ameaças contra valores nacionais e religiosos do país.

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Ainda segundo a agência, Zolghadr classificou as exigências como demandas do povo iraniano, em referência à presença da população nas ruas durante 36 dias de guerra, e disse que o Conselho Supremo de Segurança Nacional nunca recuará, seja na guerra, seja nas negociações.

Governo Trump deve rejeitar exigências iranianas

Conforme a reportagem do Times, é improvável que o governo Trump aceite essas condições.

Um cessar-fogo anterior entre Irã e EUA, fechado em junho por meio de um memorando de entendimento mediado por negociadores paquistaneses em Islamabad, previa que as sanções só seriam totalmente suspensas caso houvesse um acordo definitivo sobre o programa nuclear do Irã. Autoridades americanas afirmaram que Teerã só teria acesso aos recursos congelados após se comprometer a abrir mão de seu urânio enriquecido.

O acordo de junho também previa a reabertura do estreito e a suspensão temporária das sanções sobre o petróleo iraniano, mas a linguagem do texto era vaga, e EUA e Irã divergiam sobre sua interpretação. Os EUA passaram a apoiar uma rota ao sul para os navios, próxima à costa de Omã e fora das águas iranianas, e o Irã reagiu advertindo e atacando embarcações que usaram esse trajeto. O cessar-fogo entrou em colapso, e os EUA restabeleceram o bloqueio naval aos portos iranianos.

O comunicado de Zolghadr foi divulgado enquanto Irã e Omã negociam um acordo sobre a futura gestão do estreito de Ormuz, situado entre os dois países. O Irã bloqueou a via em retaliação a ataques sofridos dos EUA e de Israel em fevereiro. A lista de exigências frustrou expectativas de que um entendimento com Omã permitiria a retomada do comércio pelo estreito e aliviaria preços globais de energia, cenário que pode pressionar o presidente Donald Trump antes das eleições legislativas de meio de mandato, em novembro.

Tela do site marinetraffic apontando dezenas de navios ‘parados’ antes da entrada do estreito de Ormuz às 15h40 (Brasília)

Tráfego marítimo despenca em Ormuz durante o conflito

Segundo dados da Kpler, empresa de dados marítimos, pouco mais de uma dúzia de navios por dia atravessou o estreito na última semana. Antes da guerra, a média diária era de 130 embarcações. Para evitar detecção pelas forças iranianas ou americanas que impõem bloqueios na região, alguns navios desligaram os transponders que transmitem sua localização, o que dificulta uma contagem precisa das travessias.

Neste sábado, o Ministério das Relações Exteriores dos Emirados Árabes afirmou que um ataque iraniano atingiu um navio-tanque da estatal Abu Dhabi National Oil enquanto ele cruzava o estreito. A empresa já havia informado, na sexta-feira (7), que ao menos 15 de suas embarcações foram atacadas na via marítima desde o início do conflito, resultando na morte de um tripulante e em ferimentos em outros 20.

Mesmo antes do comunicado de Zolghadr, autoridades iranianas já indicavam neste sábado que a reabertura não era iminente. Hossein Mohebbi, porta-voz da Guarda Revolucionária do Irã, disse à agência Tasnim que a reabertura não está condicionada às negociações entre Irã e Omã, mas sim à plena aceitação das condições do Irã pelos EUA, sem detalhar quais seriam.

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