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Retomada das tensões no Estreito de Ormuz pode redesenhar busca por rotas alternativas de energia
Publicado 08/07/2026 • 18:52 | Atualizado há 3 meses
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Publicado 08/07/2026 • 18:52 | Atualizado há 3 meses
KEY POINTS
A nova escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã teve início com ataques a navios comerciais no Estreito de Ormuz. A reação de Washington reacende o temor de novos impactos sobre energia, inflação e mercados globais.
Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, o professor de economia do IBMEC de São Paulo, Alexandre Pires, disse que o risco “já está precificado”. Para ele, o mercado vê que a rota não é mais estável e segura.
“Os preços não voltaram ao patamar de US$ 60, pré-conflito. O mercado sabe que aquela área continua ameaçada no seu funcionamento”, afirma.
O professor chamou a atenção para o detalhe de que os ataques recentes aos petroleiros não ocorreram em águas iranianas, mas sim na área de Omã, país que também controla metade do estreito. Na avaliação de Alexandre Pires, isso significa que os Estados Unidos não conseguem estabilizar a região.
Sobre a possibilidade de uma negociação de fim do confronto, mesmo diante da postura de Donald Trump de recusar diálogo com o Irã, o economista relembrou o padrão de comportamento atribuído ao presidente americano. Segundo ele, existe “um certo timing” para as ameaças.
“Em algum momento ele tem que agir para que a palavra dele continue tendo um poder de afiançar as negociações. É provável, sim, uma escalada, ainda que momentânea, desses ataques. Se não, vira ‘aquela coisa’ da bravata”, diz.
Diante da percepção consolidada de que o Estreito de Ormuz deixou de ser uma rota confiável para o comércio internacional de petróleo, o professor projeta um movimento de reforço nos oleodutos como alternativa estrutural.
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Siga o Times | CNBCEle lembra que a Península Arábica já conta com infraestrutura de dutos controlada pela Arábia Saudita, mas com capacidade limitada a 6 milhões de barris por dia. Um volume considerado inferior ao que tradicionalmente escoava pelo estreito, responsável por cerca de 20% das exportações mundiais de petróleo.
Segundo o economista, países com grande capacidade financeira, como o Catar, tendem a investir na ampliação dessa infraestrutura diante da desconfiança consolidada em relação à rota marítima, mesmo com os Estados Unidos reafirmando publicamente que o estreito continuará navegável.
Outro movimento estratégico apontado é o de Pequim, que já negocia condições mais vantajosas com o Kremlin. “A China está investindo em oleodutos. Inclusive, tenta negociar com a Rússia uma diminuição do preço do petróleo. Com a Rússia, ela conseguiria escoar a commodity, o produto de outros locais”, explica.
Ainda segundo Alexandre Pires, a histórica dependência do petróleo e gás russos pela Europa pode seguir caminho semelhante, ampliando conexões com regiões produtoras alternativas, por meio da capacidade de exportação de gás americana, reforçada desde o início do conflito na Ucrânia.
O novo papel estratégico do petróleo diante do avanço tecnológico coloca um peso ainda maior sobre os entraves causados pelo estrangulamento do fornecimento da commodity.
“Com inteligência artificial consumindo uma enorme quantidade de energia, o petróleo não é mais um assunto para ‘andar de carro’. É um assunto para você competir na fronteira tecnológica”, finaliza.
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