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Mercado espera normalização gradual de Ormuz após acordo entre EUA e Irã
Publicado 16/06/2026 • 14:40 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 16/06/2026 • 14:40 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
O acordo entre Estados Unidos e Irã para encerrar o conflito no Oriente Médio trouxe alívio aos mercados e aumentou as expectativas de retomada do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas energéticas do mundo. Para Guilherme Lenz, executivo do Fiorde Group e da Barter Trading, embora o entendimento represente uma redução importante dos riscos imediatos, ainda há incertezas que podem atrasar a normalização completa da região.
“Esse anúncio do acordo traz uma redução do risco pontual. A longo prazo, ainda existem outras pautas que não se sabe ao certo quais são os pontos que o acordo contempla, como a governança do próprio Estreito de Ormuz, o programa nuclear do Irã e outras questões geopolíticas envolvendo Irã e Estados Unidos”, afirmou o executivo nesta terça-feira (16) em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
Segundo Lenz, mesmo com a sinalização de abertura da rota marítima, a retomada das operações dependerá de uma série de fatores, incluindo inspeções de segurança, definição sobre sanções econômicas e a adesão do governo iraniano aos termos negociados.
“Ainda não se tem certeza sobre esses 60 dias mencionados por Donald Trump, justamente porque será necessária uma varredura de segurança na área, além de definições sobre sanções e sobre a aceitação dessas movimentações por parte do governo iraniano”, explicou.
estreitoLeia também: Trump: Estreito de Ormuz estará totalmente aberto em até 60 dias
O especialista destacou que a confiança dos armadores e das seguradoras será determinante para o retorno do fluxo normal de embarcações na região, especialmente após meses de interrupções e riscos operacionais.
Para Lenz, o bloqueio de Ormuz é apenas mais um capítulo de um processo mais amplo de reorganização das cadeias globais de suprimentos, iniciado durante a pandemia e intensificado por conflitos geopolíticos recentes.
“Toda essa reorganização envolve estratégias como o friendshoring, que busca produzir em locais mais seguros e competitivos, e o nearshoring, que aproxima a produção dos mercados consumidores. As empresas também passaram a diversificar seus fornecedores para reduzir riscos”, afirmou.
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Ele observou que muitas companhias deixaram de depender exclusivamente da China e passaram a buscar fornecedores em países como México, Índia, Brasil e mercados africanos. Além disso, houve mudanças nos modelos de gestão de estoque.
“Antes se comprava pensando no preço. Hoje é necessário comprar pensando no risco geopolítico e em todo o contexto logístico internacional. Isso faz parte de uma nova gestão de risco adotada pelas empresas”, ressaltou.
Na avaliação do executivo, o Brasil pode se beneficiar desse movimento ao se posicionar como parceiro confiável para países que buscam diversificar suas cadeias de suprimentos.
Outro fator acompanhado pelo mercado é o impacto da crise sobre os custos de transporte marítimo. Segundo Lenz, os últimos meses foram marcados pela aplicação recorrente de sobretaxas emergenciais nos fretes internacionais em função dos riscos associados ao conflito.
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Seguir no Google“Semanalmente o frete está sendo atualizado e estamos vendo aplicações de GRI, que são taxas emergenciais aplicadas em situações de conflito”, explicou.
Apesar das dúvidas sobre eventuais cobranças futuras para a passagem pelo Estreito de Ormuz, o executivo acredita que o cenário mais provável é de redução gradual dos custos logísticos.
“O cenário-base que temos hoje é que o custo tende a se manter no curto prazo, mas, nos próximos meses, considerando a redução do preço do barril de petróleo e uma maior estabilidade no Estreito de Ormuz, a tendência é de queda do frete”, concluiu.
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