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Conflito no Oriente Médio

Reabertura de Ormuz pode levar tráfego marítimo à metade dos níveis pré-guerra em um mês

Publicado 15/06/2026 • 21:50 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Número de navios cruzando o Estreito de Ormuz pode atingir cerca de 50% dos níveis anteriores ao conflito caso acordo entre EUA e Irã seja implementado.
  • Há cerca de 118 petroleiros retidos no Golfo Pérsico que poderão deixar a região em até 15 dias, segundo a Kpler.
  • Apesar do otimismo, o setor de transporte marítimo alerta que o risco de minas e ataques ainda torna a navegação na região altamente perigosa.

O tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz pode alcançar quase 50% dos níveis registrados antes da guerra em até um mês caso o acordo entre Estados Unidos e Irã seja implementado sem grandes contratempos, afirmaram analistas da empresa de dados comerciais Kpler nesta segunda-feira (15).

Washington e Teerã devem assinar um acordo na sexta-feira, na Suíça, que prevê a reabertura de Ormuz e o fim do bloqueio naval americano ao Irã.

Segundo a Kpler, o número de embarcações transitando pelo estreito pode subir para 40 navios por dia, ante cerca de 100 travessias diárias registradas antes dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã em 28 de fevereiro. Antes de o Irã iniciar ataques contra petroleiros no início de março, aproximadamente 20% do petróleo global passava pela rota.

Saída de navios retidos

Os primeiros navios a atravessar Ormuz deverão ser aqueles que permanecem retidos no Golfo Pérsico já totalmente carregados, afirmaram os analistas.

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A Kpler estima que existam atualmente 118 petroleiros na região que poderão deixar o Golfo em até 15 dias.

Segundo a consultoria, o aumento inicial do tráfego será impulsionado pela saída dessas embarcações acumuladas e não deve ser interpretado como uma expansão permanente do fluxo marítimo.

A principal questão para o mercado será quantos navios voltarão a entrar no Golfo após a normalização dessa fila de espera.

Retorno gradual

Há um grande número de embarcações aguardando a reabertura de Ormuz no Golfo de Omã e no Mar Arábico, afirmou Matt Wright, principal analista de fretes da Kpler.

Segundo ele, o número de petroleiros entrando no Golfo Pérsico poderá atingir 12 embarcações por dia, o equivalente a cerca de 50% dos níveis pré-guerra, durante os primeiros 30 dias após a implementação do acordo entre EUA e Irã.

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Wright afirmou que empresas mais cautelosas deverão observar inicialmente como ocorrerão as primeiras travessias antes de retomar suas operações na região.

Segundo o analista, armadores considerarão voltar ao Golfo caso não ocorram ataques a navios e não sejam encontradas minas na rota. Ele acrescentou que os custos dos seguros tendem a cair à medida que as embarcações retomarem as viagens.

A companhia de transporte de petróleo Frontline acredita que “os navios começarão a se mover muito rapidamente assim que o acordo for assinado”, afirmou o CEO Lars Barstad à CNBC.

A Frontline opera 80 embarcações em todo o mundo e possui cinco petroleiros atualmente retidos no Golfo.

Divergências sobre o acordo

Apesar do cenário positivo, ainda existem riscos que podem comprometer a reabertura de Ormuz.

Estados Unidos e Irã parecem ter interpretações diferentes sobre alguns pontos do acordo.

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A imprensa estatal iraniana informou que os navios poderão atravessar o estreito por 60 dias sem pagamento de tarifas. Após esse período, o Irã e Omã passariam a administrar a passagem, segundo a agência estatal Tasnim.

Já o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, afirmou à CNBC nesta segunda-feira que a expectativa americana é que Ormuz permaneça livre de tarifas no longo prazo.

Risco de minas preocupa setor

Ainda não está claro qual é o tamanho da ameaça representada por minas marítimas para os navios que pretendem atravessar o estreito.

O presidente Donald Trump minimizou o problema, mas o secretário de Estado Marco Rubio declarou ao Congresso neste mês que o Irã instalou minas em grandes áreas da passagem marítima.

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O grupo internacional de transporte marítimo Bimco alertou nesta segunda-feira que “a ameaça de minas na região continua sendo uma preocupação”.

A entidade também recomendou cautela às embarcações, destacando que a situação de segurança permanece de alto risco.

“Devido à falta de detalhes e ao histórico de garantias excessivamente otimistas, acreditamos que o cenário de segurança para a indústria de navegação continua volátil e ainda consideramos muito arriscado que navios retomem as travessias neste momento”, afirmou Jakob Larsen, diretor de segurança da Bimco.

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