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Petróleo recua após anúncio de acordo entre EUA e Irã, mas mercado ainda teme instabilidade em Ormuz
Publicado 15/06/2026 • 10:47 | Atualizado há 5 meses
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Publicado 15/06/2026 • 10:47 | Atualizado há 5 meses
KEY POINTS
O anúncio de um memorando de entendimento entre Estados Unidos e Irã trouxe alívio inicial aos mercados globais, reduzindo as preocupações com interrupções no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz. No entanto, segundo o especialista em transição energética Marcos Szutan, ainda há muitas incertezas sobre a efetiva implementação do acordo e seus impactos de longo prazo sobre a economia mundial.
Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC nesta segunda-feira (15), Szutan destacou que o mercado inicialmente reagiu de forma positiva à sinalização feita pelo presidente Donald Trump, mas passou a reavaliar o cenário à medida que surgiram mais detalhes sobre o entendimento. “A grande pergunta agora que o mercado está fazendo não é mais se vai ter acordo, mas se o acordo vai segurar”, afirmou.
Segundo o especialista, o documento anunciado ainda não foi formalmente assinado e enfrenta resistências políticas internas no Irã. Além disso, versões distintas dos termos estariam circulando entre autoridades americanas e iranianas.
Leia também: Irã diz que taxas marítimas no Estreito de Ormuz foram incluídas no acordo com os EUA na última hora
“Mesmo esse acordo preliminar ainda não está 100% consolidado”, disse Szutan. Ele lembrou que o entendimento prevê uma janela de 60 dias para a negociação dos termos definitivos e que a normalização das operações no estreito dependerá de uma série de medidas logísticas.
“Tem a questão das minas que precisam ser retiradas e da infraestrutura que foi impactada. Os efeitos reais para a reestabilização do mercado de petróleo ainda vão levar um tempo para serem vistos”, explicou.
O especialista ressaltou que, mesmo em um cenário favorável, a plena recuperação das operações na região pode se estender até 2027.
A crise envolvendo Ormuz também acelerou a busca global por rotas alternativas de abastecimento energético. Segundo Szutan, esse movimento beneficiou diretamente o Brasil. “O Brasil cresceu muito a exportação de petróleo para a China neste primeiro trimestre. Em março, a China chegou a representar 65% das exportações brasileiras de petróleo”, afirmou.
Para ele, a diversificação das fontes de suprimento tende a continuar nos próximos anos, assim como os investimentos em fontes renováveis de energia. “Num processo de mais longo prazo, você pode pensar em fontes renováveis para diminuir a dependência do petróleo, que continuará muito concentrado no Oriente Médio”, destacou.
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Siga o Times | CNBCSzutan avalia que a recente alta dos preços dos combustíveis teve papel importante na inflação observada nos Estados Unidos, embora os núcleos inflacionários tenham permanecido relativamente estáveis.
“Os combustíveis na bomba subiram e isso gerou um aumento de preços, mas o núcleo da inflação, que exclui alimentos e combustíveis, ficou praticamente estável”, observou.
Segundo ele, o acordo preliminar reduz parte da pressão sobre os preços da energia, o que pode favorecer uma postura mais cautelosa dos bancos centrais. “A expectativa é que, com esse memorando de entendimento, os juros permaneçam estáveis por enquanto. Mas, se o acordo não for cumprido e o fluxo de petróleo não for normalizado, a pressão inflacionária continuará elevada”, afirmou.
O especialista citou ainda a decisão recente do Banco Central Europeu (BCE) de elevar juros diante da expectativa de inflação mais alta no continente.
Com reuniões de política monetária previstas nesta semana em economias como Estados Unidos, Brasil, Japão e Reino Unido, Szutan acredita que a tendência é de cautela. “Boa parte dos bancos centrais que não estiver pressionada por números elevados de inflação vai esperar para ver o que acontece”, disse.
Na avaliação dele, iniciar um ciclo de alta ou de queda de juros e revertê-lo rapidamente aumentaria a volatilidade dos mercados.
“Essa expectativa de acordo deve refletir numa pausa das decisões dos bancos centrais. Conforme o tempo avance e as medidas sejam implementadas ou não, isso poderá retomar um viés de alta ou até permitir cortes de juros em alguns países”, concluiu.
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