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Disputa por rotas estratégicas em Ormuz está ligada à competição tecnológica entre EUA e China
Publicado 14/07/2026 • 17:06 | Atualizado há 3 meses
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Publicado 14/07/2026 • 17:06 | Atualizado há 3 meses
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A tensão no Estreito de Ormuz produz impactos que vão muito além do mercado de petróleo, afirmou José Niemeyer, economista e professor de Relações Internacionais do Ibmec-RJ, em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, nesta terça-feira (14). Segundo ele, a instabilidade na região afeta o comércio internacional, pressiona a inflação e influencia as decisões de investidores ao redor do mundo.
“A crise no Estreito de Ormuz envolve três dimensões econômicas: a economia real, a macroeconomia e as finanças internacionais. É a prova de que a guerra impacta toda a economia global”, afirmou.
Niemeyer explicou que qualquer instabilidade na principal rota de escoamento de petróleo do Oriente Médio afeta diretamente custos de logística, fretes, seguros internacionais e o comércio exterior. Na avaliação dele, esses fatores acabam pressionando preços em diversos países.
“Problemas no estreito elevam o custo dos produtos importados e exportados, pressionam a inflação e afetam economias como a dos Estados Unidos e também a do Brasil”, disse.
Segundo o professor, embora o Brasil seja um grande produtor de petróleo, a economia nacional também sente reflexos das oscilações nos preços internacionais dos combustíveis. Ao mesmo tempo, alguns exportadores acabam sendo beneficiados.
“A Rússia, por exemplo, consegue ampliar exportações de petróleo para a China em momentos de maior instabilidade na região”, observou.
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Para Niemeyer, as recentes declarações do presidente Donald Trump sobre o Estreito de Ormuz estão diretamente relacionadas ao ambiente político interno dos Estados Unidos. Segundo ele, a estratégia da Casa Branca considera o impacto das decisões sobre o eleitorado republicano.
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Siga o Times | CNBC“O governo Trump toma muitas decisões olhando para a política doméstica e para a manutenção de sua base de apoio. Isso influencia também sua atuação na política internacional”, afirmou.
Na avaliação do economista, questões como inflação, déficit público e perspectivas eleitorais acabam se misturando às decisões envolvendo segurança internacional e comércio exterior.
“Os Estados Unidos vivem hoje um cenário em que economia, política interna e geopolítica estão completamente interligadas”, disse.
Niemeyer também destacou que a importância estratégica do Estreito de Ormuz vai além do petróleo. Segundo ele, o gás natural transportado pela região é essencial para a indústria tecnológica chinesa, que depende desses insumos para manter sua capacidade produtiva.
Leia também: Tráfego no Estreito de Ormuz cai a mínima enquanto Irã ironiza pedágio de Trump
“A China precisa desses recursos para sustentar sua indústria de alta tecnologia, responsável pela produção de chips, infraestrutura digital e sistemas ligados à inteligência artificial”, explicou.
O professor acredita que a crescente disputa entre Estados Unidos e China tende a tornar a tecnologia o principal eixo da competição internacional nas próximas décadas. Nesse cenário, rotas estratégicas como Ormuz passam a ter importância ainda maior.
“Se houver uma nova Guerra Fria, ela será baseada principalmente na disputa tecnológica entre Estados Unidos e China. O controle dessas cadeias será cada vez mais decisivo”, concluiu.
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