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Entenda como petróleo mais caro deve pressionar inflação e adiar queda dos juros
Publicado 01/06/2026 • 12:11 | Atualizado há 34 minutos
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Publicado 01/06/2026 • 12:11 | Atualizado há 34 minutos
KEY POINTS
A alta do petróleo provocada pelas tensões no Oriente Médio já está sendo incorporada pelos investidores como um risco estrutural e tende a dificultar a trajetória de queda da inflação e dos juros no Brasil. A avaliação é de Rafael Schiozer, professor de Finanças da Fundação Getulio Vargas (FGV-SP), que vê o mercado precificando uma ameaça mais duradoura envolvendo o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de transporte de petróleo.
Segundo o especialista, antes do agravamento do conflito, o barril de petróleo era negociado entre US$ 60 e US$ 65 (R$ 303,60 e R$ 328,90). Com a escalada das tensões, a cotação chegou a superar US$ 100 (R$ 506,00) e, mesmo após o recuo recente, permanece em torno de US$ 85 (R$ 430,10). “Parece que os investidores passaram a precificar um risco praticamente permanente ali que vai existir no Estreito de Ormuz”, afirmou em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, nesta segunda-feira (1).
Para Schiozer, o valor atual do petróleo mostra que parte relevante do mercado acredita que a instabilidade geopolítica continuará influenciando os preços da energia por um período prolongado. “Comparado com o preço anterior de US$ 60 a US$ 65 o barril, esse preço de hoje é quase 20% maior do que no início do ano”, destacou.
Leia também: Guerra com Irã dá novo impulso a combustível de aviação produzido na Europa sem petróleo
Embora considere que a economia mundial ainda consiga absorver preços na faixa atual, o professor alerta que uma eventual interrupção mais severa do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz teria consequências mais amplas para o crescimento global.
“O preço de US$ 80 ou US$ 85 o barril é um preço que a economia global aguenta sem sofrer muito em termos de crescimento”, afirmou. Por outro lado, ele ponderou que uma escalada do conflito mudaria esse cenário. “Se o conflito voltar a se exacerbar, se o estreito fechar de maneira mais definitiva, aí a gente vai ter impacto sobre o crescimento claramente”, disse.
No caso brasileiro, Schiozer avalia que o país conseguiu reduzir parte dos efeitos da disparada dos preços internacionais por meio de medidas adotadas pelo governo. “O Brasil tomou algumas medidas para mitigar a alta do preço aqui, redução de impostos, especialmente sobre diesel. Isso mitigou e diminuiu o impacto da alta sobre a inflação”, explicou.
Leia também: exportações de petróleo pelo Estreito de Ormuz podem nunca voltar aos níveis pré-guerra com o Irã
Ainda assim, ele ressalta que os efeitos não desaparecem completamente. “Vai ter algum impacto sobre a inflação, não tem como achar que não”, afirmou.
De acordo com o professor da FGV, a pressão inflacionária decorrente dos combustíveis acaba influenciando diretamente as decisões de política monetária.
“Isso dificulta também a tarefa do Banco Central de baixar juros”, afirmou. Segundo ele, a expectativa de redução da taxa básica de juros ficou menos otimista diante do novo cenário internacional. “Os juros devem baixar menos do que a gente achava que iam baixar lá no início do ano, menos e mais lentamente”, acrescentou.
O especialista observa que, apesar da relevância do petróleo, o peso da commodity sobre a atividade econômica global é menor do que em décadas passadas, o que ajuda a explicar a resiliência observada nos mercados internacionais mesmo diante da guerra.
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“O petróleo hoje é muito menos importante do que já foi há 15, 20, 30 ou 40 anos”, afirmou.
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Seguir no GoogleAo comentar a recente redução de R$ 0,35 por litro no preço do diesel anunciada pela Petrobras para as distribuidoras, Schiozer afirmou que medidas temporárias podem ser justificáveis em momentos de forte volatilidade, mas alertou para os custos de uma estratégia permanente de subsídios.
“Choques transitórios e de curto prazo, de dois, três ou quatro meses, justificam intervenções ou reduções de impostos”, disse.
Para ele, no entanto, a manutenção desse tipo de política por períodos prolongados traz riscos para as contas públicas. “No longo prazo isso não é viável, ficar subsidiando o tempo todo”, afirmou.
O professor acrescentou que, com a acomodação recente dos preços internacionais, o governo deveria avaliar uma retirada gradual dessas medidas. “Talvez seja a hora de começar a retirar essas subvenções”, disse. Ainda assim, reconheceu que fatores políticos podem influenciar o ritmo dessa decisão. “É óbvio que, em ano eleitoral, é muito difícil retirar subsídios”, concluiu.
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