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Guerra com Irã dá novo impulso a combustível de aviação produzido na Europa sem petróleo
Publicado 31/05/2026 • 09:32 | Atualizado há 58 minutos
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Publicado 31/05/2026 • 09:32 | Atualizado há 58 minutos
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O fechamento do Estreito de Ormuz durante a guerra envolvendo o Irã está levando governos e empresas europeias a reavaliar a dependência energética do continente e pode acelerar investimentos em um combustível sustentável para aviação produzido inteiramente na Europa. O setor, que vinha enfrentando dificuldades para atrair recursos e expandir a produção, vê na crise uma oportunidade para ganhar relevância estratégica.
Conhecido como e-SAF, o combustível sintético para aviação é fabricado a partir de hidrogênio e CO2, sem uso de petróleo, e passou a ser visto não apenas como uma alternativa ambiental, mas também como uma possível ferramenta para reforçar a segurança energética europeia.
O conflito envolvendo o Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz aumentaram o interesse europeu por combustíveis de aviação produzidos localmente e independentes do petróleo.
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Especialistas afirmam que a crise fortaleceu o argumento econômico para o e-SAF, combustível sintético que pode reduzir em até 90% as emissões associadas à aviação.
Apesar das metas estabelecidas pela União Europeia, o setor ainda enfrenta altos custos, poucos investimentos e capacidade de produção considerada insuficiente.
Em uma unidade próxima a Frankfurt, na Alemanha, hidrogênio e dióxido de carbono provenientes de instalações industriais são transformados em combustível de aviação por meio de um processo químico desenvolvido pela empresa Ineratec.
Segundo Mariano Berkenwald, responsável pela estratégia da companhia, a guerra alterou a percepção sobre o potencial da tecnologia.” A guerra tornou muito mais forte o argumento econômico para o e-SAF“, afirmou.
Até a escalada das tensões envolvendo o Irã, o combustível era promovido principalmente por seu potencial ambiental.
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Defensores da tecnologia afirmam que o e-SAF pode reduzir em até 90% as emissões responsáveis pelo aquecimento global geradas pela aviação, setor que responde por até 4% dos gases de efeito estufa emitidos na União Europeia.
Por isso, o bloco europeu transformou o produto em uma peça importante de sua estratégia climática para os transportes.
As regras atuais exigem que fornecedores misturem pelo menos 1,2% de e-SAF ao querosene disponível nos aeroportos da União Europeia até 2030. A meta sobe para 35% até 2050.
Apesar das metas ambiciosas, a indústria enfrenta dificuldades para decolar. Fundada há cerca de dez anos, a Ineratec iniciou a produção apenas no ano passado e sua instalação na Alemanha continua sendo a única da Europa a fabricar o combustível.
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Segundo Camille Mutrelle, da organização Transport & Environment (T&E), cerca de 40 projetos permanecem travados por falta de financiamento para a construção das unidades industriais.
De acordo com ela, a Europa precisaria de aproximadamente nove novas fábricas de grande porte para atingir a meta de 2030.
“Ainda temos zero“, afirmou.
A unidade da Ineratec produz cerca de 2,5 mil toneladas de combustível por ano, volume suficiente para abastecer apenas cerca de 50 voos transatlânticos.
Diante do ritmo lento de expansão, aumentaram as pressões para que Bruxelas reveja as metas ou suspenda as multas previstas para fornecedores que não conseguirem cumprir os objetivos estabelecidos.
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O setor acredita que a guerra e as restrições ao fluxo de petróleo e gás pelo Estreito de Ormuz podem mudar esse cenário.
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Seguir no GoogleComo seus insumos podem ser obtidos integralmente em território europeu, o combustível passou a despertar interesse entre forças armadas preocupadas com a disponibilidade futura de energia para aeronaves militares, helicópteros e outros equipamentos.
Segundo o consultor de aviação Matteo Mirolo, especializado em combustíveis sustentáveis, os militares podem inclusive aceitar pagar mais caro pelo produto para garantir abastecimento.
O principal obstáculo continua sendo o preço. Atualmente, o e-SAF custa aproximadamente 10 vezes mais que o querosene convencional, e até seus defensores reconhecem que dificilmente alcançará a competitividade do combustível fóssil.
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As Forças Armadas da Alemanha já realizaram testes com o combustível produzido pela Ineratec. Outros governos também demonstraram interesse em ampliar a capacidade de produção, segundo especialistas do setor.
Para Ourania Georgoutsakou, diretora-geral do grupo de lobby Airlines for Europe, a crise atual evidencia a necessidade de fortalecer a independência energética do continente. “A crise atual é um alerta sobre a independência energética da Europa“, afirmou.
Ela defendeu que tornar os combustíveis sustentáveis mais baratos e acessíveis seja uma “prioridade estratégica urgente“.
Os apoiadores da tecnologia esperam que o maior envolvimento dos governos ajude a convencer investidores a financiar novos projetos. Segundo especialistas, as grandes empresas de energia ainda demonstram cautela devido às incertezas sobre retorno financeiro e têm preferido direcionar recursos para biocombustíveis.
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Embora também façam parte da estratégia climática europeia, esses combustíveis costumam depender da importação de óleos e gorduras residuais da China, fator visto como uma vulnerabilidade do ponto de vista da segurança de abastecimento.
A Comissão Europeia informou que avalia a criação de um mecanismo de financiamento específico para apoiar o desenvolvimento do e-SAF. “Precisamos de energia produzida internamente, incluindo combustíveis e combustíveis para aviação“, afirmou um porta-voz da comissão.
Berkenwald disse que a Ineratec passou a receber mais consultas recentemente, mas ressaltou que o interesse ainda não se transformou em contratos. “Estamos esperançosos de que seja nessa direção que as coisas caminhem“, afirmou.
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