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Exportações de petróleo pelo Estreito de Ormuz podem nunca voltar aos níveis pré-guerra com o Irã
Publicado 31/05/2026 • 08:50 | Atualizado há 5 meses
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Publicado 31/05/2026 • 08:50 | Atualizado há 5 meses
KEY POINTS
Foto: Freepik
O mercado global de petróleo enfrenta uma nova realidade após a guerra contra o Irã: as exportações pelo Estreito de Ormuz dificilmente retornarão aos patamares considerados normais antes do conflito. Armadores agora precisam avaliar o risco de novos combates no volátil Golfo Pérsico.
Navios comerciais ocidentais tendem a evitar a travessia se o estreito permanecer sob controle de fato do Irã, especialmente diante da necessidade de coordenação com a Guarda Revolucionária — o que poderia implicar em violações às sanções dos EUA.
A importância estratégica de Ormuz para o mercado energético mundial torna o cenário imprevisível. Até fevereiro, quando Teerã bloqueou a passagem em resposta à ofensiva lançada por EUA e Israel, a liberdade de navegação nunca havia sido seriamente desafiada. O bloqueio provocou a maior interrupção de fornecimento de petróleo da história, pressionando Washington a buscar um acordo.
Segundo Amos Hochstein, ex-assessor de energia e segurança nacional de Joe Biden, líderes do Oriente Médio acreditam que o Irã já consolidou o controle sobre Ormuz. “Não importa o que o acordo diga, todos na região acreditam que os iranianos controlarão o estreito no futuro próximo”, afirmou à CNBC.
Helima Croft, estrategista-chefe de commodities do RBC Capital Markets, avalia que qualquer solução que mantenha o Irã com influência operacional sobre Ormuz resultará em fluxos significativamente menores. Richard Meade, editor-chefe da Lloyd’s List, projeta que o tráfego pode cair para 60% a 70% dos volumes pré-guerra, com navios ligados à China circulando livremente, enquanto embarcações ocidentais dependeriam de acordos bilaterais com Teerã. “Isso não gera uma recessão imediata, mas impede a recuperação pré-guerra”, disse Meade. “O resultado é um estreito permanentemente dividido, onde o acesso depende de alinhamento político, não da liberdade de navegação.”
A experiência recente no Mar Vermelho ilustra como instabilidade geopolítica pode prolongar a disrupção em rotas estratégicas. Desde novembro de 2023, militantes houthis aliados ao Irã atacaram navios comerciais em resposta à guerra em Gaza. O tráfego pelo Bab el-Mandeb caiu de 75 embarcações diárias para apenas 31 em janeiro de 2024 e, mais de dois anos depois, ainda não voltou ao normal.
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Siga o Times | CNBCAnalistas destacam que não é necessário um grande poder naval para causar impacto em pontos de estrangulamento marítimos. Mesmo sem novos ataques recentes, o tráfego não se recuperou, refletindo a persistência da insegurança.
Diferente do Mar Vermelho, Ormuz não possui rotas alternativas equivalentes. Antes da guerra, cerca de 20% do petróleo e gás natural liquefeito mundial passava pelo estreito. Embora Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos tenham ampliado o uso de oleodutos para o Mar Vermelho e o Golfo de Omã, a capacidade não compensa totalmente a perda.
O gás natural liquefeito, fertilizantes e outras commodities dependem da logística marítima de Ormuz. Exportadores buscam alternativas, como o novo oleoduto dos Emirados previsto para 2027. Para o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, o bloqueio iraniano é uma “carta que só pode ser jogada uma vez”, já que novos corredores energéticos reduzirão a dependência do estreito.
Mesmo que um cessar-fogo seja mantido, especialistas alertam que a retomada plena do tráfego levará tempo, devido a riscos como minas marítimas e a possibilidade de retomada da guerra caso não haja solução definitiva para o programa nuclear e de mísseis iranianos. Armadores terão de decidir se aceitam operar em um ambiente de risco permanente ou se buscam alternativas limitadas.
Ormuz, portanto, permanece como o maior ponto de tensão do comércio energético global – um gargalo estratégico que pode redefinir o equilíbrio do mercado por anos.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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