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Pressão do petróleo reduz efeito desinflacionário dos bens industriais e preocupa economistas
Publicado 30/05/2026 • 13:00 | Atualizado há 11 minutos
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Publicado 30/05/2026 • 13:00 | Atualizado há 11 minutos
KEY POINTS
O choque global provocado pela guerra no Oriente Médio está mudando uma das frentes mais favoráveis ao combate à inflação no Brasil. Após um longo período de comportamento moderado, os bens industriais passaram a registrar aumentos mais fortes de preços, em movimento que especialistas acreditam que continuará nos próximos meses.
Em abril, o grupo avançou 0,61%, quase o dobro dos 0,32% registrados em março. Apesar de o acumulado em 12 meses ainda estar em 2,41%, abaixo dos 4,39% observados no IPCA cheio, economistas ouvidos pelo Broadcast avaliam que a taxa pode se aproximar de 4% até o fim do ano.
Com participação próxima de 23% na cesta de consumo do IPCA, os bens industriais vinham apresentando comportamento favorável à inflação nos últimos anos. Mesmo com a desvalorização de quase 9% do dólar frente ao real em 2026, os primeiros sinais de pressão começaram a surgir nos indicadores do atacado.
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A estrategista de inflação da Warren Investimentos, Andréa Angelo, destaca que um núcleo do atacado acompanhado pela instituição atingiu 2,5% no último mês, o maior resultado para abril desde pelo menos 2010, indicando que a pressão tende a chegar ao consumidor.
O economista da FGV-Ibre, Matheus Dias, observou que “o aumento do preço do petróleo passou a pressionar de forma disseminada os índices de preços em abril, elevando custos industriais e logísticos”.
Segundo Andréa, um dos exemplos mais evidentes está nas embalagens plásticas, cuja variação acelerou entre março e abril. Para ela, a pressão atual está diretamente ligada ao choque provocado pela guerra. “No início do ano, achávamos que os itens industriais seriam um vetor de desinflação, mas isso se reverteu”, afirmou.
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O economista-chefe do Barclays para o Brasil, Roberto Secemski, destaca que os produtos de higiene pessoal responderam por cerca de dois terços da aceleração dos bens industriais entre março e abril. Segundo ele, o encarecimento das matérias-primas e do transporte, combinado com a resistência do consumo, tem sustentado a alta dos preços.
Secemski também identificou pressão em categorias como eletroeletrônicos e celulares, que, embora ainda apresentem variações negativas no acumulado de 12 meses, já deixaram as mínimas recentes e passaram a registrar reajustes mensais mais relevantes.
O economista lembra que o Barclays iniciou o ano projetando inflação de 2,9% para os bens industriais em 2026, mas a estimativa já subiu para 3,8%, enquanto a projeção para o IPCA cheio está em 5%.
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Para o economista da Quantitas, João Fernandes, o petróleo não é o único fator por trás da aceleração recente. Segundo ele, a própria economia chinesa passou a transmitir pressões inflacionárias para o restante do mundo após o início do conflito.
Fernandes observa que a China depende fortemente das importações de petróleo provenientes do Golfo e que a alta da commodity elevou os custos da cadeia produtiva local. Como consequência, os produtos exportados pelo país passaram a chegar mais caros aos mercados emergentes. “Esses bens estão chegando a preços maiores nos emergentes, elevando a inflação”, afirmou.
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Mesmo com algumas medidas de inflação ainda mostrando comportamento relativamente controlado, o economista chama atenção para indicadores de tendência que apontam aceleração consistente dos bens industriais ao longo dos últimos meses.
Além disso, ele vê espaço para novas pressões vindas do setor de vestuário, especialmente por causa do encarecimento do algodão. “O petróleo eleva o custo do poliéster, e como o algodão é substituto, a demanda por ele aumenta”, destacou.
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