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Conflito no Oriente Médio

Preço do petróleo até R$ 412 é cenário ideal para o Brasil; entenda por quê

Publicado 18/06/2026 • 12:00 | Atualizado há 59 minutos

KEY POINTS

  • Preços nessa faixa ajudam a controlar a inflação sem comprometer investimentos e receitas do setor de petróleo.
  • Recomposição dos estoques globais deve evitar uma queda acentuada das cotações mesmo com aumento da oferta.
  • Brasil pode sair fortalecido de uma reorganização dos investimentos globais na indústria petrolífera.

O preço do petróleo entre US$ 60 (R$ 309,60) e US$ 80 (R$ 412,80) por barril representa o cenário mais favorável para o Brasil, segundo Edmar de Almeida, professor do Instituto de Energia da PUC-Rio. Na avaliação do especialista, essa faixa permite manter a atividade do setor petrolífero aquecida ao mesmo tempo em que reduz pressões inflacionárias sobre combustíveis e outros produtos da economia.

Segundo Almeida, a expectativa de excesso de oferta no mercado global já existia antes da guerra envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos e deve voltar a ganhar força caso a trégua seja consolidada. Ainda assim, ele acredita que os preços não devem retornar rapidamente aos níveis observados antes do conflito.

“Eu acredito que os preços devem cair, mas dificilmente eles vão voltar para o patamar anterior à guerra. Não estamos ainda num contexto de depressão nos preços do petróleo”, afirmou.

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O professor explicou que diversos países consumiram parte de seus estoques estratégicos durante o período de instabilidade e precisarão recompor essas reservas nos próximos meses. “Os países reduziram os estoques e agora têm que voltar para o patamar normal. Isso vai aumentar a compra de petróleo para os estoques”, observou.

Equilíbrio econômico

Para Almeida, preços muito baixos podem prejudicar uma atividade que tem peso crescente na economia brasileira. O especialista destacou que investimentos em exploração e produção dependem diretamente da rentabilidade proporcionada pelas cotações internacionais.

“O bom para o Brasil não são preços deprimidos do petróleo. Eles afetam uma parte da economia que é muito dinâmica, que é a produção e a exportação de petróleo. Investimentos da Petrobras dependem do preço do petróleo”, destacou.

Por outro lado, uma disparada das cotações também traz efeitos negativos ao elevar os custos dos combustíveis e pressionar a inflação. “O ideal para o Brasil é ter preços nesse patamar de 60 a 80 dólares. A economia do petróleo continua robusta e a gente tem um alívio na questão da inflação”, ressaltou.

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Mudança na geopolítica

O especialista também acredita que a recente crise no Oriente Médio poderá acelerar uma redistribuição dos investimentos globais no setor de petróleo. Segundo ele, a vulnerabilidade do Estreito de Ormuz evidenciou os riscos de concentrar a produção em regiões sujeitas a conflitos geopolíticos.

“A guerra colocou em xeque a segurança do abastecimento do petróleo do Oriente Médio. A gente viu a fragilidade que é depender de um estreito e a facilidade que existe para fechá-lo”, afirmou.

Nesse contexto, Almeida avalia que produtores localizados na chamada bacia do Atlântico tendem a ganhar relevância nos próximos anos. “Vai ter uma recomposição na geopolítica do petróleo com aumento da relevância da bacia do Atlântico. O Brasil sai fortalecido nesse processo”, explicou.

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Além do Brasil, o professor citou países como Estados Unidos, Canadá, Argentina e Guiana entre os potenciais beneficiados pela busca de fontes consideradas mais seguras de abastecimento.

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Papel do Irã

Apesar da expectativa de reabertura do Estreito de Ormuz e de uma eventual normalização das exportações iranianas, Almeida não acredita que o Oriente Médio retomará rapidamente a posição de principal polo de expansão da oferta mundial.

“A bomba geopolítica do Oriente Médio não foi desarmada. Tem a questão de Israel, a questão dos palestinos e diversas incertezas ainda em aberto”, ponderou.

Por isso, ele vê limitações para uma retomada acelerada dos investimentos na região. “Tenho dificuldade de ver essa região atraindo investimentos capazes de inundar o mercado de petróleo. Vejo o contrário: uma valorização e um fortalecimento de outras áreas, como a África e a própria bacia do Atlântico”, concluiu.

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