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Reabertura do Estreito de Ormuz pode levar semanas para aliviar fila de navios e pressão sobre o petróleo
Publicado 18/06/2026 • 07:28 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 18/06/2026 • 07:28 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Foto: Reuters
Vai levar semanas para eliminar a fila de navios acumulada no Estreito de Ormuz, alertaram executivos do setor e especialistas em transporte marítimo, à medida que a hidrovia estratégica se prepara para ser reaberta.
Os preços do petróleo chegaram a cair para abaixo de US$ 80 por barril após a notícia de que Estados Unidos e Irã haviam firmado um acordo para encerrar a guerra, com os investidores apostando na retomada do fornecimento de petróleo, gás natural liquefeito (GNL) e outras mercadorias, interrompido por quase quatro meses de conflito que provocaram um congestionamento de embarcações incapazes ou relutantes em atravessar o estreito.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, assinaram na noite de quarta-feira um memorando de entendimento que prevê a reabertura total do Estreito de Ormuz, sem cobrança de pedágios pelo Irã, por pelo menos 60 dias.
Leia também: O que irá acontecer com o preço da gasolina quando o tráfego do Estreito de Ormuz reabrir?
No entanto, segundo analistas ouvidos pela CNBC, a normalização da oferta física ao mercado em volume suficiente para manter os preços abaixo de US$ 80 por barril poderá levar semanas e, em alguns casos, meses.
Operadores, autoridades portuárias e empresas de energia em toda a região do Golfo seguem em compasso de espera, enquanto questões logísticas e de segurança permanecem sem solução.
“O cenário mais provável é uma retomada gradual, com algum mecanismo de gerenciamento do tráfego envolvendo Irã e Omã”, afirmou Adam Sharpe, vice-presidente editorial da Lloyd’s List Intelligence, à CNBC.
“Mas ainda há questões importantes em aberto: se os navios precisarão de autorização prévia, se o Irã cobrará taxas de serviço, se escoltas navais estrangeiras serão aceitas e se minas ou outros riscos remanescentes exigirão um processo de inspeção.”
Leia também: O Estreito de Ormuz voltou a operar, mas por que a recuperação global do petróleo deve ser lenta?
Mesmo após um acordo político para reabrir o estreito, participantes da indústria afirmam que a retomada do tráfego será gradual e complexa.
“Não há precedentes para a reabertura de Ormuz após uma interrupção dessa natureza”, disse Sharpe. “A hipótese mais prudente é de um aumento gradual do fluxo, e não de um retorno imediato aos mais de 100 trânsitos diários.”
Antes da guerra, dados da Lloyd’s List Intelligence mostravam entre 650 e 770 travessias semanais de navios de carga pelo Estreito de Ormuz, o equivalente a aproximadamente 90 a 110 passagens por dia nos dois sentidos.
A empresa de inteligência econômica QuantCube Technology informou à CNBC que seus dados de navegação ainda não mostram um aumento significativo nas exportações de petróleo da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos ou do Iraque.
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Na região saudita de Dammam, que inclui o terminal de exportação de Ras Tanura, os navios têm sido carregados e enviados para áreas próximas à costa, onde permanecem aguardando, segundo Alan Lemangnen, economista sênior da QuantCube.
“Desde 8 de junho, os petroleiros que deixam Dammam têm permanecido ancorados por períodos significativamente mais longos antes da partida”, afirmou à CNBC. “Isso sugere que uma fila de embarcações pode ter se formado em alto-mar, e não nas instalações portuárias.”
Grande parte das exportações de petróleo bruto dos Emirados Árabes Unidos que conseguiu atravessar Ormuz utilizou a estratégia conhecida como going dark, na qual os navios desligam seus sistemas de GPS para evitar rastreamento. A Kpler afirmou que essa prática deverá continuar até que Washington e Teerã cheguem a um entendimento claro sobre a liberdade de navegação.
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Mesmo que o fluxo de energia seja retomado rapidamente, as interrupções na cadeia de suprimentos poderão persistir. Em relatório divulgado na segunda-feira, a Kpler estimou que 118 petroleiros permaneciam retidos no Golfo Pérsico.
Os analistas da empresa estimam que a fila poderá ser eliminada entre 10 e 15 dias, mas alertam que isso não representará uma recuperação completa. Segundo o relatório, o aumento inicial será “puramente mecânico”, gerando “um pico inicial de travessias sem elevar o volume efetivo transportado”.
Se centenas de embarcações estiverem aguardando para atravessar o estreito, será necessário definir prioridades. Especialistas do setor esperam que petroleiros e navios transportadores de gás natural liquefeito tenham prioridade, devido à sua importância para os mercados globais, enquanto navios porta-contêineres e outras cargas poderão enfrentar atrasos maiores.
“A definição das prioridades pode não ser apenas comercial”, afirmou Sharpe. “As autoridades também podem considerar a localização da embarcação, o sentido da viagem, a bandeira, a propriedade, o risco político percebido, o tipo de carga, as condições de segurança e se o navio já apresentou as informações exigidas para o trânsito.”
“A maior incerteza é saber se isso será conduzido de forma transparente ou por meio de decisões operacionais tomadas caso a caso”, acrescentou.
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Seguir no GoogleComerciantes e fabricantes da região já relatam aumento nos preços de matérias-primas e atrasos nas entregas, evidenciando a rapidez com que interrupções em Ormuz afetam as economias regionais.
Antes que o tráfego volte ao normal, forças navais precisarão certificar corredores seguros para navegação, processo que deverá levar pelo menos alguns dias. Em seguida, seguradoras especializadas em riscos de guerra precisarão restabelecer a cobertura, sem a qual as embarcações não poderão operar.
As autoridades de Omã, dos Emirados Árabes Unidos e do Irã também precisarão coordenar rotas de navegação, sistemas de comboios e janelas de travessia, enquanto navios e tripulações que foram desviados ou tiveram suas operações suspensas precisarão ser reativados, reabastecidos e reintegrados ao cronograma.
“As seguradoras vão querer evidências de um ambiente operacional estável e previsível: travessias seguras de forma consistente, ausência de interferências, clareza quanto ao risco de minas e nenhuma nova escalada”, disse Sharpe. Segundo ele, os preços dos seguros continuarão altamente sensíveis à bandeira da embarcação, ao proprietário, a eventuais vínculos com Israel ou os Estados Unidos, ao histórico de operações e ao tipo de carga.
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“Uma redução duradoura dos prêmios adicionais dependerá da manutenção de volumes históricos de tráfego e da confiança de que a reabertura não será revertida”, afirmou.
Também há um componente de segurança envolvendo a coordenação entre Irã e Estados Unidos para a remoção de minas, outro processo que poderá atrasar a normalização.
“Enquanto não houver plena certeza de que não existem minas, o processo será lento e poderá levar algumas semanas, já que apenas uma pequena faixa de passagem poderá ser utilizada com segurança”, afirmou por e-mail à CNBC Nikos Petrakakos, diretor-gerente da gestora de investimentos marítimos Tufton. “Quando houver clareza sobre a situação das minas, o processo poderá levar menos de uma semana. Mas acredito que muitos operadores permanecerão cautelosos no início.”
Sharpe comparou a situação ao Mar Vermelho, observando que muitos operadores continuaram evitando a região mesmo após sinais de redução das tensões e da interrupção dos ataques dos houthis a navios, enquanto não houve comprovação consistente de segurança.
A Kpler afirma que a maior parte da produção de petróleo do Oriente Médio poderá ser retomada em semanas, e não em meses. No entanto, outra questão é quando esse petróleo poderá efetivamente ser exportado.
Muito dependerá da rapidez com que autoridades, seguradoras e empresas de navegação conseguirão coordenar a reabertura e restabelecer o transporte de mercadorias. A eliminação da fila de petroleiros em um período de 10 a 15 dias poderá gerar um aumento visível no tráfego, mas o retorno aos níveis normais de movimentação poderá levar mais tempo caso os prêmios de seguro permaneçam elevados, as inspeções navais avancem lentamente ou os operadores mantenham uma postura cautelosa.
O Goldman Sachs reduziu sua projeção para os preços do petróleo após o anúncio de Trump sobre o acordo. O banco passou a estimar o barril do Brent em US$ 80 no quarto trimestre de 2026, ante a previsão anterior de US$ 90, e reduziu a estimativa da média de 2027 para US$ 75 por barril. No curto prazo, porém, os preços ainda poderão permanecer pressionados.
Em relatório publicado em 16 de junho, o Goldman afirmou que “a recuperação da oferta pode ser mais forte” e estimou que os fluxos de petróleo da região do Golfo já tenham alcançado 11 milhões de barris por dia, com aumento tanto das exportações que passam por Ormuz quanto das cargas redirecionadas.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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