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Conflito no Oriente Médio

Reorganização do comércio global pode levar meses mesmo com fim imediato da guerra

Publicado 08/06/2026 • 12:30 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Mesmo que um acordo de paz seja alcançado rapidamente, normalização do transporte marítimo e das cadeias globais pode levar meses, segundo especialista.
  • Persistência das tensões no Oriente Médio mantém pressão sobre petróleo, inflação e expectativas para os juros nos Estados Unidos.
  • China sai do conflito em posição estratégica mais confortável, enquanto os EUA enfrentam desgaste econômico e político, avalia economista.

A reorganização das cadeias globais de transporte e energia pode levar meses mesmo que o conflito no Oriente Médio seja encerrado rapidamente, avalia André Mirsky, economista e consultor financeiro. Em entrevista nesta segunda-feira (8) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, ele afirmou que o principal desafio será recuperar a confiança dos agentes econômicos e restabelecer a normalidade nas rotas comerciais afetadas pela guerra.

Segundo Mirsky, os recentes episódios envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã mantêm o mercado em estado de alerta, especialmente por causa dos impactos sobre o petróleo e o transporte marítimo global. “Nós vivemos um xadrez diário, quase momentâneo, em relação a essa novela envolvendo Donald Trump e o petróleo”, afirmou.

Petróleo sob pressão

O economista destacou que a alta dos preços da energia continua sendo uma das principais preocupações dos mercados, principalmente pelos reflexos sobre a inflação americana.

“O petróleo não depende de política monetária. Ele é consequência direta da economia real”, explicou. Segundo ele, o aumento dos combustíveis nos Estados Unidos já pressiona o ambiente político e econômico do país.

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Na avaliação de Mirsky, o governo americano tem interesse em reduzir as tensões para evitar novos choques de preços. “Donald Trump não quer mais guerra e não quer mais choque petrolífero neste momento. Ele está preocupado com os problemas internos americanos”, afirmou.

O economista ressaltou ainda que, mesmo durante os períodos de trégua, o petróleo não retornou aos níveis observados antes do início do conflito, sinalizando que os riscos continuam incorporados aos preços internacionais.

Confiança é decisiva

Questionado sobre quanto tempo seria necessário para restabelecer plenamente os fluxos comerciais globais, Mirsky afirmou que a questão central não é apenas logística, mas também de confiança. “O principal problema aqui é retomar a confiança de que a situação realmente se estabilizou”, destacou.

Segundo ele, os custos de transporte, seguros e fretes foram fortemente impactados pela instabilidade na região e dificilmente retornarão aos níveis anteriores sem uma percepção clara de segurança. “Tudo que tem a ver com transporte internacional foi afetado e isso só vai voltar aos níveis anteriores quando houver confiança”, afirmou.

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Para o economista, um prazo de cerca de seis meses seria uma estimativa razoável para o início da normalização, desde que não ocorram novos episódios de escalada militar.

Reflexos nos juros

Mirsky avalia que os impactos do conflito também já influenciam as expectativas para a política monetária dos Estados Unidos. “Já não se fala mais em corte de juros neste ano, mas sim na possibilidade de aumento das taxas”, observou.

Segundo ele, a combinação de energia mais cara, custos logísticos elevados e inflação persistente dificulta qualquer movimento mais agressivo de flexibilização monetária por parte do Federal Reserve.

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China observa

Ao analisar os desdobramentos geopolíticos do conflito, o economista afirmou que a China emerge em posição relativamente confortável, por ter permanecido distante do confronto direto. “A China foi quem ganhou de lavada nesse conflito. Não disparou um míssil nem uma bala e preservou todos os seus trunfos estratégicos”, avaliou.

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Na visão de Mirsky, Pequim acompanha os desdobramentos do cenário internacional enquanto preserva sua capacidade militar e econômica para lidar com desafios futuros. “Ela está numa posição tranquila, observando a poeira baixar para decidir seus próximos movimentos”, concluiu.

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