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Entenda como o Mar Vermelho virou o centro da geopolítica mundial
Publicado 22/07/2026 • 13:48 | Atualizado há 50 minutos
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Publicado 22/07/2026 • 13:48 | Atualizado há 50 minutos
KEY POINTS
Foto: unsplash
O Mar Vermelho virou o centro da geopolítica mundial?
O Mar Vermelho passou a ocupar uma posição estratégica nas disputas geopolíticas atuais. A região reúne interesses de diferentes países em meio a tensões relacionadas à segurança marítima, ao acesso a portos e à crescente influência da Etiópia no Chifre da África.
Nesse cenário, uma série de consultas diplomáticas ocorreu no Cairo, no Egito. Os encontros envolveram representantes egípcios, somalis, eritreus e o enviado dos Estados Unidos para a África, Massad Boulos. O objetivo foi coordenar posições sobre os desafios de segurança na região, de cordo com a Al Jazeera.
Embora poucos detalhes das reuniões tenham sido divulgados, os governos informaram que a agenda tratou da estabilidade regional e da segurança no Mar Vermelho. Além disso, os encontros abordaram as mudanças no equilíbrio político do Chifre da África.
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Mais do que uma negociação específica, os encontros mostram uma mudança na dinâmica regional. Questões antes analisadas separadamente, como a disputa entre Egito e Etiópia, a segurança das rotas marítimas e a competição por influência, passaram a estar interligadas.
O Mar Vermelho deixou de ser apenas uma rota marítima estratégica. A região passou a integrar uma disputa mais ampla por segurança e influência política.
A região ganhou atenção internacional principalmente devido aos riscos envolvendo a navegação. O Estreito de Bab el-Mandeb conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Aden e ao Mar Arábico. Por sua importância estratégica, tornou-se um dos pontos mais sensíveis do comércio marítimo.
A preocupação aumentou após um navio cargueiro relatar ter sido atacado próximo à cidade portuária de Al Hudaydah, no Iêmen.
O Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO) informou que recebeu um alerta de emergência. O órgão recomendou que as embarcações navegassem com cautela enquanto investigava o incidente.
Além disso, as tensões envolvendo Estados Unidos e Irã também aumentaram a atenção sobre a região. O petróleo avançou nos mercados internacionais após o presidente americano, Donald Trump, endurecer o discurso contra Teerã. Porém, novas ameaças relacionadas à navegação no Mar Vermelho aumentaram a preocupação dos investidores.
Para o Egito, a discussão sobre o Mar Vermelho está diretamente ligada à preocupação com a Etiópia. Durante anos, a principal questão entre Cairo e Adis Abeba esteve concentrada na Grande Barragem do Renascimento Etíope, projeto que gerou uma longa disputa sobre o uso das águas do rio Nilo.
No entanto, a preocupação egípcia passou a envolver também os movimentos da Etiópia no Chifre da África. A busca de acesso marítimo por parte de Adis Abeba, além do fortalecimento de suas relações regionais, entrou no cálculo estratégico do governo egípcio.
Dessa forma, o Cairo passou a analisar a atuação da Etiópia não apenas pela questão hídrica, mas também pelo impacto sobre portos, litoral e influência política em uma região considerada estratégica.
Apesar da importância da barragem para a política externa egípcia, não houve novos desdobramentos sobre a disputa durante as consultas realizadas no Cairo. A questão, porém, continua ligada às preocupações mais amplas sobre o papel regional da Etiópia.
Leia também: Navio cargueiro no Mar Vermelho relatou ter sido atacado, segundo órgão marítimo do Reino Unido
A Somália também ganhou espaço nas discussões devido à sua localização estratégica. O país possui uma posição próxima ao Estreito de Bab el-Mandeb e está inserido em uma das principais áreas de passagem marítima da região. Além disso, enfrenta uma disputa com a Etiópia envolvendo soberania e acesso ao mar.
A busca da Etiópia por uma saída marítima aumentou as tensões entre os dois países. Enquanto Adis Abeba considera o acesso ao mar uma necessidade econômica e estratégica, Mogadíscio afirma que qualquer medida deve respeitar a integridade territorial da Somália.
Nesse contexto, a aproximação entre Somália e Egito ganhou relevância. Para o Cairo, a relação com Mogadíscio representa uma oportunidade de ampliar sua presença diplomática em uma área onde acordos e parcerias de segurança estão sendo reavaliados.
A Eritreia acrescenta outro elemento à disputa regional por possuir litoral no Mar Vermelho e uma relação complexa com a Etiópia.
Apesar de seus interesses não coincidirem totalmente com os do Egito e da Somália, a posição geográfica do país faz com que ele tenha importância nas discussões sobre segurança regional.
Por isso, manter diálogo com a Eritreia faz parte do esforço egípcio para acompanhar as mudanças políticas e estratégicas em uma região marcada por disputas envolvendo acesso marítimo e influência.
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Siga o Times | CNBCLeia também: Trump afirma que EUA agirão se houthis ampliarem bloqueio naval no Mar Vermelho
A presença de Massad Boulos nas consultas realizadas no Cairo reforçou o interesse dos Estados Unidos no futuro do Chifre da África e do Mar Vermelho.
Após reuniões separadas com autoridades da Somália e da Eritreia, o enviado americano afirmou que discutiu temas relacionados à segurança, estabilidade regional, cooperação econômica e desenvolvimento.
Para Washington, a região continua ligada a prioridades como segurança, combate ao terrorismo e estabilidade em uma área considerada importante para a navegação internacional.
Segundo o analista de riscos políticos e segurança Mubarak Aliyu, ouvido pela Al Jazeera, a aproximação entre Egito e Estados Unidos demonstra que os problemas do Chifre da África estão cada vez mais conectados e exigem uma atuação diplomática mais ampla.
De acordo com ele, o desafio é garantir que a participação internacional ajude a fortalecer a estabilidade regional, sem aumentar as disputas entre os países envolvidos.
A instabilidade no Mar Vermelho também passou a influenciar o mercado de petróleo. Os preços internacionais da commodity subiram após o aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã e diante das ameaças envolvendo a navegação na região.
Durante a sessão, o petróleo Brent chegou a ultrapassar US$ 91 por barril, antes de perder parte dos ganhos após declarações do Irã indicarem novas propostas encaminhadas por mediadores.
Outro fator de preocupação foi a atuação dos houthis, grupo apoiado pelo Irã. O movimento anunciou um bloqueio marítimo contra a Arábia Saudita e voltou a ameaçar o Estreito de Bab el-Mandeb.
Os houthis já haviam realizado ataques contra navios mercantes no Mar Vermelho entre 2023 e 2025, em retaliação à guerra de Israel em Gaza. Embora tenham se mantido afastados do conflito entre Estados Unidos e Irã, suas ações mantêm a pressão sobre a segurança marítima.
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Embora o Sudão não tenha participado publicamente das consultas no Cairo, o país continua sendo um fator importante para os cálculos de segurança do Egito e da região.
O conflito sudanês influencia o ambiente estratégico próximo ao Mar Vermelho e à fronteira sul egípcia. Por isso, mesmo sem envolvimento direto nas reuniões, o país permanece parte do equilíbrio regional.
As consultas realizadas no Cairo não indicam a criação de uma nova aliança regional formal. Segundo a análise apresentada pela Al Jazeera, os encontros devem ser entendidos como uma tentativa de coordenar posições entre países com interesses cada vez mais próximos.
O movimento mostra que o Mar Vermelho e o Chifre da África passaram a ser analisados como uma única área estratégica, onde segurança, acesso marítimo e influência política estão diretamente relacionados.
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Tegha King, secretário-geral da Federação Universal para a Paz (UPF) do Gana, afirmou que os esforços diplomáticos do Cairo representam uma tentativa de ampliar o diálogo internacional sobre a região. No entanto, segundo ele, uma estabilidade duradoura dependerá de estruturas de cooperação lideradas pelos próprios países africanos.
Assim, o Mar Vermelho ganhou protagonismo nas disputas geopolíticas porque concentra interesses de diferentes setores, desde governos regionais até potências internacionais. A região se tornou um ponto de encontro entre segurança marítima, energia e competição por influência.
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