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Crise do multilateralismo e tensões geopolíticas ampliam desafios da ONU
Publicado 21/09/2026 • 21:53 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 21/09/2026 • 21:53 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
A Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) começa semana de alto nível em um cenário de perda de confiança no multilateralismo, guerras e aumento das tensões entre grandes potências. Na avaliação de Vitélio Brustolin, professor de Relações Internacionais da UFF e pesquisador de Harvard, o ambiente coloca a própria capacidade de atuação da ONU no centro das discussões.
Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Brustolin afirmou que o lema da 81ª sessão — “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas” — reflete a preocupação da instituição com o desgaste do sistema multilateral. O tema oficial é confirmado pela própria ONU.
Segundo o professor, conflitos como os da Ucrânia e do Oriente Médio, além das disputas políticas e econômicas entre grandes potências, aumentaram a pressão sobre a organização.
“A ONU percebe que existe uma decaída do multilateralismo”, afirmou.
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Brustolin avalia que o discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve retomar temas presentes em anos anteriores, como desigualdade, fome, mudanças climáticas e reforma do Conselho de Segurança, com maior espaço neste ano para soberania, crime organizado e relação com os Estados Unidos.
O professor, porém, considera pouco provável uma reforma estrutural ampla da ONU no curto prazo. O artigo 108 da Carta determina que mudanças precisam ser aprovadas por dois terços da Assembleia Geral e posteriormente ratificadas por dois terços dos países-membros, incluindo todos os integrantes permanentes do Conselho de Segurança.
“É muito difícil que haja uma reforma da ONU”, afirmou Brustolin.
Na avaliação dele, o principal obstáculo está justamente na necessidade de aprovação das potências que hoje concentram o poder de veto no Conselho de Segurança.
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Siga o Times | CNBCBrustolin também afirmou que uma eventual intensificação da fragmentação internacional pode fortalecer a formação de blocos entre países. Segundo ele, uma configuração mais polarizada poderia aproximar Rússia e China de um lado e, apesar das divergências existentes, Estados Unidos e Europa de outro.
As tensões geopolíticas também aumentam a incerteza para investidores e podem produzir efeitos sobre comércio e crescimento econômico, segundo Brustolin.
“O investidor não quer insegurança. Um pouco de previsibilidade é necessário”, afirmou.
Para o professor, as disputas comerciais, tecnológicas e estratégicas envolvendo as maiores economias do mundo podem influenciar fluxos de capital e decisões de investimento, inclusive no Brasil.
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Ele chamou atenção especialmente para a crescente concentração de investimentos ligados à inteligência artificial e para os riscos de uma eventual frustração das expectativas em torno do setor.
Brustolin avaliou ainda que o Brasil pode ser afetado tanto pelas disputas comerciais quanto pelas mudanças no direcionamento global de capitais.
No campo geopolítico, o professor também apontou o conflito envolvendo o Irã como uma fonte adicional de incerteza, especialmente pelos riscos sobre importantes rotas de comércio e transporte de energia no Oriente Médio.
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