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Defesa da soberania deve ganhar força na ONU em meio a tensões com os EUA

Publicado 21/09/2026 • 21:06 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Guilherme Casarões avalia que defesa da soberania ganhará espaço diante das tensões geopolíticas e comerciais.
  • Professor vê na articulação de potências médias uma possibilidade de reação à crise do multilateralismo.
  • Especialista afirma que Brasil, Canadá e União Europeia podem ganhar peso nos debates globais sobre inteligência artificial.

A defesa da soberania deve aparecer com força nos discursos da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), mas países como o Brasil tendem a evitar confrontos diretos com os Estados Unidos para preservar canais de diálogo. A avaliação é de Guilherme Casarões, professor de Estudos Brasileiros na Florida International University.

Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Casarões afirmou que o conceito de soberania ganhou nova relevância diante do atual ambiente de tensões comerciais, diplomáticas e geopolíticas.

“Eu não tenho dúvida de que isso vai permear todos os discursos da Assembleia Geral”, disse.

Segundo o professor, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve fazer uma defesa firme do princípio da soberania, mas sem necessariamente transformar o discurso em um ataque nominal ao governo americano.

“É a defesa da soberania, mas com cautela o suficiente para que ela não pise no calo de nenhum membro do governo americano e muito menos do presidente americano, para que esses canais de diálogo possam continuar abertos e minimamente funcionais”, afirmou.

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Casarões avaliou que a necessidade de cautela ganha peso adicional no caso brasileiro diante da proximidade da eleição e das discussões sobre a relação entre os dois países.

O professor também destacou como um sinal positivo a criação dos Parceiros pelo Multilateralismo, iniciativa lançada à margem da Assembleia Geral para fortalecer a cooperação internacional e defender reformas nas instituições multilaterais.

A articulação reúne líderes de diferentes regiões e busca criar uma plataforma aberta para diálogo, formação de coalizões e propostas de reforma. Brasil, Canadá, Quênia, União Europeia, Austrália, Barbados e Índia participam da iniciativa.

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Para Casarões, o movimento pode ampliar a capacidade de atuação das chamadas potências médias em um momento de enfraquecimento das instituições multilaterais.

“Pode ser que agora essas potências intermediárias ou potências médias das relações internacionais tenham uma voz importante a ser ouvida nesse momento de crise do multilateralismo e de grande tensão geopolítica em nível global”, afirmou.

Apesar dessa possibilidade, o professor adotou uma avaliação cautelosa sobre a capacidade da Assembleia Geral de produzir respostas imediatas para as principais crises internacionais.

“De uma maneira geral, infelizmente, a gente está diante de uma ONU paralisada e de questões que certamente não serão resolvidas numa semana de Assembleia Geral”, disse.

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Casarões também apontou a tecnologia como outra frente em que países fora do eixo Estados Unidos-China podem ampliar sua influência. Segundo ele, Brasil, Canadá e União Europeia têm ativos relevantes tanto na oferta de recursos estratégicos quanto na discussão sobre regras para inteligência artificial.

Na avaliação do professor, minerais estratégicos, geração de energia, data centers e regulação de inteligência artificial devem ocupar espaço crescente na disputa entre as duas maiores economias do mundo. O encontro entre Donald Trump e Xi Jinping está marcado para quinta-feira (24), em Washington, com comércio, tecnologia, inteligência artificial e minerais críticos entre os temas esperados.

Casarões afirmou que países como Brasil e Canadá precisam compreender o peso que podem exercer nessa nova configuração internacional.

“Brasil, Canadá, União Europeia e outras regiões do mundo vão ter um papel muito central, não como meros provedores de tecnologia ou de recursos, mas também como vozes diplomáticas importantes para moldar essa geopolítica da inteligência artificial daqui para frente”, disse.

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