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Crise da ONU limita avanço do multilateralismo, diz Rubens Barbosa
Publicado 21/09/2026 • 14:30 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 21/09/2026 • 14:30 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
A crise financeira e institucional das Nações Unidas reduziu o espaço para o avanço do multilateralismo e dificulta uma reforma capaz de recuperar a influência da organização. A avaliação é de Rubens Barbosa, ex-embaixador do Brasil nos Estados Unidos, em entrevista ao Real Time, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
Segundo o ex-embaixador, a redução do apoio dos Estados Unidos à ONU afetou diferentes áreas da organização e contribuiu para o esvaziamento de programas e organismos internacionais. Na avaliação de Rubens, o problema não se limita às Nações Unidas e atinge instituições internacionais nas áreas política, econômica e de segurança.
Barbosa também relacionou a perda de força da ONU à falta de representatividade do Conselho de Segurança, formado por 15 países, sendo cinco membros permanentes com poder de veto. Brasil, Índia, Japão e Alemanha defendem uma reforma do órgão, mas, para ele, a mudança enfrenta a resistência dos países que atualmente possuem poder de veto.
“Ela poderia começar a se recuperar se houvesse uma mudança no Conselho de Segurança, mas isso, na minha visão, é muito difícil, porque os países que têm o poder de veto não vão abrir mão desse poder”, afirmou Rubens.
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Na avaliação de Barbosa, conflitos internacionais e divergências entre grandes potências também contribuem para enfraquecer a organização. Ele citou as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio como exemplos de situações em que a atuação da ONU enfrenta limitações.
Outro desafio para a organização é a escolha do sucessor de António Guterres, cujo segundo mandato termina em 31 de dezembro de 2026. O processo de seleção já está em andamento na ONU.
Barbosa afirmou que a disputa ainda está aberta e destacou que o próximo secretário-geral precisará não apenas obter apoio na Assembleia Geral, mas também evitar a oposição dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança.
A escolha do novo secretário-geral, por si só, não deve alterar significativamente a posição do Brasil dentro da organização. Segundo ele, o ocupante do cargo depende do apoio dos países-membros para tomar iniciativas relevantes.
Barbosa também demonstrou ceticismo em relação à possibilidade de uma retomada do multilateralismo nos moldes anteriores. Na avaliação dele, a postura mais unilateral e protecionista dos Estados Unidos dificulta a reconstrução de um sistema baseado na cooperação ampla entre países.
“Eu acho muito difícil que no futuro previsível isso volte a acontecer, porque a ideia é que cada país está cuidando dos seus interesses e os Estados Unidos estão com uma posição unilateral e muito protecionista”, disse.
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A Assembleia Geral da ONU também ocorre em meio à expectativa do encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Na hipótese de um encontro rápido durante os eventos em Nova York, ele avalia que a conversa teria pouca influência sobre as relações entre Brasil e Estados Unidos.
“Eu não acho que vai haver o encontro, mas, se houver, vai ser tão curto que não vai ter nenhum impacto nas negociações do Brasil com Estados Unidos”, afirmou.
A defesa de uma vaga permanente para o Brasil no Conselho de Segurança é outra frente da política externa brasileira mencionada durante a entrevista. Para Barbosa, porém, a fragilização do sistema multilateral reduz o efeito prático dessa reivindicação. Ele afirmou que o Brasil não dispõe de poder suficiente para interferir diretamente em conflitos internacionais como a guerra na Ucrânia.
Na avaliação do ex-embaixador, a defesa de uma maior participação brasileira no Conselho de Segurança e o discurso em favor do multilateralismo também têm uma dimensão política doméstica.
“Essas essa retórica sobre o Conselho de Segurança, sobre tudo isso que nós falamos de multilateralismo e tal, das guerras, é parte da narrativa interna para mostrar um protagonismo do Brasil que, na realidade, não tem nenhum efeito prático”, afirmou.
Barbosa também avaliou que o discurso de Lula na Assembleia Geral deve combinar temas internacionais com assuntos de interesse da política brasileira. Entre os temas que podem aparecer, citou soberania, democracia, multilateralismo, inteligência artificial e conflitos internacionais.
A Assembleia Geral da ONU ocorre em um momento de pressão sobre a organização, com guerras em diferentes regiões, dificuldades financeiras e discussões sobre o futuro da cooperação internacional. A própria ONU colocou a reforma institucional e a crise de recursos entre os principais desafios de 2026.
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