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FMI vê risco de efeito dominó com fundos que somam US$ 13 trilhões

CNBCDívida, inteligência artificial e Ucrânia ofuscam a China nas reuniões anuais do FMI

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Dívida, inteligência artificial e Ucrânia ofuscam a China nas reuniões anuais do FMI

Publicado 19/10/2026 • 21:55 | Atualizado há 55 minutos

KEY POINTS

  • Participantes debateram se os desequilíbrios do comércio global, o avanço da inteligência artificial ou o acúmulo de dívidas nas economias avançadas representam o maior risco à estabilidade financeira.
  • A presença de autoridades russas nas reuniões provocou críticas de líderes europeus e a saída de quase metade dos delegados do Comitê Monetário e Financeiro Internacional (IMFC).
  • As discussões sobre a China perderam espaço em Bangkok, à medida que a estabilização das relações com Washington levou investidores a tratar o país como “apenas mais um fator de risco, e não algo único e especial”, afirmou Tim Adams, do Instituto de Finanças Internacionais (IIF).
FMI vê risco de efeito dominó com fundos que somam US$ 13 trilhões

Olivier DOULIERY/AFP

Os principais responsáveis pelas finanças globais passaram a semana passada em Bangkok debatendo o maior risco para a economia mundial. Endividamento, inteligência artificial e desequilíbrios comerciais estiveram entre os principais temas. Enquanto isso, a China, há muito considerada um dos principais fatores de risco nessas discussões, deixou de ocupar o topo da lista de preocupações.

1. Alerta para uma crise financeira

As reuniões em Bangkok foram as primeiras realizadas na Ásia desde 2018, quando o encontro ocorreu em Bali, na Indonésia. A Tailândia sediou o evento pela última vez em 1991, seis anos antes de o fim da paridade do baht com o dólar americano desencadear a crise financeira asiática.

Em 2026, desequilíbrios globais, o avanço acelerado da inteligência artificial ou o acúmulo expressivo de dívidas no chamado “Norte Global” podem desencadear a próxima crise financeira, afirmou Kevin Gallagher, diretor do Centro de Políticas de Desenvolvimento Global da Universidade de Boston. Ele conversou com jornalistas em Pequim após participar das reuniões do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial.

O FMI demonstrou otimismo em relação às economias posicionadas para se beneficiar da cadeia global de suprimentos de inteligência artificial, como Coreia do Sul, Japão e China. Em contrapartida, adotou uma perspectiva menos favorável para os países que não estão nessa posição e alertou que a expansão da infraestrutura de IA está ampliando as diferenças entre as economias.

Os empréstimos relacionados à inteligência artificial também elevam os níveis de endividamento e disputam recursos com os governos, pressionando ainda mais os custos dos empréstimos. O FMI alertou que, caso a tecnologia não proporcione os ganhos de produtividade prometidos, as consequências para a economia global poderão ser graves.

Gallagher afirmou que acompanha a possibilidade de coordenação entre o FMI, o Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) e o Banco Popular da China. Segundo ele, essas instituições podem atuar de forma coordenada ou seguir direções diferentes e “piorar as coisas”.

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos também diverge do FMI sobre a dívida americana. A diretora-gerente do Fundo, Kristalina Georgieva, afirmou que o crescimento econômico robusto, por si só, não colocará os Estados Unidos em uma trajetória sustentável, com a dívida federal acima de US$ 40 trilhões.

David Zervos, assessor do secretário do Tesouro, Scott Bessent, rejeitou o alerta. “É bom lembrar como as previsões deles foram imprecisas no passado”, afirmou. “Portanto, é melhor considerar tudo isso com cautela.”

Também houve poucos sinais de coordenação entre as duas maiores economias do mundo. Autoridades financeiras chinesas e americanas ficaram sentadas a uma distância considerável umas das outras durante a reunião de ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais do G20, realizada na quinta-feira em Bangkok, de acordo com uma disposição dos assentos vista pela CNBC.

No sábado, o presidente do Banco Popular da China, Pan Gongsheng, disse ao Comitê Monetário e Financeiro Internacional que a China apoia uma supervisão mais rigorosa do FMI sobre os efeitos indiretos dos “riscos fiscais das principais economias avançadas”.

Ele afirmou que os países devem enfrentar seus próprios déficits fiscais, enquanto aqueles que registram superávits devem ampliar o consumo e os investimentos.

2. Ucrânia volta ao centro das tensões

A Rússia e a Ucrânia voltaram a ocupar uma posição central nas discussões da semana, em meio ao aumento das tensões. Autoridades russas também voltaram a participar de uma reunião de ministros das Finanças do G20, realizada na última quinta-feira à margem dos encontros do FMI.

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O ministro das Finanças da Rússia, Anton Siluanov, participou presencialmente pela segunda vez neste ano, após uma sessão do G20 realizada em agosto, em Asheville, na Carolina do Norte, ter provocado fortes críticas de líderes europeus. A pressão levou Siluanov a ficar de fora da foto oficial do grupo.

O ministro das Finanças da Alemanha, Lars Klingbeil, reiterou sua insatisfação com a presença da delegação russa. Em declaração à CNBC, afirmou que “fingir que a Rússia está voltando a ser um membro normal do G20 e sentando-se novamente à mesa — isso não vai acontecer comigo, nem com os outros europeus”.

Quase metade dos delegados do Comitê Monetário e Financeiro Internacional (IMFC) deixou a sala quando Siluanov discursava em russo, no sábado. O presidente do Banco Central da Ucrânia, Andriy Pyshnyi, disse à Reuters que ficou surpreso com o grande número de autoridades financeiras que manifestaram solidariedade à Ucrânia, descrevendo o episódio como um “momento profundo e emocionante”.

Após uma reunião de três horas na noite de quinta-feira, o Grupo dos Sete (G7) anunciou 260 milhões de euros (US$ 300 milhões) em recursos para a Ucrânia reparar a infraestrutura da usina nuclear de Chornobyl. O grupo espera elevar o montante para 500 milhões de euros, valor suficiente para financiar todo o projeto, durante uma conferência de doadores prevista para o próximo mês, em Paris.

O FMI alertou que o aumento da dívida pública está reduzindo a margem de manobra dos governos para financiar prioridades como a defesa.

3. China perde protagonismo

A China teve destaque nas reuniões do FMI em 2018, quando a guerra comercial entre o país e os Estados Unidos estava começando. Neste ano, porém, o país foi pouco mencionado nos painéis e nas entrevistas.

Tim Adams, presidente e CEO do Instituto de Finanças Internacionais, sediado em Washington, D.C., afirmou que a China raramente apareceu em suas conversas durante visitas recentes a Singapura e Bangkok.

“Teríamos tido uma longa discussão sobre as relações entre Estados Unidos e China, o impacto chinês na segunda onda de choques sobre as exportações na Europa e a influência do país no comércio e na indústria manufatureira globais. Mas, na prática, falamos muito pouco sobre isso”, disse Adams à CNBC em uma entrevista na sexta-feira.

Segundo ele, o motivo é que as relações entre Estados Unidos e China parecem ter alcançado “certo grau de estabilidade”, levando investidores a reduzir as preocupações com o país como fator de risco.

“A percepção é de que a relação está estável e sólida, sem muita tensão visível além do conjunto persistente de questões que já existem há algum tempo”, afirmou Adams.

Os investidores continuam relutantes em comprometer recursos em investimentos diretos na China, mas demonstram interesse nas ofertas públicas iniciais (IPOs) de empresas chinesas de tecnologia previstas para chegar ao mercado, disse ele. Adams também destacou uma demanda significativa por títulos chineses, em um cenário no qual a moeda do país permanece estável ou apresenta leve valorização.

“Parece haver uma avaliação mais convencional, como se a China fosse apenas mais um fator de risco, e não algo único e especial”, afirmou Adams.

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