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Trump usa protestos na França para reforçar discurso anti-imigração
Publicado 19/10/2026 • 21:20 | Atualizado há 45 minutos
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Publicado 19/10/2026 • 21:20 | Atualizado há 45 minutos
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Foto: Gage Skidmore / Creative Commons
A onda de protestos contra o custo de vida na França passou a integrar o discurso político do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que associou os episódios de violência à imigração a duas semanas das eleições de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro. A estratégia ocorre em um momento de dificuldades para o Partido Republicano nas pesquisas.
Nesta segunda-feira (19), Trump afirmou a jornalistas que havia advertido o presidente francês, Emmanuel Macron, sobre a política migratória do país. “Eu disse a ele há muito tempo: você está cometendo um grande erro na França. Está deixando entrar gente do mundo inteiro… Paris vai se tornar uma cidade muçulmana muito em breve”, declarou.
Leia também: Saques e incêndios atingem cidades francesas, e Trump culpa imigração pela violência
Mais cedo, o presidente americano, de 80 anos, escreveu na plataforma Truth Social: “Os migrantes tomaram conta da França. Eles precisam FECHAR AS FRONTEIRAS, RÁPIDO!”. As manifestações francesas começaram no fim de semana em reação à inflação elevada; parte dos atos terminou em saques e confrontos, levando autoridades a estabelecer toques de recolher parciais na segunda-feira.
Para JC Lintzenich, pesquisador sênior do centro de estudos German Marshall Fund, a reação da Casa Branca busca transformar uma crise externa em argumento eleitoral. “Eles estão pegando essa crise francesa e transformando-a em um argumento de campanha”, disse à AFP.
A disputa pelo controle do Congresso aumenta a importância dessa mobilização. Pesquisas de opinião citadas pela AFP indicam vantagem dos democratas para a votação de 3 de novembro, enquanto Trump tenta reforçar o apoio ao movimento Make America Great Again (MAGA).
Justin Vaisse, professor de política externa americana da Universidade Johns Hopkins, explicou à AFP que a Europa já faz parte da disputa de narrativas do movimento de Trump. “Desde o início do movimento MAGA, a Europa tem sido uma extensão do campo de batalha político dos Estados Unidos”, afirmou.
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Siga o Times | CNBCO vice-presidente JD Vance também reagiu às imagens dos protestos. No sábado (17), escreveu na rede X que “liberais ocidentais importaram o terceiro mundo para a França” e ignoraram questões de assimilação e compatibilidade. Comentaristas conservadores americanos, entre eles Glenn Beck, Benny Johnson, Nick Sortor e Jack Posobiec, atribuíram a crise à imigração proveniente de países de maioria muçulmana.
Segundo Vaisse, os distúrbios são interpretados por esses grupos como confirmação de advertências contra a imigração em geral e, especificamente, a imigração muçulmana. A pesquisadora Celia Belin, do Conselho Europeu de Relações Exteriores, classificou a reação como uma “exportação da política doméstica” americana.
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Belin afirmou à AFP que Trump e seus aliados retomaram rapidamente o argumento apresentado por Vance em Munique, em 2025, durante um discurso controverso sobre as diferenças políticas e culturais entre Estados Unidos e Europa. Na avaliação dela, o objetivo é “atiçar as chamas” do debate.
Apesar da repercussão internacional, especialistas questionam o efeito eleitoral dessa abordagem. Lintzenich, que estava na Carolina do Sul, observou que a propaganda política local se concentra em saúde e questões domésticas. Para ele, Ucrânia, Irã e outras preocupações de segurança nacional têm maior destaque que a instabilidade francesa.
Uma pesquisa do Pew Research Center divulgada neste mês mostra que a economia influencia a escolha de 82% dos eleitores americanos. A imigração aparece com 59%, enquanto questões raciais são citadas por 36%, segundo os dados mencionados pela AFP.
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Trump intensificou o combate à imigração, promessa de sua campanha de 2024, mas enfrenta desgaste por causa da inflação. Segundo a reportagem da AFP, tarifas comerciais e a guerra com o Irã pressionaram preços e contribuíram para a queda de sua aprovação. Vaisse avalia que associar os protestos franceses ao discurso identitário americano pode mobilizar a base republicana, mas “não vai conquistar um único voto” adicional.
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