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Eleições israelenses atraem dezenas de milhares de cidadãos que viajam de volta para votar

Publicado 26/10/2026 • 20:28 | Atualizado há 16 minutos

KEY POINTS

  • Até 80 mil israelenses que vivem no exterior podem voltar ao país para votar, em uma eleição marcada pela disputa acirrada.
  • Benjamin Netanyahu enfrenta Gadi Eisenkot em uma votação influenciada pela guerra com o Irã, pelo serviço militar obrigatório e pela reforma do Judiciário.
  • Iniciativa Fly & Vote facilita o retorno de eleitores, com voos fretados e passagens para ampliar a participação eleitoral.

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Bandeira de Israel

A disputa acirrada nas eleições israelenses desta terça-feira está levando milhares de cidadãos que vivem no exterior a voltar ao país de avião para votar.

Em Israel, os cidadãos que moram fora do país não podem votar no exterior, com exceção dos que trabalham em missões diplomáticas israelenses. Segundo estimativas de uma organização que ajuda a mobilizar eleitores residentes no exterior, até 80 mil israelenses poderão viajar de volta ao país para participar da votação. Israel tem cerca de 7,3 milhões de eleitores aptos a votar, de acordo com a Fundação Internacional para Sistemas Eleitorais, com sede em Washington.

“Embora não seja um contingente muito grande, esses 80 mil eleitores que podem voltar ao país para votar têm potencial para fazer uma diferença significativa no resultado de uma eleição tão disputada”, afirmou Yael Shomer, professora de ciência política da Universidade de Tel Aviv.

Na primeira eleição israelense desde 2022, o ex-primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, do Likud, que ocupou o cargo por 18 anos ao longo de três períodos, enfrenta seu principal adversário, Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel e líder do partido Yashar. Os dois podem precisar do apoio de outros partidos para formar uma coalizão capaz de governar.

As pesquisas indicam uma disputa acirrada às vésperas da votação. A segurança nacional, que já costuma pesar bastante na decisão dos eleitores israelenses, ganhou ainda mais destaque com a guerra contra o Irã em andamento. A isenção do serviço militar obrigatório para parte dos homens ultraortodoxos também divide profundamente a sociedade. Ao mesmo tempo, Netanyahu segue defendendo um plano controverso que ampliaria a influência da coalizão governista sobre o Judiciário.

“Todas as eleições em Israel são intensas, mas esta tem sido especialmente disputada porque pode ter consequências enormes para o futuro do país”, disse Shomer. “O que está em jogo é, de fato, a maneira como enxergamos nosso futuro, e a expectativa é de uma participação eleitoral muito alta.”

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Em 2022, pouco mais de 70% dos eleitores compareceram às urnas, segundo o Comitê Central Eleitoral de Israel. Desta vez, institutos de pesquisa estimam que a participação possa chegar a 87%. Entre os funcionários do serviço diplomático israelense que trabalham em embaixadas e consulados no exterior, a taxa de comparecimento foi de 90%. Em eleições anteriores, esse índice costumava ficar mais próximo de 70%, de acordo com o comitê.

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Para facilitar a volta dos israelenses que vivem no exterior, a America-Israel Democracy Coalition criou a iniciativa Fly & Vote. Sediado nos Estados Unidos, o grupo foi fundado originalmente em 2023 para se opor à proposta de reforma do Judiciário apresentada pelo Likud.

Embora organizações e partidos políticos não possam pagar pelo transporte de eleitores, seja dentro de Israel ou do exterior para o país, a coalizão encontrou outras formas de facilitar a participação na votação.

Com recursos de doações privadas, a Fly & Vote fretou um avião para israelenses que vivem em Portugal e comprou um lote de passagens em voos com saída da região de Nova York. Os passageiros tiveram de pagar pelas próprias passagens.

“Os israelenses que vivem fora do país continuam se importando com o que acontece aqui, e queremos ajudá-los”, afirmou Ora Peled-Nakash, cofundadora da iniciativa. “Mas não apoiamos nenhum lado político nem dizemos a ninguém em quem votar. Nosso papel é apenas ajudar essas pessoas a exercer seu direito de voto.”

Quem pretende viajar também conta com opções de voos comerciais.

Durante décadas, a El Al foi a única companhia aérea israelense a operar voos entre os Estados Unidos e Israel. A Arkia começou a oferecer voos nessa rota no ano passado, enquanto a Israir iniciou as operações no começo deste ano. As americanas United e Delta também retomaram os voos para Israel depois de suspenderem as operações em razão da guerra com o Irã. Na Europa, a alemã Lufthansa mantém voos para o país, e a British Airways deve retomar suas operações nesta semana.

Segundo Peled-Nakash, os preços das passagens estão dentro da faixa normalmente praticada. No domingo, ainda havia alguns assentos disponíveis em voos da El Al com saída dos aeroportos JFK e Newark, na região de Nova York, por valores entre US$ 1.300 (R$ 7.046,00) e US$ 2.500 (R$ 13.550,00), de acordo com um levantamento da CNBC.

Depois de anos de instabilidade política, que levaram Israel a realizar cinco eleições entre 2019 e 2022, o resultado desta terça-feira poderá definir os rumos políticos, econômicos e de segurança do país pelos próximos anos. A disputa também expõe a profunda divisão política que marca a sociedade israelense.

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