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Trajetória de Trump: como o presidente perdeu a coalizão que o levou à Casa Branca
Publicado 26/10/2026 • 17:55 | Atualizado há 12 minutos
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Publicado 26/10/2026 • 17:55 | Atualizado há 12 minutos
KEY POINTS
Foto: AFP
O presidente Donald Trump formou uma coalizão eleitoral incomum para vencer as eleições de 2024, reunindo sua base tradicional e conquistando o apoio de grupos historicamente alinhados aos democratas, como hispânicos e jovens. Essa combinação foi suficiente para garantir sua vitória nos estados decisivos e levá-lo a um segundo mandato.
A mais recente pesquisa econômica All-America da CNBC indica, porém, que essa coalizão está significativamente enfraquecida. Desde o início de seu segundo mandato, o índice de aprovação líquida do presidente entre os eleitores latinos caiu de -22 para -38 pontos. Entre os jovens de 18 a 34 anos, recuou de -28 para -53 pontos. Já entre os eleitores negros, passou de -55 para -67 pontos.
Considerando todos os eleitores registrados, a aprovação líquida de Trump caiu de -7 pontos no início do mandato para -19 pontos na pesquisa mais recente.
A perda de apoio também alcança a própria base republicana. Entre os eleitores que se identificam como apoiadores de Trump, o saldo de aprovação, que era de 85 pontos positivos em 2025, caiu para 65. No Sul do país, o índice líquido passou de +2 pontos em 2025 para -20 na pesquisa mais recente.
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Os resultados ajudam a explicar por que os republicanos enfrentam uma disputa difícil nas eleições de meio de mandato da próxima semana. Embora Trump não esteja concorrendo diretamente, sua popularidade deve influenciar o desempenho dos candidatos do partido.
Os republicanos entrevistados ainda demonstram apoio expressivo ao presidente: 82% aprovam sua atuação, percentual que chega a 90% entre aqueles que se identificam com o movimento MAGA. Entretanto, o interesse pelas eleições é 10 pontos percentuais menor entre republicanos do que entre democratas. Em disputas acirradas, a capacidade de mobilizar os eleitores pode ser determinante para o resultado.
Uma pesquisa com mil eleitores registrados em todo o país revelou que 44% consideram que sua principal preocupação, caso os republicanos mantenham o controle do Congresso, é permitir que Trump ultrapasse os limites de seus poderes constitucionais. Em contrapartida, 28% afirmam que seu maior receio, caso os democratas controlem o Legislativo, é a aprovação de políticas associadas aos socialistas democratas. Independentemente de qual partido detenha a maioria, os eleitores também demonstram preocupação com a falta de medidas eficazes do Congresso para reduzir os preços.
O levantamento foi realizado entre 14 e 18 de outubro, em parceria com as empresas de pesquisa eleitoral Hart Research Associates, ligada aos democratas, e Public Opinion Strategies, ligada aos republicanos. A margem de erro é de 3,1 pontos percentuais para mais ou para menos.
Após retornar à Presidência depois de um intervalo de quatro anos, Trump apresentou uma trajetória de aprovação incomum. Ao deixar o cargo no fim de seu primeiro mandato, tinha uma avaliação positiva de sua gestão econômica: 48% de aprovação e 41% de desaprovação. Os índices eram elevados para um presidente cujo último ano de governo foi marcado pela pandemia de Covid-19.
No segundo mandato, entretanto, não houve período inicial de lua de mel com o eleitorado. A aprovação de Trump na área econômica já era negativa na pesquisa da CNBC de abril de 2025. O resultado pode ter refletido a insatisfação imediata com a política tarifária do governo e a consequente instabilidade nos mercados. Durante a maior parte do primeiro ano do novo mandato, a avaliação econômica do presidente permaneceu negativa.
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Siga o Times | CNBCO cenário se deteriorou ainda mais com o início da guerra com o Irã. Em abril de 2026, o índice líquido de aprovação econômica de Trump atingiu níveis semelhantes aos registrados durante o governo de Joe Biden, quando os Estados Unidos enfrentavam os efeitos da pandemia, com inflação elevada e alto desemprego.
No primeiro trimestre deste ano, a aprovação líquida de Trump na economia caiu 10 pontos percentuais, chegando a -21. Na pesquisa mais recente, recuou para -31. A desaprovação de sua gestão econômica chegou a 65%, o maior índice registrado pela CNBC para qualquer presidente desde Barack Obama e um ponto percentual acima do pior resultado de Biden.
O levantamento também aponta uma insatisfação crescente com a condução da inflação pelo governo Trump. Ao mesmo tempo, casos de cidadãos americanos baleados por agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) passaram a ocupar espaço nas manchetes, enfraquecendo o apoio a uma das principais iniciativas políticas do presidente.
A pesquisa deste trimestre parece refletir uma frustração crescente com diferentes áreas do governo, da imigração à economia, especialmente entre grupos demográficos que apoiaram Trump em proporções incomuns nas eleições de 2024. Entre latinos, jovens e pessoas com renda anual entre US$ 50 mil e US$ 75 mil (aproximadamente R$ 270,7 mil a R$ 406,1 mil), houve quedas expressivas nos índices de aprovação geral e econômica do presidente.
Um dos resultados mais preocupantes para Trump foi a redução de 22 pontos percentuais no otimismo econômico entre os republicanos. Embora o indicador ainda seja positivo, esse foi o menor nível de confiança econômica registrado entre os integrantes do partido desde a Presidência de Biden.
O pessimismo em relação à economia, contudo, não se traduz automaticamente em apoio aos democratas. A pesquisa apontou uma preferência de sete pontos percentuais pelo controle democrata do Congresso, três pontos acima do resultado registrado em julho. Apesar da piora nas perspectivas econômicas entre os republicanos, também cresceu a preferência pelo controle republicano do Legislativo, de 85% em julho para 87% em outubro.
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Os trabalhadores braçais ilustram como Trump mantém parte de sua base mesmo diante das preocupações econômicas. Nesse grupo, a aprovação líquida de sua gestão econômica caiu 22 pontos desde o início do mandato, chegando a -15. A avaliação geral do presidente, por outro lado, permanece positiva, em +6 pontos, após uma queda de apenas quatro pontos.
Esses eleitores ainda preferem um Congresso controlado pelos republicanos por uma margem de 21 pontos percentuais, embora essa vantagem tenha diminuído em relação aos 33 pontos registrados em julho.
Nas semanas que antecedem a votação, Trump intensificou suas viagens a estados republicanos, em um movimento que sinaliza preocupação com o nível de mobilização de sua base. O presidente tem participado de eventos de campanha para incentivar os eleitores a comparecer às urnas. Ao mesmo tempo, suas aparições podem mobilizar ainda mais os apoiadores e levá-los a votar para conter possíveis avanços democratas.
Os dados da pesquisa indicam que os candidatos republicanos ao Congresso podem ter dificuldade para reproduzir, em 2026, os ganhos eleitorais proporcionados pela ampla coalizão que levou Trump de volta à Casa Branca dois anos antes.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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