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Empréstimos com garantia em ouro estão em alta na Índia; e atraindo investidores globais
Publicado 20/03/2026 • 13:10 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 20/03/2026 • 13:10 | Atualizado há 2 meses
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As famílias indianas estão sentadas sobre uma montanha de ouro. Elas possuem mais de 34 mil toneladas do metal precioso, segundo um relatório do Morgan Stanley de outubro do ano passado, enquanto o Kotak Mahindra Bank estima o valor em cerca de US$ 5 trilhões.
Essa enorme reserva está impulsionando um dos segmentos de crédito que mais crescem na Índia. Enquanto outras formas de crédito ao consumidor desaceleram, os empréstimos com garantia em ouro dispararam, impulsionados por regras mais rígidas para crédito sem garantia, pela forte alta do preço global do ouro, pela maior acessibilidade e, possivelmente, pelo aumento do estresse financeiro das famílias.
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Embora cerca de 90% do ouro das famílias ainda esteja parado, segundo Shripad Jadhav, do Kotak Mahindra Bank, o crédito lastreado em ouro começa a remodelar o mercado de crédito de varejo do país, atraindo inclusive investidores internacionais.
A gestora global de private equity Bain Capital fez uma aposta ousada nesse segmento, com planos de adquirir até 41,7% da Manappuram Finance, segunda maior provedora de empréstimos com garantia em ouro da Índia.
O acordo, aprovado pelo Reserve Bank of India no mês passado, mostra como investidores estrangeiros veem oportunidade nesse ativo tradicional, mas ainda subutilizado.
Em dezembro, o gigante financeiro japonês MUFG anunciou a compra de 20% da Shriram Finance, que pretende expandir sua atuação nesse tipo de crédito.
Dados do banco central mostram que os empréstimos com garantia em ouro mais que dobraram em um ano, atingindo 4 trilhões de rúpias (US$ 43,3 bilhões) em janeiro, ante 1,75 trilhão no ano anterior. Esse tipo de crédito já é o maior segmento de empréstimos de varejo depois de financiamentos imobiliários e de veículos — e o que cresce mais rápido.
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O tamanho real desse mercado pode chegar a 14 trilhões de rúpias, segundo Yan Wang, da Alpine Macro, já que os dados oficiais não capturam todo o setor.
Empresas financeiras não bancárias (NBFCs) respondem por cerca de 45% a 50% do volume desses empréstimos, segundo relatório da Macquarie.
Quando o banco central da Índia endureceu regras para crédito sem garantia no fim de 2023, muitos pequenos empresários perderam acesso a esse tipo de financiamento, segundo análise da S&P Global Market Intelligence.
“O crescimento dos empréstimos pessoais caiu de uma média de 30% para 12,2%”, afirmou a economista Hanna Luchnikava-Schorsch.
Ao mesmo tempo, o preço do ouro disparou: desde 2024, o metal subiu mais de 140%, ultrapassando US$ 5.000 por onça e atingindo recordes.
Esse aumento eleva o valor que pode ser obtido com a mesma quantidade de ouro, tornando esses empréstimos mais atrativos.
Historicamente, a demanda vinha do sul da Índia e de áreas semiurbanas, especialmente comunidades agrícolas.
Agora, o crescimento se espalhou por todo o país, incluindo grandes cidades, onde classe média e pessoas de alta renda utilizam esse tipo de crédito para necessidades financeiras urgentes.
Os maiores beneficiários desse movimento foram empresas como Manappuram Finance e Muthoot Finance, cujas ações subiram 24% e 47% no último ano, superando o índice Nifty 50.
“Muitas dessas empresas conseguem liberar um empréstimo em até uma hora”, disse Shreya Shivani, analista da Nomura.
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Mesmo pessoas com histórico de crédito ruim podem obter empréstimos com taxas melhores se possuírem ouro de qualidade — o que amplia o acesso ao crédito, mas também levanta preocupações.
Um crescimento acelerado desse tipo de empréstimo, que dispensa análises tradicionais de crédito, pode indicar pressão econômica. O relatório da Macquarie aponta que o aperto financeiro das famílias — com renda não acompanhando os custos — também impulsiona esse mercado.
Para Shripad Jadhav, porém, a alta desses empréstimos reflete “maturidade financeira”, com pessoas monetizando o ouro como uma forma rápida, simples e de baixo custo de obter crédito.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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