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Rota do Ártico avança como alternativa comercial global e pode redefinir disputas geopolíticas, diz especialista

Publicado 07/05/2026 • 14:36 | Atualizado há 48 minutos

KEY POINTS

  • A Rota Marítima do Norte pode reduzir custos logísticos, encurtar trajetos entre Ásia e Europa e ganhar espaço no comércio global nos próximos anos.
  • Degelo no Ártico amplia viabilidade da navegação, mas eleva preocupações ambientais e riscos de disputa entre EUA, Rússia, China e países europeus.
  • Segundo especialista, região já vive processo de militarização e deve se tornar foco crescente de tensão estratégica e econômica internacional.

A possibilidade de uma nova configuração das rotas marítimas globais no Ártico deve ganhar cada vez mais relevância na próxima década, impulsionada pela redução no tempo de transporte de cargas, menor consumo de combustível e pela busca de alternativas às regiões de instabilidade geopolítica. Para o professor de Relações Internacionais da ESPM, Roberto Uebel, a chamada Rota Marítima do Norte já desponta como um corredor estratégico para o comércio internacional.

“Ela pode se colocar até como uma alternativa viável às rotas tradicionais, em relação à duração do tempo de trajeto, diminuição do custo de frete e menor necessidade de combustível”, afirmou o especialista nesta quinta-feira (7), em entrevista ao Real Time, jornal do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

Segundo Uebel, o interesse crescente pela região ajuda a explicar movimentos recentes de grandes potências, especialmente dos Estados Unidos, da Rússia e da China, em torno do Ártico. Ele lembrou que o presidente Donald Trump voltou a mencionar neste ano o interesse estratégico pela Groenlândia justamente por causa da importância geopolítica da região.

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“O Ártico se torna estratégico porque oferece uma vantagem competitiva muito maior do que as rotas tradicionais”, ressaltou.

Degelo amplia viabilidade comercial

De acordo com o professor, a expansão da navegabilidade no Ártico está diretamente ligada às mudanças climáticas e ao avanço do degelo nas calotas polares, fenômeno que tornou a rota mais acessível nos últimos anos.

“Ela se torna viável nos últimos cinco anos em virtude também das mudanças climáticas. Ao derretimento das calotas polares, a navegabilidade se torna possível naquele oceano”, explicou.

Uebel afirmou que estudos internacionais indicam que a região poderá atingir um estágio de navegabilidade muito mais amplo ao longo da próxima década. “Diversos estudos colocam na margem de uma década uma plena navegabilidade, considerando o aumento da temperatura e o consequente degelo das águas do Ártico”, pontuou.

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Segundo ele, o novo corredor marítimo pode reduzir significativamente o tempo de transporte entre o leste asiático e o norte da Europa, além de diminuir a exposição a áreas consideradas mais instáveis do ponto de vista geopolítico, como o Canal de Suez, o Estreito de Ormuz e regiões sujeitas à pirataria marítima.

Região pode se tornar novo foco de tensão internacional

Apesar das vantagens econômicas, Uebel alertou que o Ártico está longe de ser uma área livre de disputas estratégicas. Segundo ele, o avanço comercial da rota pode acelerar um processo de militarização já em curso. “Uma militarização do Ártico não estaria fora do horizonte”, frisou.

O especialista destacou que atualmente já existe presença militar significativa dos Estados Unidos, de países da OTAN e da própria Rússia em áreas próximas ao círculo polar ártico, enquanto a China amplia seu interesse pela região como extensão da iniciativa comercial Belt and Road.

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“Hoje já tem uma presença significativa militar dos Estados Unidos, dos países da OTAN e da própria Rússia se posicionando ali nas ilhas que fazem parte do círculo glacial ártico”, destacou.

Segundo ele, embora o entorno do Ártico registre hoje menos tensões do que outras rotas marítimas globais, isso não significa que a região esteja imune a disputas futuras. “O Ártico possui menos tensões do que rotas tradicionais, mas não significa que seja uma região imune a um tensionamento geopolítico”, observou.

Impactos ambientais entram no cálculo global

Além dos aspectos econômicos e estratégicos, Uebel afirmou que o avanço da navegação no Ártico também amplia preocupações ambientais em escala global. “Estamos falando de aumento de circulação de navios cargueiros com combustível, e qualquer acidente pode levar a uma contaminação daquelas águas que são vitais para a biodiversidade”, alertou.

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Segundo ele, os impactos do degelo podem atingir diretamente países costeiros, inclusive o Brasil, devido à elevação do nível dos oceanos. “A questão da preservação da biodiversidade entra diretamente nesse cálculo”, concluiu.

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