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Encontro entre Lula e Zelensky amplia diálogo, mas não muda rumo da guerra

Publicado 18/06/2026 • 12:28 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Reunião durante o G7 fortalece simbolicamente as relações entre Brasil e Ucrânia após meses de distanciamento diplomático.
  • Professor avalia que Brasil busca recuperar protagonismo na mediação de conflitos, mas tem alcance limitado no atual estágio da guerra.
  • Possível reaproximação entre Estados Unidos e Irã pode enfraquecer a posição estratégica da Rússia no mercado global de energia.

O encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Volodymyr Zelensky durante a cúpula do G7 reforça o capital político dos dois líderes, mas tem impacto mais simbólico do que prático sobre os rumos da guerra entre Rússia e Ucrânia, segundo Rodrigo Medina Zagni, chefe do Departamento de Relações Internacionais da Unifesp. Para ele, a reunião sinaliza uma tentativa de reaproximação diplomática após um período de tensões entre Brasília e Kiev.

Segundo o professor, o fato de o encontro ter sido solicitado pelo próprio presidente ucraniano demonstra uma mudança de postura da Ucrânia em relação ao Brasil. “A reunião foi a pedido do próprio líder ucraniano, o que demonstra uma notável mudança de posição e informa uma estratégia de ampliar a pressão global contra o presidente russo”, afirmou em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, nesta quinta-feira (18).

Zagni destacou que o presidente brasileiro busca recuperar uma característica marcante de sua atuação internacional em mandatos anteriores. “É notável que o presidente brasileiro queira retomar algo que o caracterizou fortemente frente à comunidade internacional, que é o seu papel de intermediação em conflitos internacionais”, observou.

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Reaproximação diplomática

O especialista lembrou que as relações entre Brasil e Ucrânia enfrentaram turbulências nos últimos anos. Zelensky chegou a rejeitar publicamente a proposta de paz apresentada por Brasil e China e questionou a capacidade brasileira de exercer um papel relevante na mediação do conflito.

Apesar disso, Zagni discorda da avaliação de que o Brasil perdeu relevância internacional. “O Brasil tem importância em torno de uma série de agendas, sobretudo em relação à emergência climática. O presidente Lula é uma liderança que tem sido ouvida”, ressaltou.

Na avaliação do professor, o encontro no G7 representa um gesto importante de reaproximação, mas não altera substancialmente o cenário militar. “Isso não ultrapassa muito o campo simbólico”, ponderou.

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Guerra deve continuar

Para Zagni, ainda não existem condições políticas para um acordo de paz entre Rússia e Ucrânia. Segundo ele, nem Vladimir Putin nem Volodymyr Zelensky demonstram disposição para abrir mão de objetivos considerados centrais.

“Não vejo, no curto ou médio prazo, possibilidades de a guerra entre Rússia e Ucrânia findar. Não há vontade política para ceder parte dos seus interesses e chegar a bom termo”, avaliou.

O professor acrescentou que uma eventual definição militar do conflito ainda deve levar tempo. “Tudo indica que a guerra se decidirá em favor daquele que mais conseguir se manter na contenda”, afirmou.

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Efeito Irã sobre a Rússia

Zagni também relacionou o conflito na Ucrânia aos desdobramentos das negociações entre Estados Unidos e Irã. Segundo ele, uma normalização das exportações iranianas de petróleo pode reduzir a dependência ocidental da energia russa e enfraquecer a posição de Moscou.

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“Pouco interessa a Moscou o fim da contenda entre Estados Unidos e Irã”, afirmou. Na visão do especialista, a reabertura plena do mercado iraniano poderia facilitar uma nova rodada de sanções contra a Rússia por parte de países europeus e integrantes do G7.

Ainda assim, ele ressaltou que o cenário internacional permanece altamente incerto. “Estamos frente a incertezas. Não arrisco projetar nada para muito além do que eu aqui disse, porque a possibilidade de sermos pegos de assalto pela própria realidade é o que se impõe”, concluiu.

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