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EUA aplicam tarifa de 50% ao Canadá após fracasso nas negociações
Publicado 22/08/2026 • 08:21 | Atualizado há 3 horas
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Publicado 22/08/2026 • 08:21 | Atualizado há 3 horas
KEY POINTS
Donald Trump em encontro com primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney
Mark Schiefelbein/Associated Press/Estadão Conteúdo
As novas tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos sobre uma série de produtos canadenses entraram em vigor neste sábado (22), após o fracasso das negociações de última hora entre Washington e Ottawa. A medida amplia a tensão entre dois dos parceiros comerciais mais integrados do mundo e já provoca uma reação do governo canadense.
As tarifas atingem cerca de US$ 20 bilhões em mercadorias, o equivalente a pouco mais de 5% das exportações canadenses destinadas ao mercado americano. Entre os produtos afetados estão cimento e artigos esportivos, como tacos de hóquei.
O governo do presidente Donald Trump acusa o Canadá de ter recuado em compromissos negociados ao longo da semana e apresentado novas exigências que impediram a conclusão do acordo.
“Nesta noite, o Canadá se recusou a fechar o acordo comercial sob os termos acordados no início da semana”, afirmou Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos.
Segundo Greer, Washington havia oferecido condições mais favoráveis ao Canadá do que a outros grandes exportadores, além de tarifas menores para setores como aço, alumínio, automóveis e madeira em troca de concessões canadenses.
O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, apresentou uma versão diferente para o fracasso das negociações. Segundo ele, Washington alterou pontos importantes da proposta na final das conversas.
Carney classificou as mudanças como “injustas” e “antieconômicas” e afirmou que elas colocavam em dúvida a confiabilidade de um eventual acordo.
O premiê também prometeu reagir às novas barreiras comerciais. O Canadá pretende igualar as tarifas americanas “dólar por dólar” para proteger trabalhadores e empresas do país. Novas medidas de apoio aos setores atingidos também devem ser anunciadas nos próximos dias.
As negociações haviam ganhado uma sobrevida depois que Trump adiou por três dias a entrada em vigor das tarifas. O prazo adicional terminou sem entendimento, e as cobranças começaram a valer à 0h01 deste sábado, no horário local.
No momento, não há novas reuniões entre os dois governos programadas.
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Siga o Times | CNBCA disputa ganha dimensão porque Estados Unidos e Canadá mantêm uma das relações econômicas mais profundas do mundo. O comércio bilateral de bens e serviços movimentou cerca de US$ 880 bilhões no ano passado.
A dependência é especialmente relevante para o Canadá: aproximadamente 70% das exportações canadenses têm os Estados Unidos como destino. Por isso, uma escalada tarifária pode pressionar empresas, empregos e investimentos no país.
Do lado americano, também existe risco de impacto sobre os preços. As tarifas são cobradas inicialmente dos importadores dos Estados Unidos, que podem absorver o custo ou repassá-lo aos consumidores.
Esse efeito ganha peso político às vésperas das eleições de meio de mandato de novembro, em um momento em que o custo de vida permanece entre as preocupações dos eleitores americanos.
Estados Unidos e Canadá acumulam disputas comerciais antigas, principalmente em áreas como madeira e produtos lácteos. Mesmo assim, os conflitos econômicos tradicionalmente coexistiram com uma forte cooperação diplomática, militar e comercial.
Essa relação passou a enfrentar maior tensão desde o retorno de Trump à Casa Branca. O presidente americano defende tarifas como instrumento para estimular a produção dentro dos Estados Unidos e reduzir a dependência de produtos estrangeiros.
Trump também provocou reação no país vizinho ao mencionar repetidamente a possibilidade de transformar o Canadá no 51º estado americano.
Agora, a disputa tarifária acrescenta pressão a essa relação. Ottawa já sinalizou que pretende reduzir sua dependência do mercado americano e diversificar seus parceiros comerciais.
Além da batalha atual, os dois países ainda têm pela frente outra negociação de peso: a revisão do acordo comercial entre Estados Unidos, México e Canadá, conhecido como T-MEC.
Com tarifas e retaliações sobre a mesa, o desafio deixa de ser apenas encontrar um acordo para produtos específicos. Washington e Ottawa precisam evitar que uma disputa comercial pontual se transforme em uma ruptura mais profunda entre duas economias que passaram décadas crescendo de forma integrada.
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