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EXCLUSIVO CNBC: Ex-diretor do Fed chama inflação dos EUA de “fantasma” e critica alta dos juros
Publicado 27/08/2026 • 20:30 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 27/08/2026 • 20:30 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
O ex-diretor do Federal Reserve e estrategista sênior da Hudson Bay Capital, Stephen Miran, criticou o uso de componentes que considera defasados e tecnicamente distorcidos na medição da inflação dos Estados Unidos.
Em entrevista exclusiva à CNBC, ele classificou parte da pressão atual sobre o índice PCE, principal indicador acompanhado pelo Fed, como “inflação fantasma”.
Segundo Miran, o núcleo do CPI, índice de preços ao consumidor, gira em torno de 2,5%, um patamar que considera historicamente normal. Já o núcleo do PCE aparece em um nível mais elevado por diferenças metodológicas, além de componentes que, na sua avaliação, não refletem diretamente os preços pagos pelos consumidores.
Um dos principais exemplos citados pelo estrategista é o peso dos serviços de gestão de portfólio no cálculo da inflação.
De acordo com Miran, a alta do mercado de ações eleva mecanicamente as taxas relacionadas à gestão de ativos e, consequentemente, o núcleo do PCE. Ele afirmou que esse componente responde por cerca de 45 pontos-base da inflação anual medida pelo índice.
“Isso não são preços ao consumidor, isso não é real”, afirmou.
Miran também apontou problemas na forma como o avanço tecnológico é contabilizado nos índices. Segundo ele, melhorias de qualidade podem ser registradas como simples aumentos de preços.
Como exemplo, citou softwares que incorporam recursos de inteligência artificial. Caso um programa passe a oferecer uma nova ferramenta de IA e tenha o preço elevado, o índice pode registrar integralmente a mudança como inflação, sem considerar a melhoria do produto.
Para Miran, essas distorções relacionadas aos serviços de gestão de portfólio e à medição de softwares podem somar quase 70 pontos-base ao núcleo do PCE.
O estrategista afirmou que o Bureau of Economic Analysis, responsável pela divulgação do indicador, já reconheceu a necessidade de mudanças metodológicas e deve divulgar revisões nas próximas semanas.
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Siga o Times | CNBCSegundo Miran, as alterações podem resultar em uma revisão para baixo da inflação medida pelo núcleo do PCE. A dimensão do ajuste, no entanto, ainda é incerta.
“Poderia ser 20 pontos-base, poderia ser 40 pontos-base. Existe uma faixa”, afirmou.
Na avaliação de Miran, seria difícil justificar uma mudança para uma política mais restritiva depois de o Fed ter decidido manter os juros em reuniões anteriores e, desde então, receber dados de inflação considerados mais favoráveis.
“Não existe uma função de reação que justifique manter os juros em junho e julho e aumentá-los em setembro”.
Miran argumentou que a política monetária deveria considerar a tendência dos dados, especialmente diante da possibilidade de revisões metodológicas para baixo no PCE.
Segundo ele, a credibilidade do Federal Reserve não deve depender apenas do cumprimento literal do indicador, sem considerar eventuais problemas na forma como a inflação é medida.
Para o estrategista, se os erros de medição aumentam ao longo do tempo, a própria meta de inflação pode acabar sendo alterada de forma implícita.
“A meta é escolhida com isso em mente. Por isso temos 2%, não zero ou um. Mas, se o erro de medição cresce com o tempo, você está implicitamente movendo sua meta de inflação”.
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