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EXCLUSIVO CNBC: Presidente do Fed de St. Louis defende juros mais altos para levar inflação a 2%
Publicado 20/08/2026 • 20:00 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 20/08/2026 • 20:00 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
O Federal Reserve (Fed, o banco central americano) ainda precisa manter uma postura restritiva para levar a inflação dos Estados Unidos de volta à meta de 2%, afirmou Alberto Musalem, presidente do Fed de St. Louis, em entrevista exclusiva à CNBC. Segundo ele, a inflação subjacente permanece elevada e o risco de persistência dos preços ainda supera a possibilidade de uma convergência rápida para a meta.
“A inflação subjacente, quando excluímos os choques de oferta, está entre 2,5% e 3%, o que é muito alto. Precisamos levar a inflação a 2% em 18 meses”, afirmou Musalem.
O dirigente disse que apoiou a decisão de elevar os juros na reunião anterior e argumentou que movimentos antecipados e graduais são preferíveis a uma resposta mais forte posteriormente.
“Acredito que aumentos de juros mais precoces e mais graduais são preferíveis, melhores e menos disruptivos do que aumentos posteriores, potencialmente maiores e mais abruptos”, disse.
Musalem não participa com direito a voto neste mandato, mas afirmou que sua recomendação de política monetária foi de aumento da taxa.
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Para Musalem, a inflação continua sendo o principal problema para a política monetária americana.
O dirigente afirmou que, em suas conversas com famílias, empresas e governos locais, o aumento do custo de vida permanece como uma das principais preocupações.
“Quando circulo pelo meu distrito e converso com famílias, empresas e governos, a maior preocupação deles agora é a inflação”, disse.
Segundo ele, a alta dos preços tem limitado o crescimento da renda real disponível das famílias, ao mesmo tempo em que consumidores recorrem mais à poupança, crédito e efeitos de riqueza para sustentar os gastos.
Musalem também citou custos elevados de insumos para empresas e contratos mais curtos ou indexados à inflação em governos locais.
“A inflação está acima da meta. Todo mundo pode ver isso”, afirmou.
O presidente do Fed de St. Louis disse que a inflação não pode ser explicada apenas por choques de oferta, como tarifas e energia.
“A minha percepção é que a inflação está alta por dois motivos. Tivemos uma sequência de choques de oferta […] e, além disso, temos forças de demanda muito persistentes na economia”, disse.
Entre essas forças, Musalem destacou os investimentos ligados à inteligência artificial.
Segundo ele, a expansão da IA afeta a economia diretamente por meio do Capex das empresas e indiretamente pela valorização dos ativos e pelos efeitos de riqueza sobre os consumidores.
“O desenvolvimento da IA, diretamente em Capex e investimento e, indiretamente, através dos preços das ações e efeitos de riqueza sobre os consumidores”, afirmou ao listar fatores que sustentam a demanda.
Musalem também disse que ganhos de produtividade e a maior competição por capital podem exercer pressão de alta sobre a taxa de juros neutra da economia.
“Quando há aumento de produtividade, isso deve subir a taxa neutra, e temos uma competição por capital, com certeza. Tudo isso exerce pressão de alta sobre as taxas reais”, afirmou.
O presidente do Fed de St. Louis afirmou que o mercado de títulos também reflete uma forte disputa por recursos.
“Há uma competição por capital vinda do financiamento governamental, financiamento bruto do governo, mas também do avanço da IA que está sendo financiado nos Estados Unidos e globalmente agora”, disse.
Segundo Musalem, essas forças ajudam a explicar a elevação do prêmio de prazo nos Treasuries.
Apesar do movimento, ele afirmou que as expectativas de inflação seguem ancoradas e que a credibilidade do banco central não está sendo questionada.
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Siga o Times | CNBC“As expectativas de inflação estão ancoradas. A credibilidade do Fed não está em xeque”, afirmou.
Musalem também levantou a possibilidade de que o aumento dos rendimentos esteja retirando capital de outros segmentos da economia.
“Pode haver disputa por capital entre governos, hyperscalers e o mercado imobiliário. Algumas pequenas empresas, as PMEs. Portanto, pode haver um efeito de exclusão”, disse.
Questionado se intervenções do Tesouro americano no mercado de títulos poderiam dificultar uma eventual alta de juros pelo Fed, Musalem descartou essa relação.
“Não. Nosso foco é muito simples. Nós nos concentramos no mercado de trabalho e na inflação”, afirmou.
Segundo ele, a política monetária é definida independentemente das decisões relacionadas à administração da dívida pública e à política fiscal.
“Nós definimos a política monetária de forma independente, independentemente da administração da dívida ou da política fiscal”, disse.
Musalem reconheceu que os dados mais recentes do mercado de trabalho vieram abaixo do esperado, mas afirmou que uma única divulgação não é suficiente para alterar sua visão sobre a política monetária.
“Não é um único dado que vai mudar minha opinião”, afirmou.
Segundo ele, o Fed combina indicadores econômicos, pesquisas e informações qualitativas antes de cada reunião.
Musalem destacou como ponto positivo a ausência de sinais relevantes de pressão inflacionária vindos dos salários.
“Os custos unitários do trabalho e os índices de custo do emprego sugerem que não há pressão inflacionária vinda do mercado de trabalho. Portanto, em relação à inflação, temos alguns dados bastante encorajadores”, disse.
Ainda assim, afirmou que parte da fraqueza do emprego pode refletir fatores sazonais, especialmente relacionados ao emprego de professores em governos estaduais e locais.
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O dirigente também se mostrou favorável a uma redução do uso do chamado forward guidance, ferramenta pela qual o banco central sinaliza previamente a trajetória provável dos juros.
“Acho que o forward guidance é útil quando os juros estão em zero. Não estamos em zero agora”, afirmou.
Segundo ele, em condições monetárias normais, a taxa de juros deve voltar a ser o principal instrumento de política monetária.
“Estou aberto e concordo em deixar o forward guidance de lado”, disse.
Musalem fez, porém, uma distinção entre abandonar compromissos antecipados com uma trajetória de juros e deixar de comunicar os objetivos da instituição.
Para ele, o Fed ainda precisa deixar claro ao mercado qual é sua meta, qual o horizonte para alcançá-la e quais instrumentos pretende utilizar.
“Minha estrutura é que 2% é nossa meta. A inflação do PCE é nosso índice-alvo. Com choques de oferta, deve-se olhar a inflação do núcleo. Quero a inflação em 2% em 18 meses. A ferramenta principal é a taxa de juros”, afirmou.
O presidente do Fed de St. Louis disse que chegará à próxima reunião sem uma decisão previamente tomada e que continuará avaliando o conjunto dos dados antes de definir sua posição.
“Eu nunca quero fazer um pré-julgamento. Quero manter a mente aberta em cada reunião”, afirmou.
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