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GM desenvolve baterias nos EUA para reduzir dependência da China

Publicado 12/09/2026 • 17:13 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • A General Motors busca desenvolver células de bateria de próxima geração que, segundo a companhia, ajudarão a reduzir a dependência dos Estados Unidos da China.
  • A rival Ford Motor enfrentou recentemente críticas do governo Trump por seus vínculos com uma empresa chinesa de tecnologia de baterias.
  • Além dos veículos elétricos, a GM trabalha para produzir nos EUA células de bateria destinadas a sistemas de armazenamento de energia, usados em residências, empresas e data centers.

Divulgação / GM

Kurt Kelty, vice-presidente de baterias e sustentabilidade da GM, discursa em 9 de junho de 2026, durante o evento “Empower” da montadora, no qual foi anunciado o desenvolvimento de baterias de íon-sódio para sistemas de armazenamento de energia

A General Motors está nos estágios iniciais do desenvolvimento de células de bateria de próxima geração que, segundo a companhia, podem reduzir a dependência dos Estados Unidos da China e, ao mesmo tempo, ampliar o uso de materiais de origem doméstica.

“Estamos desenvolvendo uma cadeia de suprimentos para que, daqui a dois ou três anos, ela seja doméstica”, disse Kurt Kelty, vice-presidente de baterias e sustentabilidade da GM, à CNBC em entrevista exclusiva. “É isso que buscamos – quando chegarmos ao mercado, teremos uma fonte doméstica para isso.”

Kelty se referia principalmente às células de bateria que a montadora espera utilizar em sistemas de armazenamento de energia (ESS, na sigla em inglês), dispositivos estacionários para residências e empresas, incluindo data centers. Mas a companhia planeja priorizar de forma semelhante a produção doméstica de células de bateria para seus futuros veículos totalmente elétricos, reafirmou um porta-voz à CNBC.

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Os comentários de Kelty ocorreram dias antes de a rival da GM em Detroit, a Ford Motor, enfrentar críticas do governo Trump por suas relações com empresas chinesas, inclusive na produção doméstica de células de bateria.

GM aposta em baterias de íons de sódio

Para os sistemas de armazenamento de energia, a GM fechou parceria com a startup Peak Energy, de Denver, para desenvolver células de bateria de íons de sódio. A ideia é reduzir a necessidade de materiais dominados pela China – como lítio e sulfato ferroso, um subproduto da produção de titânio – e, em vez disso, usar baterias fabricadas nos Estados Unidos com materiais mais abundantes no país, como o sódio proveniente da barrilha.

A GM trabalha com uma variedade de composições químicas de baterias para diferentes aplicações em sistemas de armazenamento de energia e em seus veículos elétricos. Assim como na culinária, cada ingrediente e a quantidade colocada em uma célula de bateria podem alterar o resultado do produto. No caso das baterias, isso pode significar diferenças de desempenho, custo e estabilidade.

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A GM espera iniciar a produção comercial de células de bateria de íons de sódio com a Peak por volta de 2029. Enquanto isso, produz outras composições químicas para sistemas de armazenamento e veículos elétricos que utilizam quantidades não divulgadas de materiais provenientes da China.

China domina cadeia global de baterias

Atualmente, a maioria das células de bateria depende de matérias-primas provenientes da China. A Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) informa que o país produz cerca de 85% do material ativo para cátodos de baterias de veículos elétricos no mundo e mais de 90% do material ativo para ânodos, o que resulta em um controle de 80% da produção de baterias.

A China, por exemplo, controla em grande medida o fornecimento e a produção de baterias de fosfato de ferro-lítio (LFP) por meio de suas cadeias de suprimentos. Atualmente, a GM fabrica células LFP com sua parceira LG Energy Solution nos Estados Unidos para sistemas de armazenamento de energia, enquanto a Ford licenciou tecnologia da chinesa CATL para células LFP destinadas a seus veículos elétricos e planos de armazenamento de energia.

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“É uma história muito boa, porque você tem os recursos [nos Estados Unidos] para manter tudo totalmente doméstico”, disse Kelty. “Vai levar algum tempo para desenvolver essa indústria, mas o potencial dos íons de sódio é simplesmente muito maior do que o do LFP.”

O governo Trump tem dado atenção especial ao desenvolvimento da cadeia americana de fornecimento de baterias e à redução de sua dependência da China.

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No início desta semana, o secretário de Transportes, Sean Duffy, expressou “profunda preocupação” com as relações da Ford com a China, citando especificamente o licenciamento da CATL. Isso apesar de a Ford ser a montadora que mais produz veículos nos Estados Unidos.

Dias antes, Kelty afirmou sobre a Ford que “eles estão seguindo um caminho diferente”.

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“Acreditamos que é mais valioso desenvolver tudo isso internamente, aproveitar as cadeias domésticas de suprimentos e desenvolver uma tecnologia que seja, de fato, melhor do que a tecnologia existente”, afirmou Kelty, ex-executivo de baterias da Tesla, líder americana em veículos elétricos.

Superar a tecnologia chinesa?

Sam Abuelsamid, especialista em baterias e vice-presidente de pesquisa de mercado da Telemetry, observou que provavelmente levará anos para tornar doméstica uma cadeia de fornecimento de baterias.

Ao mesmo tempo, a China continua desenvolvendo e produzindo novos tipos de composições químicas, incluindo as de íons de sódio. “Não há motivo para que os materiais LFP também não possam ser produzidos aqui”, disse Abuelsamid. “Há maneiras de fazer isso, mas […] os íons de sódio seriam ainda mais baratos e fáceis de produzir.”

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Kelty afirmou diversas vezes que a GM espera “dar um salto à frente” das tecnologias chinesas de baterias, observando que seria difícil competir diretamente com as cadeias de suprimentos chinesas ou imitar o que aquele mercado já estabeleceu.

“O melhor a fazer é tentar dar um salto à frente, desenvolver uma tecnologia diferente que seja realmente melhor e que possamos obter aqui”, disse Kelty.

Armazenamento de energia ganha importância

Kelty afirmou considerar os íons de sódio a melhor solução para sistemas de armazenamento de energia porque sua composição química e tolerância à temperatura permitem que as células funcionem sem refrigeração ativa – uma importante fonte de custos e complexidade associada a esses sistemas. Essa melhoria significa reduzir o custo de propriedade do armazenamento de energia, afirmou.

A montadora de Detroit está investindo US$ 900 milhões (R$ 4,61 bilhões) em novas instalações de laboratórios de baterias em seu campus global de tecnologia nos arredores de Detroit. Isso inclui uma unidade de mais de 500 mil pés quadrados destinada à fabricação de protótipos de células, que deverá começar a operar ainda neste ano.

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Ainda assim, esse volume de recursos é pequeno em comparação com o que seria necessário para reduzir substancialmente o domínio da China sobre a indústria.

“Estamos deliberadamente seguindo o caminho de ter uma tecnologia desenvolvida nos Estados Unidos”, disse Kelty. “As baterias são realmente fundamentais para muitas áreas diferentes da nossa economia.”

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