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Fed segura cortes de juros e mercado adia apostas para 2026
Publicado 24/02/2026 • 11:15 | Atualizado há 3 meses
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KEY POINTS
Brendan McDermid/Reuters
Austan Goolsbee, presidente e CEO do Banco da Reserva Federal de Chicago
O Federal Reserve voltou a sinalizar que não tem pressa para cortar os juros, reforçando um cenário de política monetária mais restritiva por mais tempo nos Estados Unidos.
O presidente do Fed de Chicago, Austan Goolsbee, afirmou que qualquer movimento de redução nas taxas depende de evidências mais claras de queda da inflação, que ainda permanece acima da meta de 2%.
“Antecipar muitos cortes nas taxas não é prudente nessas circunstâncias”, disse o dirigente, em discurso em Washington. “Antes de estimular a economia, precisamos garantir que a inflação está voltando a 2%.”
A fala reforça a leitura de que o banco central americano quer evitar repetir o erro de classificar a inflação como temporária, avaliação feita no início do ciclo inflacionário pós-pandemia.
Apesar de ter recuado em relação aos picos recentes, a inflação ainda está longe do nível considerado ideal pelo Fed.
O índice de preços de consumo pessoal, principal indicador da autoridade monetária, aponta que a inflação subjacente está em 3%, com pressão persistente principalmente no setor de serviços e no custo de moradia.
Para Goolsbee, esse patamar ainda não é confortável. “Ficar em 3% não é suficiente. Não foi isso que prometemos”, afirmou.
O dirigente destacou ainda que parte das pressões inflacionárias não está ligada a tarifas, o que exige atenção redobrada da política monetária.
Na prática, isso significa juros altos por mais tempo, um cenário que impacta diretamente o custo do crédito global e o fluxo de capital entre países.
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O discurso mais cauteloso do Fed vem sendo acompanhado por uma mudança nas expectativas do mercado.
Hoje, investidores já consideram que o banco central americano deve manter os juros inalterados pelo menos até meados do ano, com probabilidade dividida para um corte em junho e maior chance apenas a partir de julho.
O Fed já realizou três reduções de 0,25 ponto percentual no segundo semestre de 2025, mas o ciclo agora parece ter entrado em pausa.
Até mesmo membros tradicionalmente mais favoráveis a juros menores têm adotado tom mais moderado. O diretor Christopher Waller afirmou que o mercado de trabalho mais resiliente reduz a urgência de novos cortes, embora ainda haja incertezas sobre a força da economia.
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Para economias como o Brasil, a mensagem do Fed é direta: o ambiente global segue restritivo.
Juros elevados nos Estados Unidos tendem a fortalecer o dólar, atraindo capital para ativos americanos e reduzindo o apetite por mercados emergentes.
Isso pressiona moedas como o real, encarece o crédito externo e pode limitar o espaço para cortes mais agressivos na taxa Selic.
Além disso, um cenário de juros altos por mais tempo reduz a liquidez global, o que impacta diretamente setores dependentes de financiamento, como infraestrutura, tecnologia e consumo.
No radar do mercado, a expectativa agora é menos sobre quando o Fed vai cortar juros e mais sobre quanto tempo a inflação continuará resistente e até que ponto o banco central americano está disposto a manter a política apertada para controlá-la.
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