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Governo Trump não dará ‘escudo de responsabilidade’ a empresas de IA, diz Bessent à CNBC
Publicado 21/09/2026 • 13:45 | Atualizado há 1 hora
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Governo Trump não dará ‘escudo de responsabilidade’ a empresas de IA, diz Bessent à CNBC
Publicado 21/09/2026 • 13:45 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Yuri Gripas / AP Photos
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent
Desenvolvedores de inteligência artificial “precisam assumir a própria responsabilidade”, em vez de esperar que o governo federal ofereça um “escudo de responsabilidade jurídica”, afirmou o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, à CNBC nesta segunda-feira (21).
“São os seres humanos os responsáveis, não a IA”, disse Bessent ao programa “Squawk Box”, quando questionado sobre sua concordância com a oposição do presidente Donald Trump a uma ofensiva regulatória contra o setor emergente.
Os comentários de Bessent ocorreram enquanto alguns líderes da indústria de IA alertam para os riscos apresentados por modelos que avançam rapidamente. Os pedidos por uma possível desaceleração do setor, porém, enfrentam resistência de Trump, que apoia fortemente a expansão das empresas de inteligência artificial e dos data centers nos Estados Unidos.
Bessent também foi questionado sobre as taxas de juros, suas conversas recentes com o homólogo chinês, He Lifeng, e a tentativa de Trump de banir veículos de imprensa da Casa Branca.
Leia também: Trump anuncia “AI Force” e diz que inteligência artificial pode representar até 25% do PIB dos EUA
O secretário do Tesouro afirmou que se reuniu por 12 horas no domingo com o vice-primeiro-ministro chinês, antes da cúpula prevista para ocorrer em Washington, ainda nesta semana, entre Trump e o presidente da China, Xi Jinping.
Segundo Bessent, os dois representantes discutiram inteligência artificial e formalizaram conversas que provavelmente levarão a um novo encontro em Shenzhen, na China, ainda neste ano. A cidade sediará, em novembro, uma cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec).
Eles também discutiram a possibilidade de criar um canal de comunicação para futuros incidentes relacionados à IA. O objetivo seria permitir que os dois países chegassem a um entendimento sobre os principais riscos da tecnologia, incluindo agentes autônomos incontroláveis, atores não estatais envolvidos em ataques cibernéticos e grupos não estatais que utilizem armas biológicas, afirmou Bessent.
O secretário disse que um dos pontos centrais da reunião foi a proximidade do vencimento da trégua comercial temporária entre Estados Unidos e China. O acordo, que consolidou uma pausa instável na guerra comercial entre as duas potências, está previsto para expirar em 10 de novembro.
As conversas ocorreram enquanto Bessent lidera os esforços dos Estados Unidos para pressionar a economia do Irã por meio de sanções contra instituições e agentes que viabilizam suas transações financeiras. A iniciativa levantou dúvidas sobre a possibilidade de o governo Trump também atingir a China, principal parceiro comercial de Teerã.
Bessent afirmou que o tema foi abordado nas conversas do fim de semana, mas não forneceu detalhes.
O secretário confirmou que Trump pretende receber Xi Jinping na pista da Base Conjunta Andrews, em Maryland. “Acho que teremos uma ótima visita”, disse.
Questionado sobre a decisão do Federal Reserve, o banco central americano, de elevar os juros na semana passada pela primeira vez desde 2023, Bessent previu que as taxas cairão quando terminar a guerra no Irã.
“Quando estivermos do outro lado desse conflito, o que vai acontecer, acho que os mercados de petróleo estarão mais abastecidos do que estavam antes, e as taxas deverão cair”, afirmou.
O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) votou por unanimidade a elevação dos juros básicos para uma faixa entre 3,75% e 4%, com o objetivo de reduzir a “inflação elevada”.
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Siga o Times | CNBCTrump, que nomeou Kevin Warsh para a presidência do Fed, tem exigido repetidamente que o banco central corte os juros. Antes da reunião do Fomc, porém, o presidente disse a jornalistas que havia conversado com Warsh e afirmado: “Você pode muito bem votar com o conselho. Não vai fazer diferença”.
Bessent tem ocupado uma posição central na resposta do governo a indicadores econômicos cada vez mais voláteis. Na semana passada, ele destacou uma operação do Tesouro realizada em 10 de setembro, que recomprou mais de US$ 5 bilhões em títulos de dez e 20 anos.
Desde o início da guerra contra o Irã, no fim de fevereiro, o rendimento do título do Tesouro americano de dez anos – que se move inversamente ao preço do papel – subiu cerca de 100 pontos-base. Na semana passada, a taxa ultrapassou 5% pela primeira vez desde 2007.
O rendimento dos títulos de dez anos influencia os custos de empréstimos de longo prazo, incluindo as taxas de financiamento imobiliário, que superaram 7% neste mês pela primeira vez em mais de um ano.
Em depoimento ao Comitê de Serviços Financeiros da Câmara dos Representantes, em 15 de setembro, Bessent classificou a recompra mais recente como “bem-sucedida”, apesar de os rendimentos continuarem subindo após a operação.
“Havia o cenário alternativo do que teria acontecido”, afirmou Bessent ao comitê, sugerindo que os rendimentos poderiam ter subido ainda mais sem a recompra.
“Desde que o presidente Trump assumiu, o mercado de títulos dos Estados Unidos tem sido o mercado de títulos com melhor desempenho no mundo desenvolvido”, disse Bessent.
Leia também: Trump considera termo “inteligência artificial” impreciso e abre enquete para escolher novo nome
A alta dos rendimentos ocorre ao mesmo tempo em que os preços do diesel avançam significativamente em razão da guerra no Irã.
As preocupações com o custo dos combustíveis e de outros produtos essenciais de consumo também despertam apreensão entre republicanos no Congresso americano, que temem perder o controle da maioria nas eleições de novembro.
Na entrevista à CNBC, Bessent também defendeu a decisão de Trump, na sexta-feira, de banir três veículos de imprensa – MS NOW, CNN e Politico – da Casa Branca. A medida foi tomada após o presidente alegar que os veículos fazem uma cobertura injusta de seu governo.
Inicialmente, Bessent afirmou que sabia pouco sobre a decisão. Em seguida, porém, disse que o “viés percebido” na chamada “mídia tradicional” contribuiu para tornar a imprensa impopular.
“A única coisa de que tenho certeza é que a imprensa se importa mais com a própria imprensa do que com qualquer outra coisa”, declarou.
Os três veículos de comunicação processaram Trump nesta segunda-feira, alegando violação da Primeira Emenda da Constituição americana.
Leia mais: Trump rejeita alertas sobre riscos da inteligência artificial
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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