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Guerra no Golfo: 60 dias que redesenham o petróleo e a ordem global
Publicado 01/05/2026 • 16:55 | Atualizado há 2 semanas
Publicado 01/05/2026 • 16:55 | Atualizado há 2 semanas
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REUTERS/Dado Ruvic/Illustration
Sessenta dias após o início da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, o conflito se consolidou como um dos episódios mais disruptivos da geopolítica recente, com impactos diretos sobre energia, cadeias globais e estabilidade regional. O que começou como uma ofensiva com foco declarado em desarticular o programa de mísseis iraniano rapidamente escalou para um confronto de múltiplas frentes, com efeitos que ultrapassam o campo militar e atingem a economia global.
A guerra teve início em 28 de fevereiro, quando forças americanas e israelenses lançaram ataques coordenados contra alvos estratégicos no Irã. A ofensiva ocorreu em meio a negociações ainda em curso sobre o programa nuclear iraniano, o que marcou uma ruptura abrupta no diálogo diplomático. A resposta de Teerã foi imediata: ataques com mísseis e drones contra bases militares americanas no Golfo, ampliando o risco de um conflito regional mais amplo.
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Poucos dias depois, em 2 de março, o confronto ganhou uma nova dimensão com a entrada do Hezbollah, que passou a atacar posições israelenses a partir do sul do Líbano. A movimentação abriu uma segunda frente ativa de combate e elevou o grau de imprevisibilidade, ao envolver um dos principais atores não estatais da região.
O ponto de maior inflexão veio em 4 de março, quando o Irã impôs um bloqueio ao Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde transitam cerca de um quinto do petróleo global. A interrupção gerou o maior choque de oferta de energia desde a década de 1970, pressionando preços internacionais e reacendendo temores inflacionários em diversas economias.
Na tentativa de conter a escalada, um cessar-fogo de 14 dias foi anunciado em 8 de abril, resultado da mediação do Paquistão. A trégua chegou a ser prorrogada, mas não se sustentou como solução duradoura. Nos dias 11 e 12 de abril, negociações de alto nível em Islamabad terminaram sem acordo, evidenciando a dificuldade de reconstruir canais diplomáticos.
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A tensão voltou a subir em 13 de abril, quando os Estados Unidos impuseram um bloqueio naval aos portos iranianos, mirando diretamente a capacidade econômica do país. Já nos dias 20 e 21 de abril, uma segunda rodada de negociações fracassou antes mesmo de avançar: divergências logísticas e políticas levaram ao cancelamento da participação americana, enquanto autoridades iranianas já sinalizavam desinteresse no encontro.
Dois meses depois, o cenário permanece marcado por impasse diplomático, volatilidade nos mercados de energia e risco elevado de novos episódios de escalada. Mais do que um conflito regional, a guerra redesenhou temporariamente o equilíbrio entre oferta e demanda global de petróleo, reacendeu disputas de influência no Oriente Médio e recolocou a geopolítica no centro das decisões econômicas internacionais, um movimento que tende a continuar ditando o ritmo dos mercados nas próximas semanas.
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