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Guerra no Irã pode esfriar ainda mais mercado de trabalho já travado, dizem economistas

Publicado 25/03/2026 • 10:57 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Guerra no Irã tende a ampliar a incerteza entre empregadores e agravar um mercado de trabalho já travado, segundo economistas.
  • Ambiente de “baixa contratação e baixa demissão” limita oportunidades e dificulta mobilidade profissional e entrada de novos trabalhadores.
  • Incertezas com energia, juros, comércio e políticas públicas aumentam cautela das empresas e reduzem decisões de contratação e investimento.
O mercado de trabalho já opera em estado de congelamento, com baixa contratação e pouca rotatividade, e pode sofrer um novo impacto com a guerra no Irã, segundo economistas.

O mercado de trabalho já opera em estado de congelamento, com baixa contratação e pouca rotatividade, e pode sofrer um novo impacto com a guerra no Irã, segundo economistas. Para eles, o aumento da incerteza entre empregadores tende a agravar ainda mais esse cenário.

Vai esfriar ainda mais o mercado de trabalho”, afirmou Nicholas Bloom, professor de economia da Universidade Stanford, durante um evento recente da Harvard Kennedy School sobre os efeitos econômicos do conflito. Segundo ele, quem já está empregado deve ter cautela: “Se você tem um emprego agora, não saia dele”, pois o ambiente tende a se tornar mais difícil.

Mercado já vinha fragilizado

Antes mesmo do início dos bombardeios de Estados Unidos e Israel ao Irã em 28 de fevereiro, o mercado de trabalho já apresentava sinais de fragilidade. Dados mais recentes do U.S. Bureau of Labor Statistics, até janeiro, indicam que a taxa de contratação está no menor nível desde 2013, desconsiderando o período inicial da pandemia de Covid-19.

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Ao mesmo tempo, as demissões seguem em patamares historicamente baixos, enquanto os trabalhadores estão pedindo demissão no menor ritmo em cerca de uma década. Esse indicador é visto como um termômetro da confiança dos profissionais em conseguir uma nova vaga.

O resultado é um ambiente de “baixa contratação e baixa demissão”, que reduz significativamente as oportunidades para quem busca emprego ou tenta ingressar no mercado, como recém-formados. Segundo Bloom, muitos profissionais que desejam mudar de emprego por salário, localização ou insatisfação acabam “presos” na atual posição.

Ele compara a situação a um cenário extremo: “É como se toda a economia tivesse sido atingida por um ‘raio congelante’, desacelerando contratações e demissões”.

Incerteza trava decisões

De acordo com economistas, o principal fator por trás desse congelamento é a incerteza econômica. Bloom compara o momento à decisão de adiar a compra de um carro diante de dúvidas sobre o futuro profissional.

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Esse ambiente leva empresas a postergarem decisões de contratação e investimento. “A incerteza desacelera a contratação, pois as empresas não querem cometer erros caros”, explicou Bloom. Isso porque contratar e depois precisar reverter a decisão pode ser custoso, especialmente se a demanda não se confirmar.

A guerra no Irã adiciona novas incertezas, principalmente relacionadas aos preços de energia e ao risco de uma desaceleração econômica global, segundo especialistas.

Empresas também enfrentam dúvidas sobre quanto tempo os custos de energia permanecerão elevados e, no caso de setores com alto gasto logístico, quanto esses custos vão pressionar as margens, afirmou Cory Stahle, economista do site de empregos Indeed.

Além disso, o cenário já vinha carregado de incertezas. Em 2025, o presidente Donald Trump promoveu mudanças no comércio global com uma série de tarifas, elevando custos e dificultando previsões para as empresas. Paralelamente, juros elevados encarecem o crédito, enquanto políticas migratórias reduzem a oferta de trabalhadores.

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Neste momento, o mercado de trabalho está sendo pressionado por vários fatores ao mesmo tempo”, disse Stahle. “Como empresário, posso pensar: ‘não vou contratar agora se essa guerra pode levar a uma recessão global nos próximos meses’”.

Outro fator é o comportamento das empresas após a pandemia. Durante o período da chamada “grande renúncia” (2021–2022), houve forte dificuldade para contratar, levando companhias a manter seus quadros atuais.

Segundo Scott Wren, estrategista global do Wells Fargo Investment Institute, muitas empresas passaram a reter funcionários para evitar escassez de mão de obra, em um movimento descrito como “job hugging”. Ao mesmo tempo, a incerteza sobre tarifas e crescimento econômico continua limitando a expansão das equipes.

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