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Papa Leão 14 usa encíclica para critica poder das big techs sobre a inteligência artificial; leia
Publicado 25/05/2026 • 07:56 | Atualizado há 50 minutos
Publicado 25/05/2026 • 07:56 | Atualizado há 50 minutos
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O Papa Leão XIV acena para a multidão da varanda principal da Basílica de São Pedro, durante a mensagem Urbi et Orbi e a bênção para a cidade e o mundo, como parte das celebrações da Páscoa, na Praça de São Pedro, no Vaticano, em 5 de abril de 2025.
O papa Leão 14 assinou a primeira encíclica de seu pontificado com um alerta sobre os riscos da inteligência artificial. O documento “Magnifica humanitas” afirma que a IA “ameaça normalizar uma visão anti-humana” e que a concentração de imenso poder digital nas mãos de poucos atores privados precisa ser combatida.
🔍 Encíclica é uma carta formal do papa dirigida a bispos e, por extensão, a toda a Igreja Católica e ao mundo. Trata-se do documento de maior peso doutrinário do pontificado romano, usado historicamente para tratar de grandes questões morais, sociais e políticas da época.
O risco, segundo o pontífice, é que os seres humanos sejam reduzidos a “meras engrenagens de um sistema orientado para uma eficiência cada vez maior”.
O documento foi publicado nesta segunda-feira (25) e foi assinado com a data de 15 de maio, coincidindo com o 135º aniversário da encíclica “Rerum Novarum” do papa Leão 13, também publicada em 15 de maio de 1891. A apresentação ocorreu no Salão Sinodal, no Vaticano, com a presença do próprio Leão 14.
🔍 “Magnifica humanitas” pode ser traduzida do latim como “a magnífica humanidade” ou “a grandeza do humano”. O título remete à defesa da dignidade da pessoa humana como eixo central do documento. A encíclica é inspirada na “Rerum Novarum” de Leão 13, que em 1891 defendeu os direitos dos trabalhadores diante da revolução industrial.
Para descrever os caminhos que a humanidade pode seguir, o papa recorreu a duas imagens bíblicas. “A escolha primária não é entre um ‘sim’ ou um ‘não’ à tecnologia, mas entre construir Babel ou reconstruir Jerusalém”, escreveu.
Na metáfora papal, a Torre de Babel representa um projeto grandioso e imposto de cima para baixo, movido pelo orgulho, pelo lucro e pela busca de homogeneização. Jerusalém, ao contrário, simboliza a reconstrução coletiva e a coexistência fraterna entre povos diferentes.
A encíclica foi aguardada com atenção por governantes, líderes empresariais e grupos religiosos que veem a Igreja Católica, maior denominação cristã do mundo, como referência ética nos debates sobre regulação de tecnologia.
O papa americano escolheu seu nome papal como homenagem a Leão 13, o pontífice do século 19 que enfrentou os industriais de sua época em defesa dos trabalhadores. Dias após sua eleição, em maio de 2025, afirmou que a inteligência artificial representa “a revolução industrial da era moderna” e que impõe “desafios à dignidade humana, à justiça e ao trabalho”.
A “Rerum Novarum” de 1891 sustentou condições dignas de trabalho e se opôs à concentração de riquezas. O documento lançou as bases do ensino social católico e moldou sistemas políticos e de bem-estar em toda a Europa moderna.
O pontífice foi explícito ao cobrar ações concretas dos governos. “Não basta invocar a ética de forma abstrata; são necessários marcos legais robustos, supervisão independente, usuários informados e um sistema político que não abdique de sua responsabilidade”, escreveu.
A perspectiva de desemprego em massa causado por inovações digitais foi chamada pelo papa de “uma verdadeira calamidade social”. Leão 14 acrescentou que “a tecnologia nunca é neutra, porque assume as características daqueles que a concebem, financiam, regulam e utilizam”.
Entre os convidados para a apresentação da encíclica estava Christopher Olah, cofundador e pesquisador de segurança da Anthropic, empresa americana de inteligência artificial. A presença de Olah gerou críticas por parecer conferir ao Vaticano o carimbo moral da empresa. Oficiais vaticanos esclareceram que a participação não representava um endosso institucional, mas um gesto de abertura ao diálogo com o setor.
Leão 14 é o primeiro papa americano. Seu alerta sobre os riscos da IA representa uma posição distinta em relação ao presidente Donald Trump, que apoia ativamente a expansão tecnológica nos Estados Unidos e, na semana passada, adiou uma ordem executiva que criaria um processo voluntário de testes para modelos de IA.
Leia também: Pentágono monta máquina de guerra com gigantes da IA, mas não diz quem aperta o botão
Leia a íntegra do documento papal aqui.
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