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Após vitória do movimento estudantil, Índia desmonta acampamento de protestos em Nova Délhi

Publicado 26/07/2026 • 08:48 | Atualizado há 2 meses

KEY POINTS

  • Governo aceitou reivindicações dos manifestantes e ministro da Educação deixou o cargo.
  • Movimento "Cockroach" mobilizou milhares de jovens e se tornou um dos maiores desafios ao governo Modi.
  • Autoridades iniciaram limpeza e remoção de grafites horas após o fim dos protestos.
Protesto estudantil na Índia revela desgaste de Modi com a geração Z

reprodução X

Movimento estudantil indiano Cockroach Janta Party (CJP)

Funcionários da prefeitura de Nova Délhi começaram neste domingo (26) a apagar grafites e desmontar os vestígios da ocupação realizada pelo movimento estudantil conhecido como Cockroach Janta Party (CJP), um dia após o governo do primeiro-ministro Narendra Modi atender parte das reivindicações dos manifestantes e ver o ministro da Educação renunciar ao cargo.

O protesto, impulsionado pelas redes sociais e liderado principalmente por estudantes, transformou a área de Jantar Mantar, tradicional ponto de manifestações na capital indiana, em um grande acampamento durante semanas. O local reuniu milhares de pessoas e deu origem a um dos maiores movimentos de contestação ao governo desde a reeleição de Modi, em 2024.

As mobilizações começaram em resposta a denúncias de irregularidades em exames públicos, mas ganharam força ao incorporar pautas como desemprego, falta de oportunidades para os jovens e críticas ao que opositores classificam como um endurecimento do estilo de governo do premiê.

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Limpeza começou durante a madrugada

Poucas horas após o encerramento da manifestação, equipes municipais iniciaram a remoção de pichações, cartazes e mensagens deixadas pelos participantes.

Um funcionário da prefeitura, que preferiu não se identificar, afirmou à AFP que os trabalhos começaram ainda durante a madrugada, logo depois que os manifestantes deixaram o local.

Segundo ele, parte dos muros precisará receber uma nova camada de tinta, já que algumas inscrições continuam visíveis.

Na noite anterior, o espaço ainda reunia milhares de pessoas, que cantavam músicas de protesto, entoavam palavras de ordem e registravam críticas ao governo em murais improvisados.

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Movimento atraiu jovens de todo o país

Entre os participantes estava Nayan Thakrele, de 19 anos, que viajou cerca de 20 horas de trem desde o estado de Madhya Pradesh para participar da mobilização.

Ao chegar a Nova Délhi na manhã deste domingo, porém, encontrou o protesto já encerrado.

“É uma pena que a manifestação tenha acabado justamente quando consegui chegar”, disse o estudante à AFP.

Ele contou que conheceu o movimento por meio do Instagram e decidiu viajar depois de assistir aos vídeos das manifestações.

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“As imagens mostravam um ambiente muito intenso, com murais coloridos, cartazes e uma energia que me fez querer viver aquilo pessoalmente”, afirmou.

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Resposta do governo ampliou mobilização

Outro apoiador, identificado apenas como Amish, de 35 anos, também chegou à capital depois do encerramento do protesto. Ele havia comprado uma passagem aérea saindo de Mumbai antes da confirmação da renúncia do ministro da Educação.

Na avaliação dele, a tentativa do governo de conter as manifestações acabou fortalecendo o movimento.

“Se não tivesse havido repressão, o protesto provavelmente não teria alcançado essa dimensão”, afirmou.

Durante as últimas semanas, os atos registraram momentos de tensão, incluindo confrontos pontuais entre manifestantes e forças de segurança, além do uso de cassetetes e gás lacrimogêneo pela polícia.

Amish acredita que a forma como o governo reagiu às manifestações poderá ter consequências nas próximas eleições.

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“Tenho a impressão de que o governo enfrentará nas urnas os efeitos das decisões que tomou durante esse episódio”, afirmou.

Neste domingo, um policial que fazia a segurança da região afirmou que apenas alguns curiosos passaram pelo local, a maioria interessada em conhecer pessoalmente o cenário que havia ganhado destaque nas redes sociais.

Já pintado de vermelho, um dos muros que se tornou símbolo do movimento havia servido como espaço para cartazes, mensagens e fotografias de policiais acusados pelos manifestantes de agir com violência durante a repressão aos protestos.

Na véspera do encerramento da ocupação, o manifestante identificado apenas como Rahul afirmou à AFP que o objetivo era preservar o registro do que aconteceu.

“Queremos que tudo isso fique documentado e seja lembrado”, disse. “Fotografamos e gravamos esses painéis para que as imagens continuem circulando amplamente.”

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